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Review: Realme C11 (2021) é um basicão que deveria ser mais barato

Modelo traz configurações simples, que devem atender a quem precisa somente do essencial; Realme C11 (2021) começa em R$ 999, mas concorrência tem opções melhores na faixa de preço
10:22 | Nov. 15, 2021
Autor Bemfica de Oliva
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Bemfica de Oliva Repórter
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Tipo Notícia

Um novo dia, um novo celular da Realme. A fabricante conseguiu dominar uma série de mercados com uma estratégia que consiste em lançar tantos modelos quanto o necessário para cobrir todas as faixas de preço. O C11 (2021), um dos aparelhos mais recentes da empresa no Brasil, não é exceção.

A linha C da Realme engloba os smartphones mais básicos da fabricante, e o C11 (2021) é o aparelho de entrada dessa categoria. Ele consegue atender às necessidades mais simples sem suar?

Para responder a essa pergunta, usei o Realme C11 (2021) como meu celular principal nos últimos dias. Abaixo, conto tudo o que descobri.

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O C11 (2021) foi cedido por empréstimo pela Realme e será devolvido após a publicação desta matéria. A fabricante não teve nenhuma influência no conteúdo do texto.

Realme C11 (2021) - construção, design e conteúdo da caixa

Caixa do Realme C11 (2021) tem celular, cabo, carregador e só. É básico, mas é um carregador a mais que o presente em alguns aparelhos atuais
Caixa do Realme C11 (2021) tem celular, cabo, carregador e só. É básico, mas é um carregador a mais que o presente em alguns aparelhos atuais (Foto: Bemfica de Oliva)

O C11 (2021) é um aparelho de entrada e não nega isso em momento algum. Na caixa, além do celular, estão cabo, carregador, ferramenta para remoção de chips... E só. Nem uma capa simples é enviada, como algumas fabricantes têm feito - a própria Realme oferece o acessório em outros modelos.

Sem mais o que explorar na embalagem, que vem no tom de amarelo tradicional da fabricante, passemos ao corpo do aparelho. A tela tem bordas finas e um "queixo" considerável, nada fora do padrão para modelos de entrada em 2021. Um entalhe em formato de gota abriga a câmera frontal.

A traseira, de plástico, tem um acabamento em dois estilos: a maior parte tem uma textura, mas uma faixa na esquerda, que vai do topo à parte inferior, é lisa. Nela estão, perto da base, um alto falante e o nome da marca. A faixa também atravessa o detalhe onde fica a câmera, um quadrado preto muito maior do que precisaria ser - falarei disso na parte de fotografia.

Com corpo de plástico, Realme C11 (2021) tem pegada firme e não aparenta fragilidade
Com corpo de plástico, Realme C11 (2021) tem pegada firme e não aparenta fragilidade (Foto: Bemfica de Oliva)

A parte inferior traz o microfone e a entrada do cabo (Micro USB, sim, em 2021!), além do plug P2 para fones de ouvido tradicionais, de 3,5 mm. Na lateral esquerda fica a bandeja de chips - é possível usar duas operadoras e o cartão de memória, um ponto positivo. Na direita, os botões de volume e liga/desliga, que são finos, mas bem destacados e com boa sensação de toque. A parte superior é "vazia" - nem mesmo um microfone secundário para filmagens existe aqui.

A pegada do Realme C11 (2021) é firme o suficiente, sem aparentar fragilidade nem dar a impressão que vai escorregar da mão a qualquer momento. Eu ainda recomendaria uma capa, mas o aparelho é robusto o suficiente. As bordas, que fazem parte da mesma peça de plástico que a traseira, são chanfradas.

As cores disponíveis para o C11 (2021) são cinza-chumbo, chamado pela empresa de "Iron Grey", e azul claro (Lake Blue). Nossa unidade de testes veio nesta última.

Segundo a fabricante, o C11 (2021) é "resistente a respingos". Não quis colocar a afirmação à prova, então não levei o aparelho para um passeio na chuva nem nada do tipo.

Tela do Realme C11 (2021) está na medida do preço

Com 6,5", resolução HD+ (720x1600) e tecnologia IPS LCD, a tela do Realme C11 (2021) não promete nenhuma grande surpresa. Considerando a faixa de preço, ela também não decepciona.

As cores não são extremamente vívidas - afinal de contas, não é um painel Amoled -, mas têm contraste razoável. O ângulo de visão fica em cerca de 120°, a partir disso a imagem começa a escurecer. Não há, porém, problemas de distorção das cores, por ser uma tela IPS.

Realme C11 (2021) tem apenas uma câmera na traseira

Em resumo, é isso. Há um sensor de 8 MP na traseira, sem nada adicional - nem os sensores basicamente inúteis de 2 MP para profundidade e fotos macro, comuns em aparelhos de entrada, aparecem aqui.

A câmera fica, como dito antes, em um grande quadrado preto, de cantos arredondados, que poderia abrigar um conjunto de três lentes + flash sem problemas. No entanto, só o que existe aqui é uma lente, o flash, e um texto "AI Camera" - o "AI" em questão fica dentro de um círculo cinza, então quem vê de longe vai pensar que há mais sensores na traseira.

As cores são um tanto lavadas, e o nível de detalhes basta tão somente para postar em redes sociais ou mandar por mensagem. O desfoque do modo retrato é feito artificialmente, já que não há um sensor de profundidade. Há configurações para "modo de embelezamento", "modo profissional", panorâmicas e é isso.

O sensor frontal, com 5 MP, também entrega exatamente o que se espera dele: baixa nitidez, pouco contraste e desfoque falho. O modo de embelezamento está presente aqui também, mas, como em qualquer aparelho que ofereça isso, a recomendação é não usar - o resultado faz a pessoa parecer um boneco de cera.

A Realme sempre divulga as proezas de seu sistema de inteligência artificial para imagens, mas no caso do C11 (2021), não há como se fazer milagres. A limitação está nas câmeras, que são extremamente básicas.

Bateria do Realme C11 (2021) dura bem, mas demora para carregar

Com 5.000 mAh na bateria, o Realme C11 (2021) consegue oferecer um dia inteiro de uso moderado a pesado, e até dois dias de uso leve. Há dois modos de economia de energia, um mais brando (os aplicativos param de atualizar em segundo plano, entre outras mudanças e um extremamente restritivo (desligamento das redes móvel e WiFi com a tela bloqueada, qualquer aplicativo é imediatamente fechado, em vez de ficar em standby, ao ir para outra tela).

Com a bateria começando em 100%, joguei por meia hora, ouvi duas horas de músicas por Spotify com a tela desligada e usei duas horas de redes sociais, mensagens e navegação na internet. Ao fim do processo, com pouco menos de três horas de tela ligada, a carga estava em 55%.

O que complica o uso é o tempo de recarga: com apenas 10 W de potência, o carregador incluído levou cerca de três horas para ir de 5 a 100%. A bateria é grande e o carregador é pouco potente, não há o que possa ser feito aqui.

Sistema e performance: Realme C11 (2021), com Android 11 Go Edition, não é um primor de velocidade

As especificações do Realme C11 (2021) já anunciam que ele não aguenta muitas tarefas sem sofrer. O processador Unisoc SC9863A é extremamente básico, e há somente 2 GB de memória RAM. O Android 11 (Go Edition), personalizado com a interface da Realme, foi feito para aparelhos mais simples, mas ainda assim entrega pouca fluidez.

O aparelho, na maior parte do tempo, não é extremamente lento - apenas não é rápido. Navegar na interface, como pelas configurações, tela de aplicativos recentes, ou a animação ao girar o celular entre horizontal e vertical, respondem de maneira, digamos, sincera. Sem grandes engasgos, mas sem uma aparência de alta performance.

Em termos de personalizações, certamente senti falta de algumas coisas, especialmente considerando que pude comparar diretamente o Realme 7 5G, que havia testado nos dias anteriores, com o C11 (2021). As versões Go Edition são mais simples justamente para exigir menos dos aparelhos, e algumas funções ficam pelo caminho. Como boa surpresa, os problemas de traduções e anúncios que tive com o 7 5G não existem aqui.

Alguns aplicativos externos, todavia, deram um pouco mais de dor de cabeça. No Twitter, por exemplo, a navegação é muito lenta. No Instagram parece haver alguma otimização, mesmo na versão regular - o Instagram Lite deve rodar ainda melhor.

Falando em Lite, cabe lembrar que muitos dos aplicativos mais usados têm versões simplificadas, com algumas funções ausentes ou limitadas, mas exigem menos do aparelho. Facebook, Messenger e Instagram são alguns exemplos, assim como quase todos os apps da Google (chamados, neste caso, de "Go") - alguns, inclusive, já vêm instalados no aparelho.

O tempo de abertura para alguns aplicativos pode ser um descontentamento, mas, novamente: estamos falando de um aparelho de entrada. Não muito tempo atrás, já vi situações bem piores, inclusive em modelos mais caros.

Gráficos de jogos no Realme C11 (2021) estão no mínimo, mas alguns jogos populares, como Free Fire (na imagem), rodam sem grandes dificuldades
Gráficos de jogos no Realme C11 (2021) estão no mínimo, mas alguns jogos populares, como Free Fire (na imagem), rodam sem grandes dificuldades (Foto: Bemfica de Oliva/GArena)

Para jogos, o Realme C11 (2021) permite, como sempre, o básico. Free Fire e PlayerUnknown's BattleGrounds (PUBG) rodaram sem engasgos nas configurações mínimas. O outro game que costumo usar nos testes, Asphalt 9, não está disponível para o celular. O aparelho esquenta um pouco nessas situações, mas não chega a ficar desconfortável.

Conclusão: Realme C11 (2021) é bom? Vale o preço? Quais os concorrentes?

Buscando atender à fatia de mercado que precisa de um smartphone apenas pelas funções essenciais - redes sociais, mensagens, uma coisa ou outra de internet -, o C11 (2021) não faz promessas mirabolantes e impossíveis de cumprir. Você adquire o aparelho e tem um smartphone. Pronto, é isso, sem mais.

No entanto, ao olhar para a concorrência, é possível ver que o Realme C11 (2021) poderia fazer mais - ou cobrar menos. Aparelhos similares são mais baratos, e concorrentes na mesma faixa de preço oferecem especificações melhores.

Começando pela parte dos concorrentes de mesmo nível: Motorola E6i, Philco P10 e TCL L10+. Todos vêm com o mesmo processador Unisoc SC9683A do C11 (2021). Todos têm, também, mais câmeras - o E6i adiciona um sensor de profundidade de 2 MP na traseira, enquanto P10+ e L10 aumentam a lente principal para 13 MP e vêm com uma grande-angular, de 5 MP. O Philco ainda melhora a câmera de selfies, com 8 MP.

Enquanto o E6i tem os mesmos 32 GB de armazenamento e 2 GB de RAM do C11 (2021), o L10+ vem com 64 GB de armazenamento, e o P10 tem 128 GB para arquivos e 4 GB de RAM. Todos trazem, ainda, fones de ouvido na caixa - TCL e Philco adicionam também capa de proteção e película.

Só existem duas especificações em que o Realme C11 (2021) supera os concorrentes: tela (6,5", contra 6,1" do E6i e 6,2" de P10 e L10) e bateria (5.000 mAh no Realme, 3.000 mAh no E6i e 4.000 mAh em P10 e L10). O Realme vem com Android 11 de fábrica, isso é fato, mas as limitações da versão Go Edition são tantas que há poucas diferenças para o Android 10 dos outros aparelhos.

Há um elemento final que no Realme é maior que nos concorrentes: o preço. Enquanto ele segue pelos R$ 999 de lançamento, o Motorola é encontrado a R$ 630 no varejo, o Philco pode ser achado por cerca de R$ 800, e o TCL gira na faixa dos R$ 900.

Pagando um pouco - mas não muito - a mais, é possível levar opções bem mais interessantes. Considerando somente o preço, os principais concorrentes devem ser o Moto G20, da Motorola, e o Galaxy A22, da Samsung.

Ambos começam oferecendo 64 GB de armazenamento e 4 GB de RAM, o dobro do C11 (2021). Em comum, há também o conjunto de câmeras: 48 MP na principal, 8 MP na grande angular, e duas de 2 MP para macros e profundidade. Na frente, 13 MP.

Outras especificações compartilhadas por A22 e G20 são a WiFi com acesso a redes de 5 GHz, mais rápidas, o bluetooth 5.0 e o conector USB tipo C. Ambos têm também leitor de impressões digitais, que não existe no C11 (2021) - o do Motorola fica na traseira, enquanto o da Samsung é na lateral, integrado ao botão liga/desliga.

Por R$ 1.100, o Motorola traz uma tela com taxa de atualização de 90 Hz, os mesmos 5.000 mAh de capacidade e 10 W de recarga na bateria, e um processador T700, também da Unisoc, porém mais potente. O Android 11 é completo, e não o Go Edition.

Com outros R$ 100 na conta, o Samsung tem algumas adições: a tela tem tecnologia Amoled, com cores mais vívidas e contraste melhor, apesar de ser 0,1" menor que a do Realme e a do Motorola. A bateria, embora também tenha 5.000 mAh, carrega mais rápido, a 15 W. O processador é um Helio G80, da MediaTek.

Há algumas vantagens no Realme: o A22 não tem proteção alguma contra água, e o Motorola obriga o usuário a escolher entre usar duas operadoras ou ter apenas um chip, para inserir o cartão de memória. O C11 (2021) também é capaz de carregar outros aparelhos, mas, para isso, é preciso comprar um cabo USB On-The-Go (OTG), que não é tão fácil de encontrar.

Aliás, o próprio Realme C11 (2021) não está muito fácil de encontrar. Com vendas iniciadas em agosto deste ano, ele já não aparece nas lojas oficiais da marca nem na Amazon, nem no AliExpress. Resta saber se a fabricante está preparando um reposicionamento de preço, esperando chegar mais estoque ao País, ou se o modelo já foi aposentado com tão pouco tempo de mercado.

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