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Coronavírus
NOTÍCIA

Apesar de nivelado, índice de isolamento social no Ceará diminuiu na última semana

Dados da plataforma InLoco mostram que na semana que antecedeu a Fase 3 do isolamento em Fortaleza, do dia 25 de junho ao dia 5 de julho, os índices diminuíram e chegaram perto de 39%

13:59 | 06/07/2020
As particulares das voltas dos setores industriais e do comércio influenciam nos comportamentos das pessoas durante o isolamento social. A exemplo, a partir de hoje, 6, estão permitidas a prática esportiva individual e a circulação de pessoas em espaços públicos, como praias e calçadões de Fortaleza.  (Foto: Fabio Lima)
As particulares das voltas dos setores industriais e do comércio influenciam nos comportamentos das pessoas durante o isolamento social. A exemplo, a partir de hoje, 6, estão permitidas a prática esportiva individual e a circulação de pessoas em espaços públicos, como praias e calçadões de Fortaleza. (Foto: Fabio Lima)

A semana do dia 25 de junho ao dia 5 de julho antecedeu a Fase 3 do isolamento em Fortaleza e os avanços para a Fase 1 em Macrorregiões do Sertão Central, Litoral Leste/Jaguaribe. O índice de isolamento registrado no Ceará durante o período variou entre 39,8% e 48,4%. Os dados da plataforma InLoco registraram os percentuais através da tecnologia de geolocalização e mostram que o índice de isolamento, apesar de nivelado, vem diminuindo. 

Os maiores índices do intervalo foram registrados no fim de semana do dia 4 e 5 de julho, com respectivamente 41,9% e 48,4% de isolamento no Estado. Já o menor foi na sexta-feira, 3, com 39,8%. Durante a segunda-feira passada, dia 29, e a terça-feira, 30, os números ficaram próximos de 41%. Na quarta-feira, 1º, foi de 40,7% e na quinta-feira, 2, voltou aos 41%.

O Ceará, inclusive, já teve a maior taxa de isolamento social do País, com 50,76% em maio. Durante a semana observada pela reportagem, o Estado, quando comparado a outras regiões brasileiras, teve alternâncias em suas posições no ranking. Considerando o sábado, 4, tendo registrado 41% de pessoas em casa, o Ceará ficou na nona posição dos indicadores por estado - ficando atrás do Piauí, Acre, Mato Grosso, Rondônia, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Amapá.

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Os percentuais do isolamento para o epidemiologista e membro do Grupo de Trabalhos da Universidade Estadual do Ceará (Uece) contra o coronavírus, Marcelo Gurgel, não são altos. Ele considera que esses números nunca foram considerados realmente altos e destaca que as variações do índice ocorrem devido ao que chama de sazonalidade.

O termo é usado na epidemiologia para elencar variações de índices relacionados a uma doença por um tempo de meses, dias e até horários. No caso do Ceará, o avanço de Fortaleza e de outras Macrorregiões no Plano de Retomada Econômica traz mais pessoas à rua e, consequentemente, uma redução no índice de isolamento.

"Há sazonalidades quando se questiona: em quais horários as pessoas estão circulando? E de que maneira?  Por exemplo, o horário do comércio não é o mesmo da indústria", diz e refere-se às outras três fases anteriores do Plano - de Transição, Fase 1 e Fase 2, que liberaram milhares de pessoas de volta a postos de trabalhos em Fortaleza. A volta dos setores industriais e do comércio também influenciaram no comportamento das pessoas durante o isolamento social. E essa dinâmica deve continuar, já que a partir de hoje, 6, já estão permitidas a prática esportiva individual e a circulação de pessoas em espaços públicos, como praias e calçadões de Fortaleza. 

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No entanto, a mudança no comportamento das pessoas também marca, segundo o médico, uma desconsideração da gravidade da doença. "Mesmo a respeito do Governo ter anunciado um freio no plano, não liberando alguns dos setores, isso não suscitou em um recuo dos cearenses", diz. Marcelo cita o recuo, na Capital, da abertura de barracas de praia e de restaurantes para o horário do jantar, até as 23 horas. Mesmo com as barracas fechadas, aglomerações foram registradas na manhã de ontem, 5. 

Em transmissão realizada no domingo, o secretário executivo de Planejamento do Estado (Seplag), Flávio Ataliba, afirmou que um “pequeno aumento” nos indicadores da Covid-19 nos últimos dias apontou para a mudança do Plano. Segundo o titular, há necessidade de avaliação para identificar se um possível padrão de avanço em Fortaleza permanecerá.

Para o especialista, possibilidade de imunização de rebanho no Ceará não é descartada 

 

O médico também ressalta a possibilidade de uma possível imunidade de rebanho no Estado. A teoria desse tipo de imunização indica que houve disseminação do vírus para parte da população, que acaba desenvolvendo anticorpos contra a doença. No entanto, a presença dos anticorpos não garante imunidade ao novo coronavírus e não há confirmação sobre o período específico para a proteção continuar. Como o Sars-CoV-2 é um vírus recente, os resultados das pesquisas são voláteis e alteram-se rapidamente devido às tecnologias diariamente divulgadas.

"Ao que parece, a doença está se disseminando e estão adquirindo imunidade de rebanho, de modo que o vírus não vai circular tanto a medida que você tem menos pessoas suscetíveis a ele. Porque não há para quem transmitir", exemplifica. Marcelo ainda aponta para outra particularidade da situação. "Se realmente chegarmos a essa imunidade de rebanho, quanto custará as vidas humanas perdidas para termos essa imunidade?", questiona.

A primeira atualização desta segunda-feira, 6, dos casos da Covid-19 no Ceará traz 122.421 casos registrados e 6.462 mortes pela doença. As informações são do IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), divulgado às 11h27min de hoje.