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'Contos de Axé' reúne textos inspirados em arquétipos de orixás

Editora Malê lança a antologia "Contos de Axé - 18 histórias inspiradas nos arquétipos dos orixás". Projeto busca valorizar a mitologia oriunda de religiões de matrizes africanas e conta com textos de 18 escritores brasileiros
15:43 | Nov. 10, 2021
Autor Bruna Lira
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Tipo Notícia

O lançamento da editora Malê “Contos de Axé - 18 histórias inspiradas nos arquétipos dos orixás”, idealizado e organizado pelo escritor e jornalista carioca Marcelo Moutinho, reúne textos ficcionais inéditos escritos por 18 autores brasileiros de distintas regiões do Brasil. O projeto busca valorizar e dar visibilidade à mitologia oriunda de religiões de matrizes africanas, ainda pouco reconhecida no País.

Construída a partir da inspiração em características dos orixás, a antologia tem em seu elenco novos talentos, como Itamar Vieira Junior e Geovani Martins, e escritores renomados como Nei Lopes, com mais de 40 títulos publicados. A obra ainda conta com a escritora cearense Socorro Acioli e nomes como Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Marcelino Freire, Fabiana Cozza, Giovana Madalosso, Aidil Araújo, Carlos Eduardo Pereira, Edimilson de Almeida, Gustavo Pacheco, Juliana Leite, Luisa Geisler, Miriam Alves, Paula Gicovate e Rodrigo Santos.

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A seleção dos autores foi realizada atendendo aos recortes de amplitude geográfica, bem como a diversidade de raça, gênero, idade e estilo. O idealizador da antologia, Marcelo Moutinho, em busca dos critérios de variedade, congregou escritores que têm ligação íntima com as religiões africanas e outros que realizaram estudos dentro da temática para, a partir daí, estruturarem seus contos.

O escopo dos textos, cuja base está na grande força alegórica das crenças africanas, foi organizado de forma autônoma pelos próprios escritores, isto é, o direcionamento do conto se deu pela escolha do orixá designado por cada um.

No texto de apresentação da antologia, Moutinho traz dados do aumento do número de denúncias de violações que consolidam o chamado racismo religioso. Levando em consideração o contexto brasileiro acerca dos casos de intolerância religiosa, notou-se um crescimento dos números de denúncias registradas em 2020. Em todo o ano, somente no Rio de Janeiro, foram 1.355 casos de crimes de caráter discriminatório contra práticas religiosas, conforme dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) e os adeptos de religiões de matrizes africanas são as maiores vítimas do país.

Nessa perspectiva, a orelha do livro traz o comentário do jornalista, escritor, sociólogo e pesquisador de afrodescendência no Brasil, Muniz Sodré, no qual ele retrata que a obra aparenta dar voz às divindades negras. “Não dá para desfiar um a um os contos do volume, como se fossem contas de um rosário. Dá para anunciar o encantamento da leitura. São pequenas jóias narrativas, em graus diversos de intensidade literária, que remetem a um universo de crenças e de pertencimento”, afirma.

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