Choró, Potiretama e Senador Sá já têm pré-candidatos a prefeito para as eleições de 1º de março
Chapas serão oficializadas em convenções entre os dias 23 e 25 de janeiro; municípios cearenses terão novo pleito após cassação dos eleitos em 2024
15:50 | Jan. 15, 2026
Após a definição do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) sobre a realização de eleições suplementares em 1° de março de 2026, grupos políticos dos municípios cearenses de Choró, Potiretama e Senador Sá começam a articular a formação das chapas que concorrerão no pleito que se avizinha.
As convenções partidárias, que definirão oficialmente as chapas, devem ocorrer entre os dias 23 e 25 de janeiro, mas algumas definições já começam a ser tomadas de imediato. Veja, abaixo, os cenários de cada município.
Choró
A cidade pode ter uma disputa entre dois partidos da base do governador Elmano de Freitas (PT).
Prefeito interino do município distante 148 km de Fortaleza, o ex-presidente da Câmara Municipal, Paulo George (PSB), o Paulinho, anunciou a pré-candidatura ao cargo de prefeito, para concluir mandato até 2028. "Coloco meu nome à disposição para continuar trabalhando pela nossa cidade, com humildade, fé e muito compromisso", disse.
Paulinho é do mesmo partido de Bebeto Queiroz, ex-prefeito eleito em 2024, que esteve preso, acabou cassado e está foragido da Justiça há mais de um ano.
Outra pré-candidatura anunciada em Choró foi a de Antônio Delmiro (PT). Nas redes sociais, ele comentou sobre a decisão do TRE-CE e disse que a eleição suplementar representa uma oportunidade de reconstrução política e administrativa. "É hora de debater propostas, pensar no futuro de Choró e respeitar a vontade popular", afirmou.
Senador Sá
O município, distante 243 quilômetros de Fortaleza, pode ter candidatura única disputando o pleito de março. Pelo menos é o cenário apontado pelo prefeito cassado Bel Júnior (PP) em manifestações nas redes sociais. Em uma das falas, Bel afirma que os nove vereadores do município são do grupo dele, não havendo força política para formalizar uma oposição.
Com a cassação da chapa do prefeito eleito Bel e da vice-prefeita Maria Veriani (PP), por abuso de poder político e econômico relacionado ao evento conhecido como "Cavalgada do Bel", o ex-prefeito indicou Sabrina Morais (PP) - a "Sabrina do Bel" - atual tesoureira da gestão, como candidata, tendo Veriani Araújo (PP) como candidata a vice.
A chapa é a mesma que havia sido indicada para eleição suplementar anteriormente marcada para 6 de julho de 2025, mas que acabou suspensa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No pleito que chegou a ser marcado para julho do ano passado, concorreria com Sabrina o ex-prefeito Rui Aguiar (PSB). A tendência é que Rui não lance candidatura desta vez. O PSB afirmou ao O POVO que a decisão sobre candidaturas para 1º de março ainda não está fechada.
Potiretama
No município distante 253 quilômetros de Fortaleza, a eleição se encaminha para ter uma disputa entre o prefeito interino e a ex-vice-prefeita cassada, mas que não teve inelegibilidade determinada pela Justiça Eleitoral.
Com apoio do grupo do prefeito eleito Luan Dantas (PP), o primeiro pré-candidato é Cleverlandio Bezerra (PP), que assumiu o cargo por ser presidente da Câmara Municipal quando foram cassados Luan Dantas e a vice-prefeita eleita Solange Campelo (PT), por abuso de poder político, utilização indevida de meios de comunicação e conduta vedada.
Dantas está preso desde abril por suspeita de ser o autor intelectual de um incêndio em Alto Santo, município vizinho a Potiretama, em maio de 2024. Ainda em abril, a Justiça rejeitou a acusação de que o prefeito tenha envolvimento com organização criminosa.
O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) negou por unanimidade, em outubro, os embargos impostos pela defesa do prefeito e pela vice-prefeita. Assim, foi mantida a cassação de ambos e Dantas segue inelegível pelo prazo de oito anos.
Rompida com o grupo de Luan e Cleverlandio, a ex-vice-prefeita confirmou ser pré-candidata. Nas redes sociais, Solange Campelo repudiou o que chamou de "fake news" contra si, que apontam que ela não seria pré-candidata. "Quero reafirmar aqui que sou pré-candidata a prefeita de Potiretama", afirmou.
As pré-candidaturas de Solange em Potiretama e Antônio Delmiro em Choró serão discutidas em reunião da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores na próxima segunda-feira, 19, segundo o presidente do PT no Ceará, Antônio Filho, o Conin.
O que gerou a cassação em cada um dos municípios
Choró: prefeito eleito em 2024 continua foragido
Choró deverá passar por nova eleição após a cassação do registro de candidatura do prefeito eleito Bebeto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró (PSB), e de seu vice, Bruno Jucá (PRD).
Em 22 de novembro de 2024, Bebeto foi alvo da operação Ad Manus, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), que apurou possíveis fraudes em contratos de abastecimento de combustível da Prefeitura. À época, o então prefeito Marcondes Jucá (PT) foi preso e afastado do cargo.
Bebeto Queiroz, sucessor eleito, teve mandado de prisão expedido, apresentou-se à Polícia Civil e foi preso na Delegacia de Capturas (Decap) no sábado seguinte, 23 de novembro. Ele permaneceu detido por dez dias, até o término do prazo da prisão temporária.
Em 3 de dezembro, ele publicou nota nas redes sociais afirmando ter “total inocência e disposição aos órgãos da Justiça” e dizendo querer “esclarecer para a sociedade sua total isenção”.
Dois dias depois, em 5 de dezembro de 2024, Bebeto tornou-se alvo de nova operação, a Vis Occulta, do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal, com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Desde então, ele encontra-se foragido.
O inquérito contra Bebeto tramita atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF), após menção à participação de pessoas com prerrogativa de foro, como o deputado federal Júnior Mano (PSB). O caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes e corre em segredo de Justiça.
A investigação no STF integra um conjunto mais amplo de apurações, mas tem foco criminal, analisando condutas que podem configurar infrações penais relacionadas ao período eleitoral. Paralelamente, há outras frentes jurídicas em andamento, conduzidas por diferentes instituições.
Segundo a Polícia Federal, as apurações envolvem suspeitas como compra de votos, fraudes em licitações, influência sobre órgãos de segurança, possíveis vínculos com facções criminosas, ameaças e tentativa de homicídio.
Bebeto do Choró está foragido há mais de um ano em razão de investigação da PF que apura suposta compra de votos e um esquema envolvendo mais de 51 prefeituras, com lavagem de dinheiro de emendas parlamentares.
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Além dos processos ligados às eleições de 2024, Bebeto foi abordado em 2020 pela Polícia Rodoviária Estadual, quando foram apreendidos uma pistola e um revólver com numeração raspada no banco do passageiro do veículo dele. Em janeiro deste ano, a Justiça do Ceará rejeitou recurso que tentava anular as provas, mantendo condenação a três anos de reclusão, em regime aberto, por posse ilegal de arma de fogo.
Senador Sá: cavalgada, cassação e eleições remarcadas
A eleição suplementar em Senador Sá definirá os substitutos do prefeito Bel Júnior (PP) e da vice-prefeita Professora Maria (PP), cassados em novembro de 2025 por irregularidades em evento durante a campanha de 2024.
O TRE-CE já havia determinado anteriormente a cassação da chapa e a realização de nova eleição. Em junho de 2025, contudo, o Tribunal Superior Eleitoral suspendeu liminarmente o pleito, que estava marcado para julho, e manteve Bel no cargo.
A cassação ocorreu em duas instâncias e foi motivada por irregularidades em evento denominado “Cavalgada do Bel”, considerado showmício e com distribuição de itens custeados com recursos públicos. Nas redes sociais, Bel Júnior afirmou que recorreria novamente ao TSE.
“Não houve compra de votos. Foi apenas uma cavalgada da qual participamos, tradição que já existe há cinco anos. Senador Sá realiza cavalgadas há muitos anos”, declarou. O prefeito acrescentou que tem “consciência tranquila” e que seguiria buscando reverter. “Se precisar haver novas eleições, o povo de Senador Sá escolherá novamente um amigo de Bel Júnior”, disse.
Além da cassação, Bel Júnior foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral estadual. A relatora do caso no TSE, ministra Isabel Gallotti, manteve esse ponto da decisão.
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Potiretama: abuso de poder e prisão
Potiretama deverá realizar nova eleição após a cassação do prefeito Luan Dantas (PP) e da vice-prefeita Solange Campelo (PT), acusados de abuso de poder político, uso indevido dos meios de comunicação e prática de conduta vedada.
Em junho de 2025, o TRE-CE determinou a cassação dos mandatos. Em outubro, o próprio Tribunal rejeitou, por unanimidade, os embargos apresentados pela defesa. Com isso, a decisão foi mantida e Luan Dantas tornou-se inelegível por oito anos.
De acordo com o TRE-CE, Luan e Solange publicaram conteúdos em redes sociais divulgando ações da Prefeitura de Potiretama, com enaltecimento de campanha e manutenção de propaganda institucional em período vedado.
À época, o advogado Pedro Neto contestou a decisão, alegando que as publicações foram feitas em período permitido, mas permaneceram no ar porque a página institucional não foi desativada. Ainda assim, os registros de candidatura foram cassados. Apenas Luan Dantas foi condenado à inelegibilidade.
A decisão da desembargadora Maria Iraneide Moura Silva foi confirmada por sete votos a zero. Luan Dantas está preso preventivamente desde abril, suspeito de ser o autor intelectual de um incêndio ocorrido em 31 de maio de 2024, no município vizinho de Alto Santo. Ainda em abril, a Justiça rejeitou acusação de envolvimento do prefeito com organização criminosa.
A vice-prefeita eleita, Solange Capelo, chegou a comandar o município de forma interina, mas acabou afastada após a cassação da chapa em outro processo.
Em novembro, a Câmara Municipal de Potiretama cassou o mandato de Luan Dantas em sessão extraordinária. Com a declaração de vacância do cargo, o então presidente da Câmara, Cleverlandio Pereira (PP), assumiu como prefeito interino. O vereador Roberto Holanda (PP), que presidiu a sessão à época, foi declarado presidente interino do Legislativo.