Quixeramobim: Ceará realiza a 1ª captação de pulmão no Interior

Ceará realiza a 1ª captação de pulmão no interior do Estado, em Quixeramobim

O procedimento foi realizado no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), na terça-feira, 20. Operação também captou dois rins destinados para transplante em Fortaleza
Atualizado às Autor Gabriele Félix Tipo Notícia

O Ceará realizou a primeira captação de pulmão no interior do Estado, desde a implantação do transplante pulmonar na rede pública estadual, em 2011.

O procedimento foi realizado nessa terça-feira, 20, no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim. Essa foi a primeira captação múltipla de órgãos realizada no Ceará em 2026.

 

 

De acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a captação contou com o trabalho de dez profissionais do HRSC, com a participação de quatro médicos e quatro profissionais da Enfermagem que integram a equipe da Central de Transplantes do Estado.

Durante o procedimento, dois rins também foram captados e destinados para transplante em Fortaleza. Duas aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) foram responsáveis por realizar o deslocamento das equipes médicas e dos órgãos dentro do tempo adequado para transplante.

Conforme a Sesa, a operação foi acompanhada pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) do HRSC, que atua na unidade desde 2019 e tem papel essencial na identificação de potenciais doadores e na articulação das equipes envolvidas.

A titular da Sesa, Tânia Mara Coelho, em matéria divulgada pela pasta, classificou a operação como um marco do avanço significativo na descentralização da alta complexidade em saúde, resultando no fortalecimento da rede estadual e da qualificação contínua dos hospitais regionais.

A secretária destacou ainda que o Ceará é um dos quatro estados brasileiros a realizarem o transplante de pulmão na rede pública de saúde. Classificado como um procedimento de alta complexidade, a ação também é feita nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

“A primeira captação desse órgão no interior é reflexo de um trabalho contínuo de territorialização do cuidado, com investimento na qualificação das equipes, na estrutura dos hospitais regionais e na logística integrada da rede”, afirma.

Ceará realizou 58 transplantes de pulmão desde a implantação do procedimento na rede pública estadual

Entre 2011 e 2025, o Estado realizou 58 transplantes de pulmão. O quantitativo colocou o Ceará na quarta colocação no ranking nacional deste tipo de procedimento.

Em relação ao histórico de transplantes de órgãos e tecidos no Ceará, o Estado realizou 2.097 transplantes em 2025. Somente no ano passado, o HRSC realizou a captação de 71 órgãos. Para o diretor-geral da unidade de saúde, Cristiano Rabelo, a ação demonstra que o hospital está preparado para atuar em procedimentos de alta complexidade e integrado à rede estadual de saúde.

“Uma captação dessa complexidade exige estrutura adequada, logística eficiente, protocolos bem definidos e, principalmente, equipes altamente comprometidas”, ressalta.

O cirurgião torácico e coordenador do Programa de Transplante Pulmonar do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), Israel Medeiros, participou da captação pulmonar dessa terça-feira, 20, e destacou que a ampliação do programa permitiu expandir as ações para além da Capital.

“Com o fortalecimento do Programa, passamos a viabilizar captações em outras cidades, garantindo mais oportunidades de transplante e salvando mais vidas”, defende.

Como se tornar um doador?

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, a retirada de órgãos só pode ser realizada após autorização familiar, mesmo que a pessoa tenha manifestado interesse de ser um doador ainda em vida. Não é necessário assinar um documento formal para se tornar doador de órgãos, apenas a autorização da família.

“Depois da confirmação da morte encefálica a família é entrevistada por uma equipe de profissionais de saúde, para informar sobre o processo de doação e transplantes e solicitar o consentimento para a doação”, destaca o Ministério.

A segunda etapa da entrevista consiste em uma investigação do histórico clínico do possível doador, para saber se os hábitos do doador podem levar ao desenvolvimento de possíveis doenças ou infecções que possam ser transmitidas ao receptor.

Doenças crônicas como diabetes, infecções ou mesmo uso de drogas injetáveis podem acabar comprometendo o órgão que seria doado, inviabilizando o transplante.

É possível doar órgãos e tecidos como coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, córneas, ossos e válvulas cardíacas, possibilitando que um único gesto beneficie diversos pacientes.

Os órgãos doados vão para pacientes que estão aguardando na lista de espera única, organizada por estado ou região, que é monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

 

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags

Os cookies nos ajudam a administrar este site. Ao usar nosso site, você concorda com nosso uso de cookies. Política de privacidade

Aceitar