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Coronavírus
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No ritmo atual, Ceará pode levar até junho de 2024 para vacinar toda população

No Estado, 265.157 receberam pelo menos a primeira dose do imunizante. O que corresponde a 2,8% da população cearense. Se continuar no mesmo passo, vacinação dos grupos de risco deve ser finalizada em fevereiro de 2022

21:03 | 24/02/2021
Estados estão imunizando em ritmo lento devido falta de vacinas (Foto: JÚLIO CAESAR)
Estados estão imunizando em ritmo lento devido falta de vacinas (Foto: JÚLIO CAESAR)

Até esta quarta-feira, 24, 265.157 pessoas foram vacinadas no Ceará. Esse número corresponde a apenas 2,8% da população estimada do Estado (9.187.103) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se continuar no ritmo atual de imunização, o Ceará pode levar até junho de 2024 para vacinar toda população. Apesar de contar com um Programa Nacional de Imunização (PNI) que é referência internacional, estados estão imunizando em ritmo lento — com campanhas interrompidas em alguns municípios — pela falta de vacinas.

As primeiras doses chegaram ao Estado no dia 18 de janeiro. No dia seguinte, todos os municípios já dispunham dos imunizantes e iniciaram aplicação. Ao longo de pouco mais de um mês, 7.365 cearenses estão sendo imunizados por dia com a primeira dose, em média. Nesse passo, seriam necessários 1.247 dias para vacinar todo o Estado e a vacinação terminaria em junho de 2024. No caso dos grupos de risco, que compreendem 2.894.433 pessoas, o final da vacinação seria alcançado em fevereiro de 2022.

Das pessoas vacinadas, 58.536 também receberam a segunda dose do imunizante. Ao todo, 323.693 doses foram aplicadas nos 36 dias de campanha, de acordo com o Monitoramento da Campanha de Vacinação Covid-19 no Ceará, divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa) nesta quarta, com dados atualizados até as 12 horas. São 96 municípios com a aplicação das remessas destinadas para a primeira dose concluída. Doze municípios já concluíram a vacinação com as remessas de segunda dose enviadas.

Atualmente, estão sendo vacinadas as pessoas que compõem a fase 1 dos grupos prioritários: profissionais de saúde, idosos institucionalizados, indígenas, pessoas com deficiência institucionalizadas e idosos a partir de 75 anos. Do total de pessoas que integram a primeira fase (617.926), 43% já foi vacinada.

Conforme Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Plataforma Científica Pasteur-USP, o ritmo lento de imunização traz riscos. “A consequência de não imunizar a população rapidamente é o surgimento de novas cepas como a de Manaus. E elas conseguem escapar da imunidade conferida pela vacina”, explica.

Conforme Nakaya, que integra a Comissão de Ensino da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), o PNI é “super eficiente em administrar as vacinas de rotina”. “É um dos países mais capazes de vacinar uma população tão rapidamente. O entrave é a quantidade de vacinas. O PNI é muito bom e capaz de administrar vacinas para o Brasil inteiro, mas a questão é que não temos vacinas. O limitante é esse. Não é que falte logística”, detalha.

Novas remessas

Nesta quarta-feira, 24, Ceará recebeu o quinto lote de vacinas contra a Covid- 19. O carregamento com 80.500 doses da AstraZeneca/Oxford já começou a ser distribuído para os 184 municípios. Ainda nesta semana, conforme o governador Camilo Santana (PT), devem chegar mais 49.200 doses da CononaVac/Butantan.

Além das doses que devem chegar por meio do Ministério da Saúde, desde o ano passado o Ceará negocia com diversos laboratórios a aquisição direta de doses de vacinas contra a Covid-19. A estratégia é uma ação "preventiva", considerando a hipótese da articulação nacional não atender a demanda estadual.