Inflação em Fortaleza desacelera e fecha 2025 abaixo da média nacional
A inflação na capital cearense encerrou 2025 em 4,06%, abaixo da média nacional, puxada pelo alívio nos alimentos e queda nos combustíveis
13:28 | Jan. 09, 2026
A inflação oficial na Grande Fortaleza encerrou 2025 em desaceleração, com desempenho melhor do que o registrado no ano anterior e também abaixo da média nacional, puxada principalmente pelo alívio nos preços dos alimentos e pela queda dos combustíveis.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgado nesta sexta-feira, 9, evidencia que a capital cearense acumulou alta de 4,06% no ano, inferior aos 4,92% de 2024.
Em dezembro, a variação mensal foi de 0,17%, quase a metade do índice nacional no mesmo período (0,33%). Fortaleza responde por 3,23% do peso do IPCA nacional.
Apesar da desaceleração no último mês do ano, dezembro concentrou o maior índice acumulado entre todos os meses de 2025. Ainda assim, o resultado do período foi o menor desde 2021, considerando iguais meses de anos anteriores, conforme a série histórica do IBGE.
O mesmo movimento de arrefecimento foi observado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice que mede o custo de vida das famílias com renda de um a cinco salários mínimos.
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O indicador fechou 2025 com alta de 4,05%, abaixo dos 4,76% registrados em 2024, após variação mensal de 0,14% em dezembro. No cálculo nacional do INPC, Fortaleza tem peso maior, de 5,16%.
Entre os grupos que mais pressionaram a inflação local, habitação teve alta acumulada de 5,81%, impulsionada principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 4,90% no ano, após deflação em 2024.
Em dezembro, porém, a energia apresentou queda de -2,43%, aliviando o índice mensal. Também pesou o reajuste de 9,75% na taxa de água e esgoto, em vigor desde novembro.
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O grupo transportes acumulou alta moderada de 1,57%, influenciado pela deflação dos combustíveis (-1,62% no ano).
A gasolina caiu 1,48% e o óleo diesel recuou 6,11%, embora o transporte público tenha subido 3,59%. Já os combustíveis registraram queda de 0,81% em dezembro, ajudando a conter a inflação no fim do ano.
Alimentação e Bebidas na inflação
Em alimentação e bebidas, o acumulado foi de 3,04%, com forte contraste entre itens. Esse é o menor resultado da série histórica do grupo para os meses de dezembro, desde 2020, desconsiderando dezembro de 2023, quando havia registrado 1,11%.
No grupo, houve forte contraste entre os itens. A alimentação fora do domicílio registrou alta de 6,94%, o maior resultado da série histórica para os meses de dezembro desde 2020, exceto em 2021, quando atingiu 7,56%.
O indicador vem em trajetória de crescimento desde 2022. Também tiveram altas expressivas bebidas e infusões (21,29%) e hortaliças e verduras (11,65%).
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Por outro lado, produtos básicos apresentaram quedas relevantes, como cereais, leguminosas e oleaginosas (-24,34%), arroz (-27,47%), laranja-pera (-39,16%), batata-inglesa (-19,10%), feijão-macáçar (-14,79%), farinha de mandioca (-10,59%) e alho (-9,36%).
Entre os itens com maior alta acumulada em 2025, destacam-se em ordem crescente:
- Transporte por aplicativo (49,29%)
- Café moído (43,05%)
- Cebola (34,28%)
- Chocolate e achocolatado em pó (26,66%)
- Manga (23,18%)
- Chocolate em barra e bombom (22,52%)
- Bebidas e infusões (21,29%)
- Joias (20,18%)
- Mamão (19,32%)
Já entre os principais recuos de preços no ano, aparecem:
- Laranja-pera (-39,16%)
- Arroz (-27,47%)
- Cereais, leguminosas e oleaginosas (-24,34%)
- Batata-inglesa (-19,10%)
- Feijão-macáçar (-14,79%)
- Peixe palombeta (-11,43%)
- Farinha de mandioca (-10,59%)
- Utensílios de metal (-9,63%)
- Ventilador (-9,51%)
- Alho (-9,36%)
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Outros grupos também tiveram impacto importante no orçamento das famílias. Saúde e cuidados pessoais subiu 7,12%, puxado por produtos óticos, higiene pessoal e serviços médicos, além do reajuste de 6,35% nos planos de saúde.
Educação acumulou alta de 6,28%, com destaque para cursos regulares e diversos. Despesas pessoais avançou 6,60%, enquanto comunicação teve a menor variação do ano (0,03%).
No comparativo regional, Fortaleza fechou 2025 com inflação inferior à média brasileira e a outras capitais, como Vitória (4,99%) e São Paulo (4,78%), indicando um custo de vida relativamente mais controlado ao longo do ano.
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Inflação no cenário nacional e avaliação de especialistas
No Brasil, o IPCA fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta de inflação de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em dezembro, o índice subiu 0,33%.
Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, o resultado confirma o cumprimento do principal objetivo da política monetária no ano, mas mantém desafios no horizonte.
Para ele, a inflação segue pressionada pelo setor de serviços, que avançou 0,70% em dezembro, com destaque para a alta de 12,6% nas passagens aéreas.
Os produtos industriais também contribuíram para o índice, com elevação de 0,48%, puxados por artigos de vestuário e de residência.
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Por outro lado, Serrano ressalta que alimentação no domicílio e preços administrados ajudaram a conter a inflação no fim do ano.
O primeiro grupo subiu apenas 0,14%, enquanto o segundo registrou queda de 0,22%, influenciado principalmente pela redução de -2,4% na energia elétrica, após a mudança da bandeira tarifária para amarela em dezembro.
Na avaliação do economista, o cenário inflacionário brasileiro permanece marcado por serviços pressionados e bens sob controle, justificando a manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo.
A expectativa do Banco BMG é que o ciclo de alívio monetário tenha início apenas em março, com o Banco Central ainda focado em conduzir a inflação para mais perto da meta de 3%.