Metanol segue matando; veja quais cuidados tomar no Carnaval

Metanol segue causando mortes; veja quais cuidados tomar durante o Carnaval

Com a chegada do Carnaval, saiba identificar riscos, reconhecer sintomas e o que fazer para evitar intoxicação por bebidas adulteradas

O governo do estado de São Paulo confirmou, na noite dessa quarta-feira, 4, a morte de um homem de 26 anos, morador de Mauá, vítima de intoxicação por bebida alcoólica contaminada com metanol. Este foi o 12º óbito registrado no estado por essa mesma causa.

Segundo a Secretaria de Saúde, São Paulo contabiliza 52 casos confirmados de intoxicação por metanol. As mortes atingiram moradores da capital, da Grande São Paulo e do interior. Nos últimos monitoramentos da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), não houve casos de registro no Estado.

Às vésperas do Carnaval, período marcado pelo aumento do consumo de bebidas alcoólicas, autoridades de saúde reforçam o alerta sobre o metanol. A substância tóxica, presente em bebidas adulteradas, já causou 17 mortes no Brasil e exige atenção redobrada da população para evitar novos casos.

Confira, a seguir, os casos de mortes por metanol em bebidas adulteradas, os sintomas apresentados e o que fazer caso aconteça.

O que é metanol e por que ele mata

O metanol é um álcool utilizado em solventes e produtos industriais. Quando ingerido, ele pode atacar órgãos vitais, como fígado, cérebro e nervo óptico, provocando cegueira, coma e morte.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs Nacional) recebeu 43 notificações de intoxicação por metanol no país. Desses casos, 39 ocorreram em São Paulo e quatro estão em investigação em Pernambuco.

Como desconfiar que não é só ressaca

Os sintomas da intoxicação por metanol geralmente aparecem entre 12 e 24 horas após a ingestão, mas podem surgir até 72 horas depois. Em muitos casos, os sinais iniciais são confundidos com uma ressaca comum, o que atrasa o atendimento.

Os principais sintomas incluem:

  • dor abdominal persistente;
  • náuseas e vômitos;
  • confusão mental e tontura;
  • alterações na visão, como visão borrada ou escurecida.

Diante desses sinais, a recomendação é procurar atendimento médico imediato.

Guia prático: como se proteger

Para reduzir os riscos, especialmente durante festas e Carnaval, o Ministério da Saúde orienta a população a adotar cuidados essenciais. O ministro Alexandre Padilha destaca três regras básicas que podem salvar vidas:

  • Verifique a procedência da bebida, observando se o lacre está intacto e se há rótulo adequado;
  • Evite bebidas muito baratas ou vendidas sem origem clara, especialmente em ambientes improvisados;
  • Mantenha-se hidratado e bem alimentado, o que ajuda a reduzir os impactos de uma possível contaminação.

Além disso, a orientação clássica permanece: se beber, não dirija.

O que fazer em caso de suspeita de intoxicação por metanol

Ao apresentar sintomas, a pessoa deve procurar imediatamente o serviço de emergência mais próximo. Ao chegar à unidade de saúde, é fundamental informar que consumiu bebida alcoólica e detalhar o contexto da ingestão, como local, tipo de bebida, horário e se havia rótulo na embalagem.

Essas informações auxiliam no diagnóstico e no início rápido do tratamento adequado.

Tratamento e papel dos profissionais de saúde

Nos casos confirmados de intoxicação por metanol, o antídoto recomendado é o etanol farmacêutico, produzido por laboratórios e farmácias de manipulação em grau adequado para uso médico. A administração é sempre controlada, por via oral ou intravenosa.

Profissionais de saúde devem notificar os casos ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da região. Atualmente, o País conta com 32 centros, distribuídos em 19 estados, com equipes especializadas.

Casos suspeitos seguem em investigação

Além dos óbitos confirmados, o governo paulista investiga outras quatro mortes possivelmente relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas. Os casos envolvem vítimas em Guariba, São José dos Campos e Cajamar.

Com a nova confirmação, o Brasil soma 17 mortes provocadas por metanol. São Paulo é, até o momento, o estado mais impactado pelo problema, que também já motivou alertas nacionais.

Venda clandestina

No ano passado, autoridades identificaram a comercialização de bebidas alcoólicas clandestinas ou sem procedência confiável em São Paulo, na região metropolitana e em outros estados. Parte desses produtos continha metanol, álcool tóxico que pode ser fatal quando ingerido.

Diante da gravidade, o Ministério da Saúde criou uma sala de situação para monitorar os casos, além de apoiar operações policiais voltadas à apreensão de bebidas adulteradas e à responsabilização dos envolvidos.

Onde buscar ajuda

Em caso de suspeita de intoxicação por bebida alcoólica adulterada, procure imediatamente um serviço de emergência.

Segundo o fluxograma assistencial disponibilizado pelo Ministério da Saúde, profissionais podem acionar o CIATox local para orientação clínica, notificação e acompanhamento do caso. Atendimento rápido é essencial para evitar sequelas graves ou morte.

Canal de atendimento

Em caso de identificação dos sintomas, é preciso buscar imediatamente os serviços de emergência médica e contatar pelo menos uma das instituições a seguir:

  • Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001;
  • CIATox da sua cidade para orientação especializada (veja lista aqui);
  • Centro de Controle de Intoxicações: 0800-771-3733 – de qualquer lugar do País;
  • 192 - Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu)
    • quando funciona: 24h

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