Após reajuste de 20%, Fortaleza fica entre as passagens de ônibus mais caras do Brasil
Alta de R$ 4,50 para R$ 5,40 foi a maior variação entre as capitais do País entre 2025 e 2026. Média de aumento das demais capitais foi de 7,6%. Fortaleza sobe três posições e chega ao sétimo maior valor da passagem do Brasil em meio à crise de qualidade do serviço
O aumento de 20% no valor da tarifa de ônibus em Fortaleza foi a maior do País dentre as dez principais capitais. O valor passou de R$ 4,50 para R$ 5,40, superando as passagens cobradas em Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro e São Paulo e se tornando a sétima maior do Brasil.
Desde a última semana, uma série de aumentos de tarifas foram anunciadas país afora, mas nenhum deles chegou próximo da atualização observada na Capital. Neste momento, apenas cinco capitais possuem custos mais elevados aos usuários: Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Salvador (BA) e Brasília (DF).
O reajuste médio das oito principais capitais brasileiras que elevaram valores foi de 7,6%. Além da capital cearense, o maior aumento ficou por conta de Florianópolis (SC), em que o valor da passagem de ônibus paga via QR Code Pix sofreu acréscimo de 80 centavos e alcança R$ 7,70. Já quem paga com o "Cartão do Cidadão" absorveu aumento de R$ 5,90 para R$ 6,20, consolidando a capital catarinense como a mais cara no transporte coletivo.
Em Fortaleza, o aumento ocorre pela primeira vez desde o fim de 2022. Mas, no histórico recente, uma sequência de altas pode ser observada.
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Em 2012, quando foi lançado o novo contrato de concessão do serviço de transporte público, Fortaleza tinha a menor tarifa entre as capitais, custando R$ 2. Desde então, o valor subiu nos anos de 2015 (duas vezes), 2017, 2019 e 2023, alcançando valores de R$ 2,40 e R$ 2,75, depois R$ 3,20, R$ 3,40 e R$ 3,60, respectivamente.
Para dar um cenário parecido com o da capital cearense, de longo período sem aumento da tarifa, no reajuste de São Paulo, a prefeitura argumentou que esse é apenas o segundo aumento desde 2020 (o anterior havia sido de 13,6% para chegar aos R$ 5), enquanto a inflação no período somou 40,3%.
"A correção atual para R$ 5,30 fica menos da metade do valor inflacionário desses cinco anos", diz em comunicado. Ainda conforme a gestão paulistana, sem o subsídio pago pela Prefeitura às empresas de ônibus, a tarifa seria de R$ 11,78.
Na capital cearense, a tarifa técnica (sem subsídio) seria de quase R$ 7,30 e a recomposição do valor da tarifa a partir de 2026 permite à Prefeitura continuar com o repasse em subsídio de aproximadamente R$ 16 milhões para as empresas de ônibus e o transporte alternativo. Também foi acordado que o Governo do Estado também ampliaria o benefício fiscal de ICMS sobre o diesel utilizado pelas empresas a partir deste ano.
Em meio ao cenário, George Dantas, presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), que é o braço da Prefeitura para a área de transportes, explica que, mesmo com períodos de congelamento da passagem (entre 2019 e 2023 e de 2023 a 2025), não foi feito um reequilíbrio do sistema, faltando financiamento mais robusto, o que tornou o serviço deficitário.
"Falando do histórico de Fortaleza, o que aconteceu é que, nos últimos 3 anos, a Prefeitura havia optado por manter a tarifa pagando um subsídio inferior ao necessário e o sistema se sustentou piorando o serviço. Foram tirados ônibus, algumas linhas foram extintas e as que permaneceram reduziu-se a frequência. Estabeleceu aí um ciclo vicioso: não aumenta tarifa, mas piora o serviço".
Ele reconhece falhas, queda na operação nos últimos anos. Mas destaca que, apesar do aumento da passagem inteira para 2026, apenas 9% pagam o bilhete, sendo a maioria (mais de 60%) usuários com vale-transporte e o restante passageiros subsidiados, como estudantes e gratuidades (24%).
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O presidente da Etufor ainda compara que Fortaleza, diferente de Porto Alegre (RS), apesar de passagem mais cara, possui um sistema de bilhete único universal, que permite múltiplas integrações em um período de duas horas, o que não é possível para os gaúchos que convivem com sistema que oferece apenas descontos quando houver integrações.
Para o futuro, o desafio é conseguir agradar à minoria de passageiro que ainda paga a passagem inteira (que é a parcela que tem evitado o transporte público e recorrido aos apps, por exemplo), renovando a frota, implementando mais soluções tecnológicas (como a previsão de chegada do ônibus e topics nas paradas) e novas fontes de financiamento.
George diz que a gestão resolveu mudar o rumo para "romper" o ciclo vicioso. "O que significa o aumento? Significa continuar com as gratuidades. Em São Paulo, por exemplo, não existe passe livre estudantil. O aumento também está vinculado a alguns benefícios, como a renovação de frota, em pelo menos 120 ônibus com ar-condicionado neste ano", detalha.
Aumentos de tarifas de ônibus nas principais capitais brasileiras para 2026
- Florianópolis (SC): De R$ 6,90 para R$ 7,70 (+12%)
- Belo Horizonte (MG): De R$ 5,75 para R$ 6,25 (+8,6%)
- Curitiba (PR): R$ 6 (não reajustou)
- Salvador (BA): De R$ 5,60 para R$ 5,90 (+5,3%)
- Brasília (DF): R$ 5,50 (não reajustou)
- Boa Vista (RR): R$ 5,50 (não reajustou)
- Fortaleza (CE): De R$ 4,50 para R$ 5,40 (+20%)
- São Paulo (SP): De R$ 5 para R$ 5,30 (+6%)
- Rio de Janeiro (RJ): De R$ 4,70 para R$ 5 (+6,3%)
- Porto Alegre (RS): R$ 5 (reajuste deve ocorrer em março)
- Recife (PE): R$ 4,30 nos Anéis A e B (não reajustou)
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