Ceará lidera produção de camarão e impulsiona expansão no Nordeste
Ceará e Rio Grande do Norte lideram a produção de camarão no Brasil, mas a carcinicultura avança para outros estados e áreas do interior nordestino
19:28 | Jan. 26, 2026
O Ceará e o Rio Grande do Norte seguem como os principais produtores de camarão do Brasil, concentrando a maior parte da produção nacional. Juntos, os dois estados respondem por cerca de 80% do volume produzido no País.
Apesar da liderança consolidada, a atividade vem passando por um processo de expansão territorial, avançando para outros estados do Nordeste e para áreas mais interioranas da região.
Dados do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), do Banco do Nordeste, indicam que o Nordeste foi responsável por praticamente toda a produção brasileira de camarão em 2024 e 2025.
A estimativa é de que a produção nacional alcance cerca de 172 mil toneladas em 2025, mantendo uma trajetória de crescimento observada nos últimos anos.
O Ceará lidera esse movimento. O Estado responde por cerca de 57% da produção nacional e apresenta a maior taxa de crescimento do País, com avanço médio anual em torno de 28% entre 2020 e 2024.
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A expansão ocorre tanto em áreas litorâneas quanto no interior, especialmente ao longo do Vale do Jaguaribe, favorecida pela adaptação do camarão-branco (Penaeus vannamei) a águas de baixa salinidade.
Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Camarão do Ceará (APCC), Luiz Paulo Sampaio, a carcinicultura cearense cresce de forma consistente há pelo menos cinco ou seis anos. “A atividade vem crescendo em torno de 20% ao ano. Hoje, o Ceará responde por cerca de 56% a 57% de todo o camarão produzido no Brasil”, afirma.
O Rio Grande do Norte aparece como o segundo maior produtor nacional, com participação superior a 20%. Embora tenha registrado crescimento mais moderado nos últimos anos, o estado voltou a apresentar recuperação recente, de acordo com o estudo do ETENE.
Na sequência, estados como Paraíba, Pernambuco, Bahia, Piauí e Alagoas ampliam gradualmente sua participação, impulsionados pela interiorização da atividade e pelo uso de tanques escavados, reservatórios e poços.
Para Sampaio, esse avanço não representa concorrência entre os estados. “Não existe concorrência interna porque o Brasil ainda tem um mercado gigantesco a ser explorado. O consumo per capita de camarão no País gira em torno de 900 gramas por pessoa ao ano”, diz.
Conforme ele, o preço do camarão tem se tornado competitivo em relação a outras proteínas de origem animal, o que amplia o potencial de consumo no mercado interno.
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Apesar do crescimento, a produção brasileira segue concentrada no mercado doméstico. O Brasil praticamente não exporta camarão de forma contínua há anos.
De acordo com o presidente da APCC, tarifas internacionais recentes não tiveram impacto direto sobre o setor. “O Brasil já não exporta camarão de forma regular há bastante tempo. Desde meados dos anos 2000, o mercado externo deixou de ser um canal contínuo para a atividade”, explica.
Antes do embargo europeu, no entanto, o cenário era outro. “A Europa foi o nosso principal mercado. Quando exportávamos, cerca de 95% da produção brasileira era destinada ao exterior, e pelo menos 60% ia para países europeus, com destaque para Espanha e França”, lembra Sampaio.
Para ele, uma eventual reabertura desse mercado poderia ajudar a equilibrar os preços no mercado interno, especialmente em períodos de menor demanda.
Entre os principais desafios do setor, o ETENE e a APCC apontam o licenciamento ambiental. A maioria dos produtores do Nordeste é de micro e pequeno porte e enfrenta dificuldades para regularizar a atividade, o que limita o acesso a crédito e financiamento. “A desoneração das taxas de licenciamento ambiental e das outorgas de água facilita a regularização do pequeno produtor. Estar licenciado é fundamental para acessar crédito e continuar crescendo”, destaca o presidente da APCC.
A expectativa do setor é de continuidade da expansão nos próximos anos, sobretudo em áreas interiores do Nordeste, consideradas estratégicas para geração de renda e emprego em regiões com poucas alternativas produtivas
Ainda assim, especialistas alertam que o crescimento da carcinicultura dependerá de avanços na regularização ambiental, na sanidade dos cultivos e na ampliação de mercados consumidores.