Preço dos imóveis de Fortaleza teve 5ª maior alta do País em 2025
Capital cearense encerra o ano com valorização acima da média nacional e da inflação; Meireles e Aldeota concentram os maiores preços por metro quadrado
Fortaleza encerrou 2025 com uma valorização expressiva no mercado imobiliário residencial, consolidando-se entre as capitais com melhor desempenho no País.
Dados do Índice FipeZAP de Venda Residencial, referentes a dezembro de 2025, mostram que a capital cearense registrou a quinta maior alta anual do Brasil, superando tanto a média nacional quanto a prévia da inflação oficial.
O preço médio do metro quadrado (m²) na Cidade chegou a R$ 8.963, enquanto a valorização acumulada no ano foi de 12,61%, percentual superior ao registrado em 2024 (11,49%).
No comparativo nacional, o resultado ficou acima da variação média do índice FipeZAP (6,52%) e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) (4,18%).
Somente no último mês do ano, Fortaleza apresentou uma alta de 0,89% ante novembro, figurando também como a quinta maior valorização mensal entre as 56 cidades, sendo 22 capitais monitoradas pelo indicador.
Mercado aquecido e mudança no perfil das famílias
Para o economista Davi Azim Filho, parte da valorização observada em Fortaleza está diretamente relacionada à mudança no perfil das famílias e à adaptação do mercado imobiliário a essa nova realidade.
Segundo ele, os imóveis de menor metragem, especialmente os voltados para uma ou duas pessoas, têm sido os mais demandados.
“O mercado imobiliário tem se ajustado a um novo perfil familiar, marcado por casais sem filhos e por pessoas que moram sozinhas. Isso eleva a procura por apartamentos menores e, consequentemente, contribui para a valorização desse tipo de imóvel”, explica.
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Azim destaca ainda que fatores ligados ao mercado de trabalho e às escolhas profissionais também influenciam esse movimento.
“Há mais pessoas solteiras priorizando a carreira e buscando formar patrimônio. Essa demanda crescente é algo que o mercado tem absorvido de forma eficiente”, avalia.
Com população estimada em 2,43 milhões de habitantes (Censo 2022), Fortaleza possui cerca de 860 mil domicílios, dos quais aproximadamente 203 mil são apartamentos, perfil que ajuda a explicar a relevância do mercado verticalizado na cidade.
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A renda média domiciliar é de R$ 5.109, enquanto o PIB per capita, segundo dados de 2020, é de R$ 24.254.
O índice FipeZAP para a Capital foi calculado a partir de 21.501 anúncios imobiliários em dezembro de 2025.
Meireles e Aldeota lideram preços; Centro se destaca na valorização
Outro fator determinante para o aquecimento do mercado imobiliário em Fortaleza, segundo Azim, é a localização privilegiada da Cidade.
Ele destaca que a capital cearense possui um litoral altamente atrativo e uma orla com infraestrutura diferenciada, o que impulsiona a demanda por imóveis em bairros próximos ao mar.
“Fortaleza tem uma orla muito bem estruturada e bairros próximos a essa região acabam sendo naturalmente mais procurados, especialmente por um público de renda mais elevada”, afirma o economista.
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Azim ressalta ainda que a valorização também está associada ao perfil turístico da cidade e à presença de investidores.
“Há tanto compradores que pretendem morar quanto investidores, inclusive externos, que veem o imóvel como uma forma segura de aplicação de recursos. No Brasil, o investimento imobiliário ainda é muito forte”, observa.
Entre os bairros de Fortaleza, o Meireles segue como o mais caro, com o m² atingindo R$ 12.634, além de uma valorização anual de 14,5%.
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Em seguida aparece a Aldeota, com preço médio de R$ 11.000/m² e uma das maiores altas em 12 meses (24,7%).
Ele pondera que a valorização não ocorre de forma homogênea e reflete uma segmentação socioeconômica clara.
“Bairros como Meireles e Aldeota têm infraestrutura superior em áreas como saneamento, mobilidade e segurança, o que os diferencia de bairros mais populares e contribui para essa valorização”, conclui.
Além disso, Azim avalia que o fato desses bairros estarem entre os mais próximos da orla e concentrarem uma infraestrutura urbana diferenciada pode explicar os preços mais altos.
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O Centro também se destacou, empatando com a Aldeota como o bairro de maior valorização anual (+24,7%), com preço médio de R$ 9.294/m².
Já o bairro de Fátima registrou alta de 20%, com o metro quadrado em R$ 7.885.
Na outra ponta, o Papicu foi o único entre os bairros analisados a apresentar queda nos preços no acumulado de 12 meses, com recuo de 8%, apesar de ainda manter valor médio de R$ 6.746/m².
O Joaquim Távora aparece entre os bairros com menor preço médio listado, com R$ 6.518/m².
O ranking dos bairros com os maiores preços por metro quadrado em Fortaleza é liderado por Meireles, Aldeota, Engenheiro Luciano Cavalcante, Centro e Manuel Dias Branco.
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Fortaleza no contexto do Nordeste
Na comparação regional, Fortaleza ocupa posição de destaque. A capital cearense possui o segundo metro quadrado mais caro do Nordeste, ficando atrás apenas de Maceió.
Ranking regional – preço médio do metro quadrado (dezembro/2025):
- Maceió (AL): R$ 9.836/m²
- Fortaleza (CE): R$ 8.963/m²
- São Luís (MA): R$ 8.617/m²
- Recife (PE): R$ 8.446/m²
- Salvador (BA): R$ 7.972/m²
- João Pessoa (PB): R$ 7.970/m²
- Natal (RN): R$ 6.146/m²
- Teresina (PI): R$ 5.789/m²
- Aracaju (SE): R$ 5.282/m²
Apesar do forte desempenho, Fortaleza não liderou a valorização anual na região. Salvador (+16,25%) e João Pessoa (+15,15%) registraram as maiores altas em 2025, figurando entre os principais crescimentos do Nordeste e também do País.
Ciclos do mercado imobiliário em Fortaleza
A série histórica do FipeZAP mostra que o mercado imobiliário de Fortaleza passou por diferentes ciclos ao longo dos últimos anos.
Entre 2011 e 2013, a cidade viveu um período de forte valorização, com altas de dois dígitos, alcançando picos de 18,43% em 2011 e 14,10% em 2013.
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Já no período entre 2017 e 2019, o mercado enfrentou retração, com quedas nominais nos preços. As variações foram negativas em 2017 (-3,35%), 2018 (-2,25%) e atingiram o ponto mais baixo em 2019 (-8,07%).
A partir de 2021, os preços voltaram a subir consistentemente, marcando uma fase de recuperação e aceleração.
O movimento ganhou ainda mais força nos últimos dois anos, com a valorização passando de 11,49% em 2024 para 12,61% em 2025, reforçando o atual ciclo de alta do mercado imobiliário na capital cearense.