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Artista cearense M Dias Preto ganha prêmio e abre exposição em Minas Gerais

Com elementos de fotografia e colagens, o artista e designer cearense abre sua primeira exposição individual em Belo Horizonte, Minas Gerais. Em cartaz até 11 de março, a mostra integra o 2º Prêmio Décio Noviello de Fotografia
19:17 | Jan. 24, 2022
Autor Luiza Ester
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Luiza Ester Repórter do núcleo de Cultura e Entretenimento do O POVO
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Tipo Notícia

M Dias Preto — ou simplesmente Matheus Dias — é o primeiro cearense vencedor do Prêmio Décio Noviello de Fotografia, desenvolvido pela Fundação Clóvis Salgado. Após vencer a 2ª edição da premiação, o artista e designer abre sua primeira exposição individual. Com elementos de fotografia e colagens, “Campo de Passagem” está em cartaz até 11 de março, na Câmera Sete de Fotografia, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A visitação é aberta ao público.

A mostra percorre as fases da vida do artista, com reflexões sobre identidade e corpo. Questões raciais e de gênero estão diretamente ligadas às 24 obras expostas. Segundo M Dias Preto, os trabalhos falam sobre a possibilidade de “estar viva”, sendo “bixa, negra, nordestina”. Em “Campo de Passagem”, há colagens digitais e manuais, livro de artista, pintura abstrata, ranhuras sobre fotografias e mais.

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“A gente vive no último país a abolir a escravidão (no Ocidente) e a gente permanece dentro de um sistema super gentrificado (processo de segregação social e espacial), com as poéticas da branquitude. Hoje em dia, já há outras compreensões, outras possibilidades de existências dentro desses recursos.  Estou expondo essas cicatrizes, essas belezas e feridas de estar na Terra ocupando esse meu corpo",  reflete M Dias Preto ao O POVO.

"Eu acho que é muito significativo, até para outras pessoas também verem que existe a possibilidade da gente ocupar tudo o que a gente quiser, todos os lugares. Me surgiu uma oportunidade de conseguir resgatar quem eu sou e mostrar essa vulnerabilidade. A possibilidade da gente estar viva já é uma obra de arte. Infelizmente, a gente tem que dizer isso. O fato de estarmos vivas, hoje, pode ser considerado uma obra de arte”, complementa.

Além de premiação financeira, os contemplados no Prêmio Décio Noviello são agraciados com a possibilidade de expor suas obras. M Dias Preto acompanhou a premiação ano passado. De acordo com o cearense, a abertura para artistas jovens e naturais de outros estados do País chamou sua atenção. Em meio à correria do cotidiano, “Campo de Passagem” foi inscrito de última hora.

Sobre a premiação, M Dias Preto conta: “Fiquei muito surpreso, mas muito feliz. É um trabalho que eu estou investigando há cerca de dois anos. Na verdade, é um trabalho de uma vida toda”. Não à toa, as obras contam com etiquetas que indicam o ano de captura da imagem (em diferentes épocas da vida do artista) e o ano de intervenção.

“Campo de Passagem” surge ao final de 2019, a partir do ingresso de M Dias Preto no Laboratório de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes, escola de formação e criação do Instituto Dragão do Mar (IDM). Em paralelo, o artista passou por uma série de episódios traumáticos, como uma agressão racial na universidade. O questionamento veio à tona: “O que ainda tenho de identidade?”. “Entrei numa depressão mais uma vez na minha vida”. Segundo o cearense, ele se via imerso à “padronização do meio”, a partir do que “a sociedade estava impondo” sobre seu corpo.

Como uma forma de reconectar-se consigo, M Dias Preto decidiu retomar a produção de diários. A prática foi a sua primeira experimentação em arte, aos sete anos de idade. A arte terapia de criar diários o levou, novamente, ao “desejo de estar presente”. Rememorar suas imagens ao longo da vida fez parte desse processo. “Campo de Passagem” nasce dessa investigação. Depois, o artista aprimorou o trabalho em maratonas de fotografias, laboratório de artes da Revista Reticências e consultorias junto ao Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ). “Muitas pessoas me guiaram”, frisa.

Para M Dias Preto, “Campo de Passagem” traduz uma viagem entre presente, passado e futuro. O trabalho é como um portal em constante mutação, com discussões sobre cura, raça, gênero, não binariedade, homofobia, racismo, bullying e as diversas formas de existir.

Acompanhe M Dias Preto

Instagram: @mdiaspretoo

“Campo de Passagem”

Quando: até 11 de março de 2022
Onde: CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais (av. Afonso Pena, 737 – Centro, Belo Horizonte – MG)
Mais info: fcs.mg.gov.br

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