Memória do maracatu acompanha desfiles na Domingos Olímpio

Personagem histórica do maracatu acompanha desfiles na Domingos Olímpio

Três blocos já passaram pela avenida; programação segue ao longo da noite com novas apresentações. Primeira rainha do maracatu compareceu

Três blocos já passaram pela avenida Domingos Olímpio no terceiro dia de desfiles das agremiações carnavalescas de Fortaleza.

O destaque da noite foi a presença de personagem histórica do maracatu, a primeira rainha, acompanhando as apresentações com a família e relembrando as histórias de Carnaval.

Até o momento, apresentaram-se os blocos Prova de Fogo, Unidos da Vila e Doido é Tu. A programação segue na noite desta segunda-feira, 16 de fevereiro, com a entrada do bloco Garotos do Benfica.

A movimentação no entorno da Domingos Olímpio reúne brincantes, familiares e espectadores que acompanham os desfiles tradicionais do Carnaval fortalezense, muitos deles com histórias ligadas às agremiações que passam pela avenida.

Primeira rainha de maracatu de Fortaleza acompanha desfiles

Entre o público está Eulina Moura, 75, figura histórica do maracatu na Capital. Ela foi a primeira mulher a ocupar o posto de rainha de maracatu em Fortaleza, em um período em que o papel era tradicionalmente exercido por homens, devido ao peso das fantasias.

“Fui a primeira rainha mulher dos maracatus de Fortaleza. Isso ficou registrado na Prefeitura”, afirmou.

Eulina conta que desfilou inicialmente no maracatu São Verdesmar, que já não existe, e depois no maracatu São Balbino. A trajetória como rainha terminou no ano 2000. Desde 2001, ela não desfila mais e passou a acompanhar os desfiles apenas como espectadora, ao lado da família.

A relação com o Carnaval, segundo ela, vem de berço. “Minha mãe bordava fantasias de maracatus antigos, como Ar de Ouro e Leão Coroado. Eu fui criada praticamente dentro do Carnaval”, relembra. Hoje, parte da família ainda dança na avenida, enquanto outros acompanham a festa apenas como público. “A gente vem mais para assistir e brincar em família mesmo”, disse.

Apesar da ligação afetiva com os desfiles, Eulina fez críticas à organização do evento neste ano. Segundo ela, houve problemas como falta de som em alguns trechos da avenida e atraso na entrega de credenciais para presidentes das agremiações.

“Achei muito desorganizado. Muita gente trabalhando na avenida, mas faltou organização. As credenciais foram entregues na última hora, sem licença para circular antes”, reclamou.

Secretaria acompanha horários e logística das agremiações

Presente na Domingos Olímpio desde o início da tarde, a gerente da célula de patrimônio imaterial da Secultfor, Graça Martins, 69, detalhou o trabalho de acompanhamento e organização realizado durante os desfiles carnavalescos.

Segundo ela, o Carnaval na Domingos Olímpio chega ao 29º ano consecutivo, após ter passado por outras avenidas da Capital. Graça acompanha os desfiles há 14 anos.

Entre as atribuições da equipe estão a recepção das agremiações, o controle dos horários de entrada, o acompanhamento dos jurados nas cabines e a articulação com forças de segurança sempre que necessário. “Estamos aqui desde as 14 horas, antes mesmo do fechamento das ruas”, afirmou.

Graça também destacou ações de controle de público, como a contagem e o fechamento de arquibancadas ao atingir a capacidade máxima, medida que já foi necessária em dias anteriores.

No campo da acessibilidade, a gerente ressaltou a ampliação da estrutura para pessoas com deficiência (PCD). Neste ano, há dois espaços específicos para PCDs ao longo da avenida, além de banheiros adaptados em todas as baterias sanitárias instaladas atrás das arquibancadas. Também há intérpretes de Libras acompanhando as apresentações das agremiações.

Sobre a movimentação do público, a expectativa é de lotação. “Ainda não chegamos à metade dos desfiles e já tem muita gente nas grades. Hoje não vai caber”, afirmou. A presença de shows musicais ao fim da programação deve intensificar ainda mais o fluxo de pessoas.

Questionada sobre a preocupação das escolas e blocos com o espaço de concentração após a inversão do sentido do desfile, Graça afirmou que, na prática, a área ficou maior.

“O espaço não diminuiu. Ele foi dividido e ampliado, com concentração também na Marechal Deodoro. Hoje, as agremiações têm mais área para se organizar”, concluiu.

A secretária da Cultura esteve presente na avenida, mas não concedeu entrevista.

Expectativa de público maior com shows até 2h

O coordenador da Célula de Patrimônio Histórico e Cultural da Secultfor, Diego Amora, afirmou que a avaliação da movimentação nos três dias de programação tem sido positiva na Domingos Olímpio.

Segundo ele, sábado e domingo registraram público dentro da expectativa, especialmente durante os cortejos de maracatu, que já contam com frequentadores cativos, moradores do entorno e admiradores da tradição. Para esta noite, a previsão é de fluxo ainda maior.

“A ideia é que o público lote as arquibancadas para acompanhar o cortejo e, depois, permaneça para os shows no palco, que seguem até 2 horas da manhã”, afirmou.

A programação musical inclui apresentações de Jorge Aragão e Samya Caceras. De acordo com Diego, a estratégia da Prefeitura é transformar a Domingos Olímpio no polo com programação mais extensa da madrugada, atraindo também foliões de outras regiões da Cidade.

Como os demais polos carnavalescos encerram as atividades mais cedo, a expectativa é que o público que estiver em outros pontos como Mercadinho São Sebastião e Benfica, migre para a Domingos Olímpio no fim da noite, concentrando maior movimentação para os shows.

Além da programação cultural, o coordenador reforçou que a edição deste ano mantém e amplia ações de acessibilidade. Há intérpretes de Libras nos carros de som, áreas reservadas para pessoas com deficiência (PCD) e banheiros adaptados distribuídos ao longo da estrutura.

Diego também destacou que parte das agremiações incorporou em seus enredos a celebração dos 300 anos de Fortaleza, propondo reflexões sobre a diversidade cultural e os diferentes territórios que compõem a Capital.

Fantasias levam personagens infantis para a avenida

Entre o público que acompanha a programação na Domingos Olímpio, o pedagogo Alex de Araújo, 38, chamou atenção ao surgir fantasiado de Visconde de Sabugosa ao lado da filha, Tessália de Araújo, 5, vestida de Emília.

Segundo ele, a escolha faz parte de uma tradição recente da família. “Todo dia a gente vem com uma fantasia diferente, de personagens que ela gosta. Desde pequena ela gosta de Carnaval, e eu também”, contou.

Alex afirmou que a presença na Domingos Olímpio já virou compromisso anual. Após o período de restrições da pandemia, pai e filha participaram da programação no ano passado e decidiram repetir a experiência neste ano.

Para ele, além da festa, o diferencial da avenida está no conteúdo cultural apresentado pelas agremiações. “Os blocos são maravilhosos. Eles contam histórias, falam da realidade das periferias. Não é só festa pela festa, sempre tem representatividade”, avaliou.

Cadeirante acompanha desfile pela primeira vez em espaço reservado

Morador da região há cerca de 30 anos, o aposentado Mauri da Silva Gomes, 62, acompanha os desfiles na Domingos Olímpio desde que a programação passou a ser realizada na via.

Neste ano, porém, a experiência tem um significado diferente: é a primeira vez que ele assiste às apresentações no espaço reservado para pessoas com deficiência (PCD).

Cadeirante, Mauri relata que, em edições anteriores, precisava acompanhar o cortejo em meio ao público geral, enfrentando empurra-empurra e dificuldades de visibilidade. “Ficava muito aperto. Aqui é mais tranquilo e dá para ver melhor os blocos”, afirmou.

Segundo ele, a área exclusiva representa mais conforto e segurança para quem tem mobilidade reduzida. “Agora ficou melhor para visualizar. Antes era mais complicado”, disse.

O espaço para PCDs integra a estrutura de acessibilidade montada ao longo da avenida neste ano, com áreas reservadas e banheiros adaptados distribuídos próximo às arquibancadas.

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