VLT: motoristas criticam sinalização na av. Carlos Jereissati

VLT: motoristas relatam pouca sinalização em interdição da av. Carlos Jereissati

Após a interdição provisória em dois trechos da via, motoristas e pedestres divergem sobre mudanças no trânsito da região
Atualizado às Autor Gabriele Félix Tipo Notícia

Dois trechos da avenida Carlos Jereissati, em Fortaleza, foram interditados provisoriamente para o avanço das obras da nova linha de Veículo Leve Sobre Trilho (VLT) Aeroporto–Castelão. O anúncio foi divulgado pela Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra), na sexta-feira, 16.

O bloqueio ocorre nas faixas próximas ao canteiro central, em ambos os sentidos da avenida, no trecho entre o Aeroporto Internacional de Fortaleza e o viaduto de acesso à avenida Alberto Craveiro. A interdição conta com o apoio do Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE).

Em nota ao O POVO, a Seinfra afirmou que as interdições devem permanecer até o primeiro semestre de 2027, período previsto para a conclusão do empreendimento, sendo “necessárias para viabilizar a circulação do maquinário pesado utilizado na execução das fundações e dos pilares do trecho elevado, além de garantir a segurança de pedestres, motoristas e trabalhadores”.

O bloqueio abrange aproximadamente 2,4 quilômetros (km) e é necessário para viabilizar a circulação do maquinário pesado utilizado na execução das fundações e dos pilares do trecho elevado, além de garantir
a segurança de pedestres, motoristas e trabalhadores.

Atualmente, os trabalhos estão na fase de execução das estacas que darão sustentação aos blocos e pilares do trecho elevado do VLT Aeroporto–Castelão. De acordo com a Seinfra, até o momento, cerca de 100 estacas já foram concluídas, seguindo o cronograma físico previsto.

Em seguida, a pasta informou que devem ser executados os blocos de fundação, cuja ferragem já está sendo produzida no canteiro central da obra. Na sequência, serão instalados os pilares que irão sustentar a estrutura elevada por onde passarão os trilhos do sistema.

“Ao todo, serão executadas 556 estacas ao longo da avenida Carlos Jereissati para a sustentação dos pilares do trecho elevado do VLT. A previsão é de que a etapa de execução das estacas seja concluída até março de 2026, mantendo o ritmo programado da obra”, afirma a pasta.

O projeto do VLT contou com investimento de R$180 milhões. A expectativa é que seja concluído antes da Copa do Mundo Feminina de Futebol, que terá Fortaleza como uma das cidades-sede.

Motoristas relatam mudanças no trânsito e sinalização insuficiente

Em visita aos trechos interditados, na manhã desta segunda-feira, 19, O POVO conversou com motoristas e transeuntes que trafegavam pela Av. Carlos Jereissati para entender os impactos da interdição na rotina de quem transita pela região.

O motorista de aplicativo Fábio Júnior, 23, passou pela via durante a instalação dos tapumes no trecho interditado da avenida. Em entrevista ao O POVO, o motoqueiro afirmou que o trânsito na região estava mais complicado devido aos bloqueios e criticou a falta de sinalização antecipada.

"Eles estão colocando os tapumes, mas não sinalizaram antecipadamente que ia ter isso. Para quem, tipo, passou um dia anterior e não tava feito nada, aí no outro dia já vem e tem, pode ter o risco de acontecer um acidente, alguma coisa, como eu vi um", conta.

Segundo o profissional, a via carece ainda de outras sinalizações, como uma área própria para o embarque e desembarque de passageiros, por exemplo.

 

Para o motorista de transfer, Gustavo Barroso, 46, não houve mudança significativa no trânsito da região. Morador de Maracanaú, município da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), ele relata que costuma utilizar a via constantemente e que, mesmo após a interdição, o trânsito só costuma ficar mais lento durante os horários de pico, por volta das 6h às 9h e das 16h30min às 20h.

“No horário normal, como você tá vendo, o trânsito flui normalmente, não tem muito aperreio (...) Ao contrário de algumas avenidas em Fortaleza que fizeram aquela ciclofaixa para bicicleta, e agora já inventaram uma para moto. Aí aquilo ali ficou um caos. Mas, em relação ao fechamento, a interdição, só fica ruim mesmo no horário de pico”, pontua.

Apesar disso, ele também destaca que a sinalização sobre as obras e as intervenções na via são insuficientes para alertar os motoristas. “Placa só próximo à obra mesmo, distante daqui não tem nenhuma placa de sinalização, não. Poderia ter tá bem mais sinalizado”, defende.

Sobre as expectativas para o trânsito na região após a finalização das obras do VLT, Gustavo diz acreditar que o fluxo de veículos na área tende a melhorar. “Espero que sim, porque tá muito carente, né? Os ônibus não estão mais suprindo e a população de Fortaleza tá quase igual à de São Paulo. Se você prestar atenção, inclusive, até a quantidade de carros está aumentando cada dia mais aqui”, avalia.

Barbeiro e morador do território, Gilvan Ferreira, 65, afirma que as obras ainda não interferiram na sua rotina, já que costuma trafegar à pé na região, mas que observou um aumento do fluxo de carros na via, o que creditou à pouca sinalização para orientar os motoristas.

“Aí podia ter mais (sinalização), porque tem horas que os carros ficam parados por quase 10 minutos para poder sair (...) Toda vez foi de jeito aí esta avenida. Toda vez foi assim, não é por causa que estão fazendo isso daí não”, argumenta.

Ele destaca mesmo que sua preocupação e a de outros moradores do bairro é com a precarização da passarela para pedestres. Instalada em um local pouco movimentado, ao lado de um terreno baldio, a estrutura possui barras de proteção muito baixas, o que dificulta o acesso e a passagem segura pelo equipamento.

Ao O POVO, o Detran afirmou, por meio de nota, que, "conforme monitoramento de tráfego na região, o movimento veicular no trecho da obra não tem se alterado de forma significativa".

"A obra se utiliza da faixa interna da via em ambos os sentidos, diminuindo de 3 para 2 faixas de tráfego. Quanto aos retornos existentes, eles continuam abertos, não ocasionando necessidade de desvios alternativos", informa.

O órgão destaca que a via é monitorada por câmeras on-line e que "qualquer situação atípica o Detran junto com seus agentes e a BPRE são acionados para minimizar os conflitos". 

Interdições na Av. Alberto Craveiro seguem até 2027

As obras na avenida Alberto Craveiro, que também integram o projeto do VLT Aeroporto–Castelão, estão atualmente na fase de terraplanagem do trecho em nível, com cerca de 80% dos serviços já executados, de acordo com a Seinfra.

A etapa seguinte consiste na pavimentação da via, seguida pela implantação dos trilhos. As interdições parciais na região devem permanecer até o primeiro semestre de 2027, segundo a pasta.

Sobre as estações Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU) e Castelão, a Seinfra informou que os projetos estruturais encontram-se em fase final de ajustes técnicos, com previsão de início das fundações em fevereiro de 2026, “seguindo normalmente o cronograma estabelecido para o empreendimento”.

 

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