Diversidade de público e música gera 'caldeirão' no Mercado dos Pinhões

Diversidade de público e música gera 'caldeirão' no Mercado dos Pinhões

Entre fantasias e leques, multidão aproveitou trilha sonora tão diversa quanto o público que ocupava a praça. Festa antecedeu último dia de Carnaval

“Carnaval representa liberdade, onde todos podem estar com suas tribos, do jeito que quiserem. E isso se transforma nesse caldeirão”, disse Fernanda Luna e apontou para a multidão que preenchia o Mercado dos Pinhões, em Fortaleza, nesta segunda-feira, 16, 4º dia de Carnaval na Capital.

A professora de 49 anos era uma das dezenas de pessoas fantasiadas ou minimamente enfeitadas para aproveitar a programação. Ao lado de um grupo de amigas que se conhecem “há mais de 40 anos”, Fernanda era uma das personagens que personificam emoções no filme “Divertidamente 2”.

“É interessante, pois caracteriza a personalidade de cada uma”, explicou a fortalezense sobre a escolha da fantasia. “Tem a mais zangada, aquela que é a mais introvertida. Tem a Nojinho, que é chatinha, né?”, brincou. “Então, a gente acha que encaixou muito bem na diversidade que é a nossa amizade”.

Diversidade, para ela, é também o que representa o rolê carnavalesco, pois é no bloquinho “onde todos podem estar com suas tribos, do jeito que quiser, com quem quiser, na hora que quiser. Isso deixa a gente muito feliz. E se transforma nesse caldeirão que é o Carnaval, todas as tribos, todo mundo feliz e livre”.

"Acredito que a criatividade do cearense, e o humor que está no nosso sangue, transforma qualquer lugar em Carnaval"

Fernanda Luna, 49, professora de Gastronomia

'Com Carnaval, a gente se rejuvenesce'

Muitas foram as fantasias avistadas no Mercado dos Pinhões, inclusive a 4ª homenagem de Joelcio Alves a icônicas matriarcas da ficção. Após se vestir de Vovó de "Looney Tunes" e Muriel, o folião encarnou a Dona Florida, do seriado "Chaves". Veja outras fantasias:

Quem chegou cedo no bloco — cuja programação foi iniciada pela discotecagem do projeto Que Extrago! — pôde se despedir do Sol. A luz apontava diretamente para o espaço em frente ao palco, então o público protegeu os olhos e se concentrou no lado direito da praça.

Todo o espaço do mercado foi eventualmente preenchido, inclusive os corredores laterais. Não houve mela-mela, goma ou espuma, mas havia na bando um elemento recorrente: os leques. Eles não só enfeitavam a galera, mas também possibilitavam interatividade entre público e artistas.

A trilha sonora, inclusive, foi tão diversa quanto o público: apresentou uma espécie de “retomada” cultural, com músicas mais antigas e marcantes da história brasileira, desde “Ragatanga (Asereje)” até “Freak Le Boom Boom”, além de clássicos números de Carnaval e axé, que não podem faltar.

No vídeo a seguir, confira alguns registros da festa:

 

Uma dupla que chamava atenção na multidão era João Brasil e Tereza Marli, ambos de 71 anos. Com uma cadeira reclinável na mão, eles contaram que estão casados há 46 anos e têm o costume de curtir o Carnaval juntos.

“É uma maneira de viver melhor. Com essa energia de Carnaval, a gente se rejuvenesce”, explicou o marido. “A gente vem um dia sim e outro não”.

“O que traz a gente para a rua é energia”, continuou ele. “Amor por ela, e energia”, complementou, sorrindo ao olhar para Tereza. “E eu gosto muito de sair também, gosto de participar”, cravou ela.

“Ela é ruaceira e é cachaceira também”, brincou João.

O sentimento de parceria também estava visível na família de Juliana Araújo, 34, que estava com o marido e o filho, todos fantasiados de Flintstones. Este foi o segundo dia de folia dos três. “É mais para não ficar dentro de casa, mesmo. Ontem fomos para a Gentilândia, hoje estamos aqui”.

A comerciante contou que eles geralmente não se fantasiam, mas ela foi influenciada por sua irmã: “Ela quis que eu fizesse para ela [uma fantasia], e aí fiz para mim também. Eu nunca tinha me fantasiado”

“Todo ano ele [o marido] queria se fantasiar de alguma coisa, mas eu nunca fiz, nunca tive o ânimo”, complementou. “Mas neste ano o ânimo foi maior”.

"Carnaval é a alegria de muita gente junta, não só a minha, uma felicidade de só estar perto"

Juliana Araújo, 34, comerciante

'Tudo no Carnaval gera felicidade'

Por cima da multidão no Mercado dos Pinhões, um globo espelhado brilhava. Ele integrava um estandarte elaborado para divulgar a festa Kikiki e marcar presença no Carnaval de Fortaleza. Desde a sexta-feira, os criadores do projeto visitam os polos com a peça.

 

Caio Citó e Vitor Furtado são os organizadores da Kikiki, que nasceu, segundo Caio, “a partir da vontade de encontrar nossos amigos ouvindo música pop e a gente tava sentindo falta disso em Fortaleza”.

“O pop que a gente gosta: Madonna, Kylie Minogue, Lady Gaga… e aí a gente, sempre em festa, levamos globo de espelho para a praça, caixa de som e cooler de bebidas, e chamamos uns amigos”, contou o psicólogo.

A festa soma algumas edições realizadas, inclusive no Pinhões. “E para sair no Carnaval, a gente decidiu fazer um estandarte, um bloquinho, um ‘blokikikinho’, e aí curtir com os amigos também na praça, remontando a origem. A mascote [da festa] é uma rata, um cassaco, então é essa coisa urbana, suja mesmo”.

Na visão de Caio, os espaços elaborados na Cidade em época carnavalesca são “lugares de encontro”, pois “todo mundo está no meio da rua, com pouca roupa. Aqui tem quem não tem nada e quem tem muita coisa. Todo mundo se encontrando e trocando ideias e dançando junto”.

Estar em lugar público com dezenas de outros foliões também é um ponto de destaque para Gabriela Vidal, que estava fantasiada como a peça que troca cores no jogo Uno. Segundo ela, “tudo no Carnaval gera felicidade”.

“Poder estar na rua com um monte de gente, ser livre, vestir o que quer, ouvir música boa e ver todo mundo na mesma energia”, enumerou a fortalezense. “A gente vive um pouco mais sem julgamentos nessa época. Tem uma libertação. E pregar um glitter, colocar uma fantasia… melhor coisa”.

Gabriela explicou que anualmente seu grupo de amigos combina fantasia, “e tem que ser algo que faça sentido para a gente enquanto grupo”. Neste ano, decidiram ir por um caminho popular: um jogo que todos conhecem.

“Eu escolhi a carta que troca a cor porque eu sou todas as cores”, comentou ela. “Meu noivo é o bloqueio, porque ele é só comigo, né? Não pode ficar passando de mão em mão”, brincou. “E aí um casal veio de ‘mais dois’. E a única que veio sozinha, levou falta, veio de ‘mais quatro’”.

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