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Tasso e Girão: veja como foi a atuação dos senadores cearenses em quase um mês de CPI da Covid

Da bancada do Ceará, participam da CPI da Covid os senadores Eduardo Girão (Podemos) e Tasso Jereissati (PSDB)
16:22 | Mai. 28, 2021
Autor Filipe Pereira
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Filipe Pereira Repórter de Política
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Tipo Notícia

*matéria atualizada às 11h40min do dia 30 de maio

O Senado Federal está há quase um mês colhendo depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que apura ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia e eventual desvio de verbas federais enviadas a estados e municípios. Durante as quatro semanas de trabalhos e dez oitivas realizada, também destaca-se a atuação dos senadores da bancada cearense, dentre eles Tasso Jereissati (PSDB) e Eduardo Girão (Podemos-CE). Confira os destaques:

Tasso Jereissati 

Integrante da CPI da Covid instalada no Senado Federal, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) iniciou sua atuação reforçando suas críticas diante da responsabilização do governo federal na condução da crise do coronavírus. O parlamentar avaliou que o Planalto deve encontrar um cenário complicado na comissão. No final de março, o tucano declarou em entrevista que a resistência do presidente Bolsonaro em mudar de comportamento pode forçar um processo de impeachment. Ele também colocou em xeque a saúde mental do presidente.

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No dia 27 de abril, o senador comemorou a instalação da CPI. O parlamentar compartilhou uma imagem do momento em que votava para a formação do comando da comissão e deixou sua mensagem. "Hoje iniciamos os trabalhos da CPI da Covid, a CPI mais importante da história do Congresso Nacional, porque estamos falando das centenas de milhares de vidas perdidas no Brasil. Teremos a responsabilidade de apurar as ações e omissões que trouxeram o Brasil a este ponto", disse

Durante a primeira oitiva, realizada com o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o parlamentar quis fazer única pergunta a Mandetta. Escolheu questioná-lo sobre o porquê de o presidente não optar pelo isolamento social como uma dos meio de combate ao vírus, se a escolha estava amparada em outra "tese", como a da imunidade de rebanho.

"É muito difícil você entender sobre qual teoria, a impressão que eu tenho é que havia algumas teorias mais simpáticas. Uma delas era 'olha, o brasileiro vai se contaminar, ele mora em aglomerados, mora sem esgoto, então vai se atingir o coeficiente de proteção de rebanho'", confirmou Mandetta.

Já no depoimento do ex-ministro Nelson Teich, o senador quis saber, por exemplo, o motivo da redução no número de entrevistas à imprensa durante a gestão dele. Ele admitiu que, quando assumiu a pasta, existia um clima de politização e disputa muito grande. A intenção inicial dele era, portanto, conhecer melhor o dia-a-dia do ministério e estudar uma melhor forma de as coletivas serem realizadas, a partir de um aspecto mais técnico.

O parlamentar avaliou ainda que, em seu depoimento, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga ficou na dúvida “entre ser médico ou obedecer ao Bolsonaro”. Terceira testemunha a passar pela CPI, o ministro depôs sendo interpelado sucessivamente sobre se concordava com a inclusão da cloroquina e outros medicamentos sem eficácia no protocolo para combater a Covid.

Após pressão de Tasso, apesar das reclamações públicas frequentes do presidente Jair Bolsonaro sobre medidas adotadas pelos Estados e municípios para enfrentamento da pandemia, Queiroga concordou que Estados e municípios poderia adotar medidas de isolamento.

Na segunda semana de depoimento, Tasso afirmou que o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), foi "cauteloso" ao não dar voz de prisão ao ex-secretário da Comunicação do Planalto, Fabio Wajngarten. "Com certeza não gerou prisão por intervenção do presidente, mas causou, como o presidente da CPI disse a ele, uma desmoralização e uma depreciação da imagem desse rapaz tão forte, que foi e que está sendo com certeza um castigo maior que a própria prisão", opinou. Para Tasso, Aziz deu ao ex-assessor palaciano uma lição de moral

O tucano apoiou a eleição da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, nona depoente na comissão, em 2018, para o Senado Federal. Por alugas vezes, a questão foi comentada e lembrada por internautas nas redes sociais. 

Tasso Jereissati apoiou as candidaturas de Eduardo Girão e da Capitã Cloroquina ao Senado em 2018. Quero ver o que ele vai falar hoje na CPI. pic.twitter.com/jRNVRTgiaB

Tasso evitou confrontar a secretária na CPI da Covid. A médica respondeu ao congressista por pouco mais de 5 minutos dos 15 aos quais ele teria direito para inquiri-la. Na sequência, Tasso passou a palavra para o senador Otto Alencar (PSD-BA).

Durante sua atuação na CPI, Tasso anunciou que o PSDB entrará na Justiça com uma ação para obrigar o presidente Jair Bolsonaro a respeitar as regras sanitárias recomendadas pelo Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como adoção do distanciamento social e uso de máscara.

Eduardo Girão

Diferente de Tasso, o senador Eduardo Girão (Podemos) iniciou seu interesse na CPI da Covid apresentando um requerimento para abertura de uma CPI com escopo mais amplo. Apesar de evitar o adjetivo durante sua atuação, desde o início o parlamentar apresentou alguns discursos alinhados a parlamentares governistas. Foi por iniciativa dele que foram coletadas assinaturas na Casa para que a CPI também investigasse repasses federais a estados e municípios no contexto da Covid-19. 

No dia 12 de abril, o cearense disse ter alcançado as assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI da Covid para também investigar governadores e prefeitos. O parlamentar defendeu querer rastrear também possíveis irregularidades cometidas por estados e municípios e "buscar toda a verdade, e não apenas parte dela". "Não podemos 'pegar um pra Cristo', que se investigue todos" e "é inadmissível a blindagem a quem quer que seja" fora uma das frases bastantes usadas durante o mês de maio.

Ignorando acordo, Girão se candidatou à presidência da CPI da Covid e pediu apoio popular para sua eleição, que não foi efetivada. Para ele, esse apoio seria importante para "furar" o que ele chamou de "acordão" existente na definição do comando da Comissão.

Para tentar retirar o senador Renan Calheiros (MDB-AL) da CPI da Covid, junto com os senadores Jorginho Mello (PL-SC) e Marcos Rogério (DEM-RO), Girão acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte declarasse o "impedimento" do senador e impedisse sua indicação para a relatoria. A decisão do Supremo foi a de que essa definição deveria ser feita pelo próprio Senado, que acabou mantendo Renan na relatoria.

 

Logo no início da CPI, o senador motivou um bate-boca entre os senadores. Antes do depoimento do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o parlamentar manifestou incômodo com a lista de depoimentos presente no plano de trabalho executado pela comissão. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) também expressou incômodo, o que atrasou os inícios das atividades.

Os senadores alegaram que o plano de trabalho focava apenas em investigações sobre ações e omissões do governo federal e o colapso da saúde no Amazonas. A reclamação engloba o discurso de uma das estratégias da ala governista que é envolver governadores e prefeitos nas investigações da comissão, para tirar o foco da gestão Jair Bolsonaro (sem partido).

Ao pedir mais "equilíbrio", Girão solicitou que o depoimentos fosse alternados, considerando as possíveis irregularidades, fraudes e superfaturamentos em contratos e serviços feitos com recursos originados da União e enviados a estados e municípios.

No depoimento de Mandetta, Girão lançou questões difíceis ao médico. O indagou sobre a despedida como ministro da Saúde, quando abraçou assessores e secretários. Também explorou a presença do médico numa sinuca com amigos. O ex-ministro respondeu que, em sua despedida, a equipe toda trabalhava com conselho "de biossegurança forte". Segundo ele, em sua gestão a equipe permaneceu sem um caso de Covid-19 confirmado.

Durante o depoimento de Teich, o senador usou seu tempo de fala na CPI para indagar o ex-ministro sobre o uso de medicamentos para tratamento precoce contra a Covid-19 no Brasil. Apensar de manifestar críticas à apologia do presidente Jair Bolsonaro em torno da cloroquina, o parlamentar alegou que os medicamentos "viraram palavrão" e defendeu que menos "animosidade política" em torno do uso das substâncias teria salvo a vida de brasileiros. O ex-ministro contrariou o senador e manteve suas críticas aos medicamentos, todos ainda sem comprovação científica contra a Covid-19.

Com as investigações avançando contra o governo federal, Girão voltou diversas vezes a externar preocupação de que a CPI não alcance, de fato, governadores e prefeitos suspeitos de desviarem recursos federais no contexto do combate ao vírus. Uma delas gerou o primeiro bate-boca com o presidente Omar Aziz (PSD-AM). 

Em primeira decisão que desfavoreceu o presidente da República, Girão apresentou um requerimento no dia 29 de maio cobrando que o Planalto enviasse ao grupo informações sobre “deslocamentos do presidente Jair Bolsonaro pelo comércio de Brasília e arredores” desde 1º de março do ano passado. "Não interessa onde eu estava", afirmou o presidente sem citá-lo, para em seguida responder o que fez. "Respeito a CPI: estive no meio do povo. 

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), chegou a criticar a postura do senador em relação aos questionamentos feitos sobre supostas irregularidades na aquisição de equipamentos pelo governo do Estado para o combate à pandemia. O petista disse ser a favor de qualquer investigação “séria e imparcial” e que não se aproveite do ponto de vista político. Declaração foi dada em entrevista à Rádio O POVO CBN.

Na esteira dos acontecimentos, Camilo e Girão fazem parte de grupos opostos que devem disputar o governo do Estado nas eleições de 2022. Em nota enviada ao O POVO, Eduardo Girão respondeu à críticas de Camilo. O senador afirmou que "tudo aquilo que o incomoda (a Camilo) vira declarações intempestivas sobre supostas 'fake news', 'calúnias' e 'estranhezas'.

No dia 13 de maio, Girão pediu para diretor-geral da Polícia Federal falar na CPI da Covid sobre investigações contra estados e municípios. A motivação do senador, que se diz independente, em pedir o depoimento de Maiurino tem como contexto o esforço de aliados ao governo para que a CPI direcione seu foco às suspeitas de desvios de recursos públicos em Estados e municípios, que deveriam ser dirigidos ao combate à pandemia.

O senador disse compreender a busca do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, por um habeas corpus (HC) que o permitiu se calar durante o interrogatório ao qual será submetido no dia 19 de maio. feira, 19. A medida foi concedida ao militar por Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em suas declarações feitas na comissão, Girão chegou a evocar alguns nomes, algumas vítimas da Covid-19, como Déa Lúcia Amaral, da mãe do Paulo Gustavo, vítima da Covid-19. Na ocasião, ele voltou a cobrar  a investigação de verbas federais encaminhados aos estados e municípios. Depois, durante depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, Girão cometeu erro ao citar Stênio Garcia para questionar eficácia da CoronaVac.

Em última polêmica, o cearense pediu que Dimas Covas apresentasse dados para investigar a presença de células "extraídas de fetos abortados" na CoronaVac. O boato de que vacinas são feitas com fetos abortados é antigo, tendo sendo desmentido em outras oportunidades. A CoronaVac, por sua vez, nunca utilizou esse tipo de material. Foi o que teve que explicar Covas durante sessão da CPI. 

Apesar das polêmicas, Girão comemorou a convocação de nove governadores pela CPI para apurar o uso de recursos públicos destinados à pandemia. Contudo, a decisão de deixar prefeitos e ex-prefeitos de fora, por enquanto, não agradou o parlamentar, gerando bate-boca na sessão, momento em que o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD) chama Girão de "oportunista pequeno".


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Depois da polêmica, o senador do Ceará elevou o tom contra a condução da comissão, e acusou o presidente e o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), de parcialidade e tentativa de promover "palanque político para 2022".

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