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Especialista em segurança dá dicas para uso do Pix e pagamentos digitais

Em entrevista à rádio O POVO CBN, especialista orienta público sobre medidas para melhorar a segurança em transações digitais, como Pix e pagamentos por aproximação

Embora não tenham sido planejadas especificamente para a chegada da pandemia, com o avanço do coronavírus, algumas formas de pagamento sem contato físico ganharam popularidade no Brasil. As mais usadas hoje são o Pix e os cartões com aproximação. No entanto, aproveitar essas comodidades exige certas preocupações com segurança.

Em entrevista à rádio O POVO CBN, Pedro Prudêncio, sócio-diretor da Morphus Segurança, deu dicas de como aumentar a segurança nestes casos. A empresa fortalezense atua no sistema financeiro, com clientes corporativos em todo o País e também fora do Brasil. Saiba abaixo como se proteger de golpes no Pix e nos pagamentos por aproximação.

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1. Reduza o limite do Pix

Muitas pessoas sequer sabem, mas transferências por Pix podem ter o valor máximo limitado. Habitualmente, os bancos liberam uma quantia muito acima do necessário para despesas cotidianas, e portanto reduzir esse montante é uma boa estratégia para evitar dores de cabeça em caso de roubo, furto ou perda de um celular.

O procedimento varia de acordo com o aplicativo de pagamento, mas é sempre acessível pelo menu do Pix, o mesmo usado para fazer transferências e cadastrar novas chaves. Segundo Prudêncio, essa é a primeira indicação para se proteger nestes casos.

2. Tenha um celular dedicado para pagamentos

Outra dica que Prudêncio dá é manter aparelhos separados para o uso financeiro. A expressão "celular do Pix" vem ganhando popularidade, não por acaso: manter um smartphone em casa, apenas para realizar pagamentos mais altos, é uma maneira de evitar que criminosos consigam acesso a grandes valores.

Ele vai além: o especialista diz que, no seu celular de uso cotidiano, há uma conta separada, em outra instituição, com limites de transferência baixos, e que sempre está com pouco saldo na conta. O aparelho que concentra a maior parte do dinheiro, e é usado para pagamentos de maior valor, é o que fica em casa, e somente nele estão os aplicativos dos bancos principais.

3. Mantenha o celular atualizado e com opções de segurança ativadas

Também é importante se atentar às questões de segurança do próprio aparelho. Prudêncio orienta sempre checar por atualizações, especialmente as de segurança, e manter o celular sempre com a versão mais recente do sistema. Deste modo, golpes que se aproveitam de brechas mais antigas não terão sucesso.

A dica vale tanto para o perigo de vírus e outros programas maliciosos quanto para o próprio uso físico do smartphone: sistemas mais antigos podem ter maneiras de burlar os mecanismos de segurança, como senhas, que não existem nas versões mais novas.

Além disso, manter as opções de segurança sempre ativadas também ajuda a evitar problemas. Exigir biometria, por desbloqueio facial ou com impressões digitais, é uma maneira de garantir que apenas o dono do aparelho e pessoas autorizadas tenham acesso às transações no celular. Usar autenticação de dois fatores também auxilia nestes casos, e até mesmo para evitar o roubo de contas em redes sociais e e-mail.

4. Contrate um seguro

Algumas instituições financeiras oferecem a possibilidade de seguros contra transações não autorizadas. Por lei, bancos e operadoras de cartão de crédito devem reembolsar qualquer atividade feita após o bloqueio de um cartão ou conta, mas, às vezes, os criminosos são rápidos e conseguem realizar diversas transferências antes que a vítima consiga avisar às instituições.

Para além disso, práticas como sequestros-relâmpago também podem acontecer, e com o Pix o perigo aumenta, pois os bandidos não precisam sequer levar a vítima a um caixa eletrônico. Em todos estes casos, há a possibilidade de contratar um seguro, que cobrirá o prejuízo com os crimes.

Segundo Prudêncio, ainda que não seja algo que se encaixe nas necessidades e possibilidades de todas as pessoas, o seguro é uma alternativa válida para muita gente. Apesar de haver uma cobrança mensal pelo serviço, o valor pode valer a paz de espírito de não precisar se preocupar com dívidas inesperadas nestes crimes.

5. Compare segurança e usabilidade

Os chamados "bancos digitais" - empresas que geralmente funcionam no sistema financeiro como instituições de pagamento, mas oferecem quase todos os mesmos serviços que um banco comum - têm se popularizado no Brasil nos últimos anos. A menor burocracia para abertura de contas, a facilidade de uso e, especialmente com a chegada do Pix, a praticidade desses aplicativos, são os atrativos mais comuns.

No entanto, isso pode ter um preço oculto, em termos de segurança. Segundo Prudêncio, o sistema bancário brasileiro é o mais seguro do mundo: justamente pela "criatividade" dos criminosos, as instituições elaboraram, ao longo dos anos, uma série de medidas de segurança para reduzir fraudes e o risco de crimes. Com bancos digitais, essas práticas podem não ser tão avançadas.

Medidas entendidas como burocracias desnecessárias, como confirmação de documentos e autorizações que exigem ida às agências ou caixas eletrônicos, ajudam a aumentar a segurança dos usuários e, por consequência, dos próprios bancos. Nas instituições mais recentes, a facilidade de alguns procedimentos, como empréstimos, pagamentos e transferências, pode gerar riscos.

Portanto, o usuário deve sempre ficar atento: as práticas e processos do seu aplicativo financeiro são seguras? É necessário fornecer autenticação, como senha ou biometria, para todos os procedimentos? Ou existem funções que podem gerar risco em caso de crimes, e não são protegidas como deveriam? Por mais que, às vezes, etapas adicionais pareçam servir apenas para perder tempo, elas auxiliam a manter seu dinheiro com você.

6. Cuidado nos pagamentos por aproximação

Por fim, Prudêncio deixa uma dica sobre pagamentos por aproximação. A orientação dele é usar esse tipo de facilidade apenas pelo celular, em plataformas como Apple Pay e Google Pay, e evitar cartões com a tecnologia.

Os aplicativos exigem autenticação por senha ou biometria em todas as transações realizadas, enquanto alguns cartões permitem que pagamentos de quantias menores sejam realizados sem senha. O valor pode ir de R$ 30 a R$ 100, dependendo da instituição.

Isso abre margem para golpes: um criminoso que tenha uma máquina com pagamento por aproximação pode passar o objeto próximo a bolsas e carteiras de pessoas na rua ou no transporte público, por exemplo, e cartões que não exigem senha acabam liberando o pagamento sem autorização do usuário.

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