Invasão à Venezuela: líderes internacionais comentam ataque dos EUA
Aliados dos Estados Unidos, adversários políticos de Trump e críticos de Maduro emitiram posicionamentos oficias; EUA atacaram Venezuela neste sábado, 3
Após a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, diversos líderes internacionais comentaram a ação que capturou o presidente do país, Nicolás Maduro. As Forças Armadas dos EUA atacaram a capital venezuelana, Caracas, na madrugada deste sábado, 3. Veja abaixo a repercussão da ofensiva.
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América Latina e Caribe
Brasil
O governo brasileiro se manifestou horas após o ataque. O presidente Lula (PT) condenou a invasão, afirmando que as ações "ultrapassam uma linha inaceitável".
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026
Atacar países, em…
O Ministério das Relações Exteriores, por sua vez, pontuou que não há registro de brasileiros entre as vítimas dos ataques. Após reunião com a Presidência da República e outros ministérios, o órgão afirmou que permanece em contato com a Embaixada do Brasil na Venezuela e acompanha a situação do país.
Colômbia
A Colômbia tem uma fronteira de 2.219 km com a Venezuela, maior divisa terrestre de ambos os países. O presidente colombiano, Gustavo Petro, tem sido frequentemente acusado pelo líder dos EUA, Donald Trump, de envolvimento com tráfico de drogas — mesmo pretexto usado para o ataque deste sábado.
El Gobierno de la República de Colombia observa con profunda preocupación los reportes sobre explosiones y actividad aérea inusual registrados en las últimas horas en la República Bolivariana de Venezuela, así como la consecuente escalada de tensión en la región.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) January 3, 2026
Colombia…
Petro se pronunciou sobre o ataque logo após surgirem os primeiros relatos, afirmando ver o caso "com profunda preocupação" e rechaçar "qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar em risco a população civil".
Equador
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, tem forte alinhamento com Donald Trump. Pelas redes sociais, Noboa afirmou que "a hora vai chegar" para "narco-criminosos chavistas".
A todos los criminales narco chavistas les llega su hora. Su estructura terminará de caer en todo el continente.
A @MariaCorinaYA @EdmundoGU y al pueblo venezolano: es momento de recuperar su país. Tienen un aliado en Ecuador.
Bolívia
Também alinhado a Trump, o presidente boliviano, Rodrigo Paz Pereira, só se manifestou na tarde deste sábado. No comunicado, ele pontuou que "quando um regime governa para o narcotráfico, a sociedade é submetida à tirania".
La libertad no se negocia.
La dignidad de los pueblos tampoco.
Cuando un régimen ilegal gobierna para el narcotráfico, la sociedad es sometida a la tiranía.
Bolivia reafirma que la salida para Venezuela es respetar el voto, que representa la verdadera voluntad popular.
Bolivia…
Argentina
O governo argentino se manifestou por meio do Ministério das Relações Exteriores. O órgão emitiu nota apoiando o ataque realizado pelos Estados Unidos. Javier Milei, presidente da Argentina, não realizou pronunciamento oficial sobre o tema, embora seus perfis pessoais nas redes sociais tenham republicado dezenas de postagens celebrando a invasão à Venezuela.
Chile
Gabriel Boric, presidente do Chile, também se posicionou contra a ação dos EUA. Ele afirmou que a crise na Venezuela deve ser resolvida de forma diplomática e "não através da violência e da interferência estrangeira".
Como Gobierno de Chile expresamos nuestra preocupación y condena por las acciones militares de Estados Unidos que se desarrollan en Venezuela y hacemos un llamado a buscar una salida pacífica a la grave crisis que afecta al país.
— Gabriel Boric Font (@GabrielBoric) January 3, 2026
Chile reafirma su adhesión a principios básicos…
México
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, condenou a ação dos EUA. Claudia mencionou a Carta das Nações Unidas, que, no Artigo 2º, determina que os Estados-membros devem "resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos" e "evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado".
El Artículo 2, párrafo 4 de la Carta de las Naciones Unidas dice textualmente:
— Claudia Sheinbaum Pardo (@Claudiashein) January 3, 2026
“Los Miembros de la Organización, en sus relaciones internacionales, se abstendrán de recurrir a la amenaza o al uso de la fuerza contra la integridad territorial o la independencia política de…
Cuba
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, também se posicionou contra o ataque. Ele demandou "reação urgente da comunidade internacional" contra a ação, que considerou "criminosa" e "terrorismo de Estado". Díaz-Canel participou, na tarde deste sábado, de uma manifestação em Havana contra intervenções militares dos Estados Unidos.
#Cuba denuncia y demanda URGENTE reacción de la comunidad internacional contra criminal ataque de E.U a #Venezuela. Nuestra #ZonaDePaz está siendo brutalmente asaltada. Terrorismo de Estado contra el bravo pueblo venezolano y contra Nuestra América.
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) January 3, 2026
Patria o Muerte ¡Venceremos!
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Europa
Reino Unido
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, falou sobre o ataque, mas não opinou abertamente. Starmer afirmou que precisa "apurar os fatos" e "conversar com aliados" antes de se posicionar. Ele declarou, no entanto, que "deve-se respeitar as leis internacionais", e garantiu não haver envolvimento do Reino Unido na ação contra a Venezuela.
The situation in Venezuela is fast moving, we will establish all the facts and speak to allies.
— Keir Starmer (@Keir_Starmer) January 3, 2026
Our embassy in Caracas is working to ensure all British nationals in Venezuela are supported. pic.twitter.com/Y6i82mdX2p
Alemanha
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que "Nicolás Maduro levou o país à ruína" e que "as últimas eleições [venezuelanas] foram fraudadas", adicionando que não reconheceu o resultado do pleito. No entanto, ele adicionou que "determinar a legalidade da intervenção dos EUA é complexo e requer considerações cautelosas", também reforçando a importância de respeitar a legislação internacional.
Nicolás Maduro has led his country into ruin. The most recent election was rigged. Like many other countries, we have therefore not recognized his presidency. Maduro has played a problematic role in the region.
— Bundeskanzler Friedrich Merz (@bundeskanzler) January 3, 2026
França
Emmanuel Macron, presidente da França, declarou que "o povo da Venezuela hoje se libertou da ditadura de Nicolás Maduro", que, segundo Macron, "tomou o poder e pisoteou liberdades fundamentais".
The Venezuelan people are today rid of Nicolás Maduro’s dictatorship and can only rejoice.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) January 3, 2026
By seizing power and trampling on fundamental freedoms, Nicolás Maduro gravely undermined the dignity of his own people.
The upcoming transition…
A deputada federal Marine LePen, que disputou o cargo contra Macron em 2022 e tem posições políticas próximas às de Trump, por outro lado, foi crítica à invasão. Para ela, "há mil motivos para condenar o regime de Nicolás Maduro", mas "há uma razão fundamental para se opor" à ação dos EUA.
Na visão de LePen, "a soberania dos Estados é inegociável, independente do seu tamanho, poder, ou continente". "Renunciar a este princípio hoje para a Venezuela, para qualquer Estado, é aceitar nossa própria escravização amanhã", adicionou a parlamentar.
Il existait mille raisons de condamner le régime de Nicolas Maduro : communiste, oligarchique et autoritaire, il faisait peser sur son peuple, depuis de trop longues années, une chape de plomb qui a plongé des millions de Vénézuéliens dans la misère - quand il ne les contraignait…
— Marine Le Pen (@MLP_officiel) January 3, 2026
Itália
Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, também pontuou que "ações militares externas não são o caminho para encerrar regimes totalitários", mas afirmou que seu governo "considera legítima uma 'intervenção de natureza defensiva' contra 'ataques híbridos'", o que, segundo ela, incluiria "entes estatais que fomentam e favorecem o narcotráfico".
Ho seguito gli sviluppi in Venezuela fin dalle primissime evoluzioni.
— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) January 3, 2026
L’Italia, assieme ai principali partner internazionali, non ha mai riconosciuto la auto-proclamata vittoria elettorale di Maduro, condannando gli atti di repressione del regime e ha sempre sostenuto…
Rússia
O presidente russo, Vladimir Putin, não se posicionou oficialmente sobre o ataque. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, emitiu diversas notas condenando a ação, exigindo o retorno imediato de Maduro à Venezuela, e expressando "firme solidariedade com o povo da Venezuela no confronto contra uma agressão armada".
Sergey Lavrov, chanceler russo, conversou com a vice-presidenta venezuelana, Delcy Rodríguez, buscando, segundo o comunicado ministerial, encontrar maneiras para a resolução pacífica do conflito.
In view of the confirmed reports about Venezuelan President Nicolas Maduro and his spouse being in the US, we strongly urge the US leadership to reconsider their position & release the legitimately elected president of a sovereign country and his spousehttps://t.co/mZPc8wZEZ9 pic.twitter.com/9VSgpdeSnp
— MFA Russia (@mfa_russia) January 3, 2026
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África e Ásia
África do Sul
Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, não se pronunciou sobre o ataque. O Ministério das Relações Exteriores do país, no entanto, emitiu nota solicitando reunião do Conselho de Segurança da ONU para debater a invasão.
South Africa Urges UN Security Council Session Following Unilateral Military Action in Venezuela. #GovZAUpdates pic.twitter.com/Yn4i2XIkZz
— South African Government (@GovernmentZA) January 3, 2026
China
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o país "está profundamente chocado e condena fortemente" o ataque à Venezuela. De acordo com o comunicado emitido pelo governo, a ação "viola seriamente o direito internacional e a soberania venezuelana, e ameaça a paz e segurança na América Latina e no Caribe".
China is deeply shocked by and strongly condemns the U.S.’s blatant use of force against a sovereign state and action against its president.
— CHINA MFA Spokesperson (@MFA_China) January 3, 2026
Such hegemonic acts of the U.S. seriously violate international law and Venezuela’s sovereignty, and threaten peace and security in Latin… pic.twitter.com/wjfRMhvNKP
Irã
O Ministério das Relações Exteriores do Irã também condenou o ataque. Recentemente, o país tem sido alvo, junto à Venezuela, de ameaças do governo dos Estados Unidos. Na nota divulgada pelo Ministério, o Irã critica a "violação da soberania nacional e da integridade territorial" venezuelanas, também mencionando a Carta da ONU.
#Iran's Foreign Ministry’s statement on #USA military aggression against #Venezuela
— Foreign Ministry, Islamic Republic of Iran (@IRIMFA_EN) January 3, 2026
The Foreign Ministry of the Islamic Republic of Iran strongly condemns the US military attack on Venezuela and the blatant violation of the country’s national sovereignty and territorial… https://t.co/iSPrykAitJ