Choró, Potiretama e Senador Sá podem ter eleições suplementares em 1° de março
Na próxima semana, Tribunal Regional Eleitoral do Ceará deve definir data para novos pleitos após as cassações de prefeitos e vices eleitos em 2024
O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) deve definir, na próxima segunda-feira, 12, a data para a realização de três eleições suplementares em municípios cearenses. A expectativa é que Choró, Potiretama e Senador Sá realizem o novo pleito no dia 1º de março.
O pleno do TRE-CE deve deliberar sobre a data, a partir de uma sugestão técnica para que as eleições ocorram simultaneamente no primeiro dia de março. Após a definição, o calendário ainda precisará ser homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em outubro de 2025, o Ceará realizou eleição suplementar em Santa Quitéria, que culminou na vitória de Joel Barroso (PSB), filho do ex-prefeito Braguinha (PSB), cassado anteriormente em processo que resultou na convocação de novo sufrágio.
Choró: prefeito eleito em 2024 continua foragido
Choró deverá passar por nova eleição após a cassação do registro de candidatura do prefeito eleito Bebeto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró (PSB), e de seu vice, Bruno Jucá (PRD).
Em 22 de novembro de 2024, Bebeto foi alvo da operação Ad Manus, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), que apurou possíveis fraudes em contratos de abastecimento de combustível da Prefeitura. À época, o então prefeito Marcondes Jucá (PT) foi preso e afastado do cargo.
Bebeto Queiroz, sucessor eleito, teve mandado de prisão expedido, apresentou-se à Polícia Civil e foi preso na Delegacia de Capturas (Decap) no sábado seguinte, 23 de novembro. Ele permaneceu detido por dez dias, até o término do prazo da prisão temporária.
Em 3 de dezembro, ele publicou nota nas redes sociais afirmando ter “total inocência e disposição aos órgãos da Justiça” e dizendo querer “esclarecer para a sociedade sua total isenção”.
Dois dias depois, em 5 de dezembro de 2024, Bebeto tornou-se alvo de nova operação, a Vis Occulta, do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal, com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Desde então, ele encontra-se foragido.
O inquérito contra Bebeto Queiroz tramita atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF), após menção à participação de pessoas com prerrogativa de foro, como o deputado federal Júnior Mano (PSB). O caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes e corre em segredo de Justiça.
A investigação no STF integra um conjunto mais amplo de apurações, mas tem foco criminal, analisando condutas que podem configurar infrações penais relacionadas ao período eleitoral. Paralelamente, há outras frentes jurídicas em andamento, conduzidas por diferentes instituições.
Segundo a Polícia Federal, as apurações envolvem suspeitas como compra de votos, fraudes em licitações, influência sobre órgãos de segurança, possíveis vínculos com facções criminosas, ameaças e tentativa de homicídio.
Bebeto do Choró está foragido há mais de um ano em razão de investigação da PF que apura suposta compra de votos e um esquema envolvendo mais de 51 prefeituras, com lavagem de dinheiro de emendas parlamentares. Ao O POVO, a ex-prefeita Rozário Ximenes afirmou suspeitar que a demora em capturá-lo seja proposital, pois isso “derruba muita gente que ele ajudou”.
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Além dos processos ligados às eleições de 2024, Bebeto foi abordado em 2020 pela Polícia Rodoviária Estadual, quando foram apreendidos uma pistola e um revólver com numeração raspada no banco do passageiro de seu veículo. Em janeiro deste ano, a Justiça do Ceará rejeitou recurso que tentava anular as provas, mantendo condenação a três anos de reclusão, em regime aberto, por posse ilegal de arma de fogo.
Senador Sá: cavalgada, cassação e eleições remarcadas
A eleição suplementar em Senador Sá definirá os substitutos do prefeito Bel Júnior (PP) e da vice-prefeita Professora Maria (PP), cassados em novembro de 2025 por irregularidades em evento durante a campanha de 2024.
O TRE-CE já havia determinado anteriormente a cassação da chapa e a realização de nova eleição. Em junho de 2025, contudo, o Tribunal Superior Eleitoral suspendeu liminarmente o pleito, que estava marcado para julho, e manteve Bel no cargo.
A cassação ocorreu em duas instâncias e foi motivada por irregularidades apontadas pela Justiça Eleitoral em evento denominado “Cavalgada do Bel”, considerado showmício e com distribuição de itens custeados com recursos públicos.
Nas redes sociais, Bel Júnior afirmou que recorreria novamente ao TSE. “Não houve compra de votos. Foi apenas uma cavalgada da qual participamos, tradição que já existe há cinco anos. Senador Sá realiza cavalgadas há muitos anos”, declarou. O prefeito acrescentou que tem “a consciência tranquila” e que seguirá buscando reverter a decisão no TSE. “Se precisar haver novas eleições, o povo de Senador Sá escolherá novamente um amigo de Bel Júnior”, disse.
Além da cassação, Bel Júnior foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral estadual. A relatora do caso no TSE, ministra Isabel Gallotti, manteve esse ponto da decisão.
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Potiretama: abuso de poder e prisão
Potiretama deverá realizar nova eleição após a cassação do prefeito Luan Dantas (PP) e da vice-prefeita Solange Capelo (PT), acusados de abuso de poder político, uso indevido dos meios de comunicação e prática de conduta vedada.
Em junho de 2025, o TRE-CE determinou a cassação dos mandatos. Em outubro, o próprio Tribunal rejeitou, por unanimidade, os embargos apresentados pela defesa. Com isso, a decisão foi mantida e Luan Dantas tornou-se inelegível por oito anos.
De acordo com o TRE-CE, Luan e Solange publicaram conteúdos em redes sociais divulgando ações da Prefeitura de Potiretama, com enaltecimento de campanha e manutenção de propaganda institucional em período vedado. À época, o advogado Pedro Neto contestou a decisão, alegando que as publicações foram feitas em período permitido, mas permaneceram no ar porque a página institucional não foi desativada.
Ainda assim, os registros de candidatura foram cassados. Apenas Luan Dantas foi condenado à inelegibilidade. A decisão da desembargadora Maria Iraneide Moura Silva foi confirmada por sete votos a zero.
Luan Dantas está preso preventivamente desde abril, suspeito de ser o autor intelectual de um incêndio ocorrido em 31 de maio de 2024, no município vizinho de Alto Santo. Ainda em abril, a Justiça rejeitou acusação de envolvimento do prefeito com organização criminosa.
A vice-prefeita eleita, Solange Capelo, chegou a comandar o município de forma interina, mas acabou afastada após a cassação da chapa em outro processo.
Em novembro, a Câmara Municipal de Potiretama cassou o mandato de Luan Dantas em sessão extraordinária. Com a declaração de vacância do cargo, o então presidente da Câmara, Cleverlândio Pereira (PP), assumiu como prefeito interino. O vereador Roberto Holanda (PP), que presidiu a sessão, foi declarado presidente interino do Legislativo municipal.