Pesquisas apontam Nordeste e Ceará crescendo acima da média nacional
Com mercado interno aquecido, investimentos bilionários e protagonismo de pequenos negócios, levantamentos apontam que Região deve superar a média nacional, mesmo com desaceleração no Brasil
A economia do Nordeste e a do Ceará devem encerrar 2025 em crescimento superior à média nacional e manter ritmo de expansão em 2026.
A avaliação consta em projeções do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), do Banco do Brasil e especialistas do mercado, que apontam para uma combinação de fatores estruturais e conjunturais favoráveis à região.
Segundo o Boletim Macro do FGV Ibre, o Nordeste deve crescer cerca de 2,2% em 2025, desempenho semelhante ao nacional.
Já outras análises indicam um avanço ligeiramente superior: a expectativa é de alta de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) regional, ante crescimento estimado de 2,22% do Brasil.
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Para 2026, a tendência é de continuidade da expansão, ainda que em um ambiente de menor fôlego da economia brasileira.
No Ceará, o cenário é ainda mais positivo. Conforme a Resenha Regional de Assessoramento Econômico do Banco do Brasil, o PIB cearense deve crescer 3% em 2025.
Este aumento é impulsionado principalmente pelo dinamismo do mercado de trabalho e o fortalecimento do consumo interno e ambiente favorável aos negócios.
Investimentos estratégicos e inserção internacional
Parte desse desempenho está associada ao volume de investimentos anunciados para os próximos anos.
Em dezembro do ano passado, o Consórcio Nordeste — que reúne os nove estados da Região — divulgou uma carteira de R$ 113,1 bilhões em investimentos potenciais a serem aplicados em 2026.
Os recursos estão concentrados em áreas estratégicas como transição energética, economia digital, bioeconomia, infraestrutura e inovação industrial. O montante é 13 vezes superior à estimativa inicial, que era de R$ 10 bilhões.
Para especialistas, esses investimentos reforçam a inserção da Região em cadeias produtivas mais sofisticadas e contribuem para a diversificação da base econômica regional, reduzindo a dependência de setores tradicionais.
Pequenos e médios negócios puxam o crescimento
Outro fator central para a resiliência da economia nordestina é o protagonismo das micro, pequenas e médias empresas.
Do total de propostas aprovadas pelo Consórcio Nordeste, 74% são desse porte. De acordo com o Sebrae, esses empreendimentos respondem por 97,4% dos novos negócios abertos na região.
O acesso ao crédito tem sido decisivo nesse processo. Em 2025, a Central Sicredi Nordeste destinou mais de R$ 181 milhões em financiamentos para micro, pequenas e médias empresas apenas no Ceará.
“As projeções indicam um cenário de continuidade do crescimento econômico para o Nordeste em 2026, impulsionado por investimentos públicos e privados, maior acesso a crédito e avanços na geração de renda e empregos observados em 2025”, avalia Jussara Marques, analista de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi Nordeste.
Segundo ela, apesar da expectativa de crescimento moderado do PIB brasileiro em 2026 — entre 1,7% e 2% —, o Nordeste tem potencial para superar a média nacional em setores como serviços, indústria e agronegócio.
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Crescimento multifatorial e desafios estruturais
Para economistas escutados pelo Sicredi, a trajetória de crescimento da região é resultado de um conjunto de fatores.
Entre eles estão o mercado de trabalho aquecido, a disponibilidade de mão de obra, o avanço da indústria e do agronegócio e a expansão do setor de serviços em cidades de pequeno e médio porte, especialmente no interior dos estados.
Além disso, um levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) do Banco do Nordeste (BNB) aponta que mais de R$ 8 bilhões devem ser injetados na economia regional em 2026 com a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, válida a partir deste ano.
“Mesmo nesses períodos, a região continua ampliando sua participação na economia nacional e contribuindo para a redução das desigualdades regionais”, conclui Marques.