Barragem do rio Cocó é tema de aula de campo
Vinte e cinco alunos do 6º ao 8º ano da Escola Municipal de Tempo Integral (EMTI) José Aroldo Cavalcante Mota tiveram aula especial nesta terça-feira, 14
"Quero saber sempre de poluição. Porque é o que mais acontece aqui. Tem queimadas, desmatamento e muito lixo", apontou Maria Giselly, 12, aluna do 7º ano, durante palestra sobre importância e necessidade da barragem do rio Cocó.
Aula de campo contou com a presença 25 estudantes do 6º ao 8º ano da Escola Municipal de Tempo Integral (EMTI) José Aroldo Cavalcante Mota, localizada no bairro Barroso, em Fortaleza, na manhã desta terça-feira, 14.
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Aula especial integra a Semana Municipal de Prevenção e Redução de Desastres promovida pela Defesa Civil da Capital.
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Represa, construída em 2017 para conter cheias e alagamentos, com aproximadamente cinco milhões de metros cúbicos de capacidade total, segue o modelo de contenção. Dessa forma, projeto serve para evitar desastres ao acumular água advindas de chuvas torrenciais para, em seguida, despejo.
Para chegar no terreno, discentes viram carnaúbas, lixo acumulado, vestígios de queimada e destroços de casas abandonadas pelo cenário da caatinga.
Conhecimentos de Jose Ramon e Eduardo Barbosa, técnicos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), foram empregados na ação.
"Essa barragem em si tem a particularidade que é bem rasa, diferente das outras mais profundas. É como um prato raso", explicou Ramon, em comparação com o rio Maranguapinho, próximo local a ser contemplado em visita educacional pela Semana nesta quarta-feira, 14.
EMTI Professora Maria José Ferreira Gomes, no bairro Parque Presidente Vargas, foi a escolhida.
De acordo com o engenheiro Eduardo, a estrutura não visa consumo humano, pois a água é bruta e não tratada, diferente da distribuição feita pela Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará (Cagece).
Segundo o coordenador da Defesa Civil do Município, tenente-coronel Haroldo, Ceará apresenta dois tipos de desastres: gradual (seca e estiagem) e súbito (origem natural e tecnológico).
"Nosso principal problema em Fortaleza é a questão do descarte (irregular) do lixo. Isso traz obstrução na frente, faz com que esses rios e canais rapidamente inundem", alerta.
Ao longo do percurso dos rios Maranguapinho e Cocó, há diversas residências em situação precária, com rede de esgoto ou canalização sendo despejada diretamente nesses corpos d'água.
Assim, para ele, é fundamental atuar em conjunto com outros órgãos, como Cagece, pastas ambientais, Governo e Prefeitura para realizar obras estruturais que levem drenagem e saneamento a essas áreas.
"Muitas dessas crianças podem morar em regiões periféricas, onde, muitas vezes, as casas são construídas de forma mais vulnerável, sem um sistema de esgoto adequado ou rede de drenagem. A própria rua onde essas crianças vivem pode não ter nenhum tipo de saneamento básico", alertou.
Opinião dos estudantes
"Eles estão muito empolgados, porque saiu da escola, já é assim, Ave Maria, um grande evento", assumiu previamente a professora de inglês Rita Matos, 30, responsável pela visita. Acompanhada dela, estavam duas monitoras escolares.
Para Maria, o aprendizado foi de que barragens ajudam com que água não ultrapasse nem alague comunidades.
Emely Santos, 11, discente do 6º ano, também destacou a mesma lição. Apesar da atenção, esqueceu o nome do vertedor do tipo labirinto. Material localiza-se na parte mais baixa da barragem, onde ocorre o sangramento controlado.
Para tornar dia mais lúdico, o guarda municipal Paulo Henrique, 38, trouxe o fantoche Bartolomeu, apesar da idade mais avançados dos alunos.
Saldo final foi positivo para a professora responsável.
"Eu achei que foi muito legal, de muito conhecimento para os meninos. Acredito que eles conseguiram entender porque que muitos moram na periferia. Então, vivem os alagamentos. É muito importante para eles", reforçou a docente Rita Matos.
Todo o trajeto foi acompanhado por agentes da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF).
"Pode ter certeza que uma criança tendo essa educação ambiental, chega em casa, e vendo um pai descartar um lixo de forma incorreta, ela vai saber que está errado", relatou o tenente-coronel Haroldo.
Momento compõe evento anual instituído por lei municipal em Fortaleza desde 2019. O encerramento se dará neste domingo, 19, com a realização de um passeio ciclístico, a partir das 6 horas, na sede da Defesa Municipal, no Centro.