Com 368 animais, Cetas do Ceará decreta quarentena após detecção de poliomavírus

Com 368 animais, Cetas do Ceará decreta quarentena após detecção de poliomavírus

A unidade adotou isolamento sanitário por cerca de 90 dias. Durante o período, o acolhimento de animais silvestres no Ceará pode ser comprometido
Atualizado às Autor Lara Vieira Tipo Notícia

O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas) do Ceará, em Fortaleza, será temporariamente fechado para o recebimento de novos animais. A restrição ocorre após a detecção de um poliomavírus em dois papagaios-campeiros que estavam sob cuidados da unidade, conforme o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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Todos os animais mantidos no local passarão a cumprir isolamento sanitário a partir deste mês. A aplicação do protocolo, que prevê testagens periódicas das aves, tem duração estimada de cerca de 90 dias.

Os animais que apresentarem resultado positivo para o vírus serão submetidos à eutanásia, conforme as normas sanitárias. A cada 15 dias, são realizados novos testes para identificar possíveis casos. Caso não haja novos animais positivados, após três meses o Cetas poderá retomar o recebimento de aves.

O Cetas tem como objetivo a triagem, o tratamento e a reabilitação de animais silvestres resgatados de situações de risco, como maus-tratos, tráfico ilegal ou acidentes em áreas urbanas e rurais.

Após o processo de recuperação, quando possível, os animais deverão ser reintegrados ao seu habitat natural, seguindo critérios técnicos e ambientais. Atualmente, 368 animais estão sob os cuidados do Cetas-CE, dos quais cerca de 85% são aves.

85% dos animais sob os cuidados do Cetas são aves
85% dos animais sob os cuidados do Cetas são aves Crédito: Ibama-CE/Reprodução

O poliomavírus é uma doença que afeta principalmente psitacídeos, grupo que inclui araras, papagaios e periquitos, mas que também pode atingir outras espécies de aves. “Ele já existe em muitos países, mas é um vírus de origem predominantemente da região da Austrália. Com o processo de importação de aves para o Brasil, algumas vieram contaminadas”, detalha Alberto Klefasz, analista ambiental do Cetas-CE.

O vírus é considerado altamente contagioso, com sua contaminação ocorrendo principalmente pelo ar. A doença provoca deformações e queda das penas, descamação da pele e alterações no bico. Também pode causar problemas respiratórios, inflamações em órgãos e, em casos graves, levar à morte.

Os dois papagaios-campeiros infectados foram apreendidos em Fortaleza, em uma ocorrência de tráfico de animais silvestres. A ação foi realizada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) da Polícia Civil (PCCE).

As aves infectadas eram provenientes da Ilha de Marajó, no Pará. “Quando esses animais foram detectados com suspeita, eles já tinham sido transferidos para o Centro de Triagem do Ibama, em Goiânia. Lá foram feitos os testes, onde a doença foi confirmada”, explica Alberto Klefasz.

O vírus foi oficialmente detectado em outubro de 2025. “A partir do momento em que o vírus foi detectado e comunicado à Diretoria de Biodiversidade, que é responsável pelos Cetas no Brasil, ficamos aguardando esse protocolo, que chegou agora para a gente”, explica o analista.

Para o início da quarentena, ainda é necessário a aquisição de equipamentos de proteção biológica (macacões, máscaras, luvas e óculos), compra de insumos de limpeza, realização de testes e preparação das áreas de isolamento. “Acredito que, até o final do mês [janeiro], a gente consiga providenciar tudo e, a partir daí, iniciar a quarentena”.

Com o fechamento temporário do Cetas-CE, o recebimento de animais silvestres no Estado fica comprometido.

Durante o período de quarentena, apreensões e resgates no Ceará podem resultar em alternativas como a manutenção dos animais com os próprios infratores, na condição de fiel depositário; no envio para Cetas em outros estados ou para instituições parceiras, como o Instituto Biodiverse, no Crato.

Alberto Klefasz chama atenção para a falta de unidades de triagem no Ceará. “São ações de mitigação, mas a gente sabe que, na prática, existe uma defasagem. Atualmente, o Cetas de Fortaleza é um dos únicos. Isso é muito pouco para um estado como o Ceará, que, além de ter uma fauna bastante variada, ainda recebe muitos animais provenientes de outras regiões”, conclui.

Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres do Cariri deve ser entregue em maio de 2026

Atualmente está em construção o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) do Cariri. A unidade tem previsão de conclusão para maio de 2026, com investimento de R$ 11 milhões do Governo do Ceará.

A ordem de serviço para o início da construção foi assinada em 31 de outubro de 2024. O equipamento está sendo construído no Sítio Batateira, às margens da rodovia CE-292, no município do Crato.

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A região do Cariri foi escolhida para sediar o Cetras por ser uma região com alta concentração de unidades de conservação, como Chapada do Araripe, e grande demanda por resgate e reabilitação de animais, especialmente vítimas de atropelamentos.

Por fazer fronteira com outros estados, a área também é estratégica no combate ao tráfico de animais silvestres.

Atualmente, a construção está com cerca de 50% de execução, indica Maria Dias Cavalcante, assessora de planejamento na Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

Apesar de estar localizado no Cariri, o Centro terá abrangência estadual. “Podem vir animais de outras regiões do estado, que também serão atendidos. Nos Cetras de Fortaleza e os outros do Ibama, a média de atendimento é em torno de 2.500 animais por ano. Então, a gente está preparado para chegar a um quantitativo desse”, destaca Maria Dias Cavalcante. 

A estrutura será implantada em uma área total de 50 mil metros quadrados, com cerca de 3 mil metros quadrados de área construída. O espaço contará com diversos recintos específicos para diferentes espécies de animais, como aves, mamíferos e répteis, além de um laboratório, uma clínica veterinária especializada e o escritório regional da Semace no Crato

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