Presidente do PT diz que sigla trabalha por vaga no Senado; Guimarães e Luizianne querem concorrer
Líderes petistas mencionam que a sigla tem legitimidade para apresentar nomes. Aliados defendem divisão das vagas entre partidos da base do governador Elmano
07:00 | Jan. 30, 2026
Desde 2025, cresce a especulação em torno dos nomes que irão compor a chapa da base aliada do governador Elmano de Freitas (PT) para as duas vagas no Senado Federal, que serão renovadas nas eleições de 4 de outubro deste ano.
Se há divergências em torno dos nomes, ao menos entre os partidos aliados do PT existe uma espécie de consenso: considerando que o Partido dos Trabalhadores já ocupa a Presidência da República, o Governo do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza, aliados entendem que petistas deveriam "abrir espaço" para nomes de outras siglas.
O discurso de que "o PT não pode ter tudo" tem sido repetido por diferentes políticos e já foi, inclusive, ponderado pelo ministro da Educação, Camilo Santana (PT), principal nome da sigla no Ceará. Ele destacou que a maior preocupação dentro da aliança estadual é justamente a definição das candidaturas ao Senado.
Leia mais
“Temos um arco de alianças muito grande e claro que tem pessoas no nosso partido que querem ser candidatas a senador, do próprio PT. Só que os nossos aliados chegam para a gente e dizem: ‘Olha, o candidato a presidente já é do PT, nós vamos apoiar. O candidato a governador já é do PT, nós já vamos apoiar. Poxa, vamos dividir os espaços’”, disse Camilo, em dezembro.
O ministro, no entanto, despistou sobre quando a decisão deverá ser tomada. “Tem candidato do MDB, do PSD, do PT, do Republicanos que querem estar na chapa. Na hora certa vamos resolver”, afirmou. Mais recentemente, o governador Elmano de Freitas declarou que não deseja disputa nem dentro do arco de alianças, tampouco internamente no PT.
Fortalecer a base de Lula
O POVO entrou em contato contato com o presidente do PT no Ceará, Antônio Filho, o Conin, para ouvi-lo sobre a questão. Ele afirmou à reportagem que o PT no Estado "trabalha para ter um representante do partido na chapa ao Senado", independentemente das questões locais.
"Essa demanda se alinha com o nosso projeto nacional de fortalecermos a base do governo Lula no Senado. Essa diretriz já foi inclusive deliberada no Encontro Estadual do PT, realizado em 6 de setembro do ano passado", recordou.
Outro que defende a candidatura própria do PT ao Senado é o deputado estadual De Assis Diniz (PT). "Eu sou da tese de que nós temos força política, nós precisamos estar com essa força política dando, principalmente, para o presidente Lula a partir de 2027, as condições de governabilidade", afirmou à reportagem.
Ele não escondeu que o nome de Guimarães seria seu predileto.
"Nós não podemos correr risco de não o ter dentro dessa composição aliados estratégicos. O peso e a força política que tem o deputado líder do presidente Lula na Câmara dos Deputados, Guimarães. Tem história, tem trabalho, tem base, tem força política e eu sou um daqueles que acho que uma das vagas do Senado deva ficar com o PT, na construção dessa sustentabilidade e da governabilidade, em se tratando de sucessão presidencial e para que o Lula tenha um articulador sábio, capaz, com todos os elementos que a política precisa para exercer o mandato", explicou.
O PT de Guimarães
A referência feita por Camilo Santana à pré-candidatura petista é ao deputado federal e líder do governo Lula na Câmara, José Guimarães (PT). O parlamentar tem afirmado publicamente que não abrirá mão de disputar uma das vagas, dizendo que levará o debate às instâncias partidárias e ao voto interno no PT, se for necessário.
Em evento realizado este mês, em Fortaleza, Guimarães — que também é vice-presidente nacional do PT — afirmou ao O POVO que não apenas a eventual candidatura ao Senado é relevante para a sigla, como a própria disputa por cadeiras na Casa Alta é uma prioridade estratégica do partido.
Segundo ele, é necessário eleger nomes alinhados aos ideais da esquerda para alterar a correlação de forças no Senado. Guimarães defende abertamente que o PT precisa ampliar a bancada no Senado para garantir governabilidade em um eventual quarto mandato de Lula.
"Estabelecemos pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) nacional três prioridades: a eleição para presidente, a eleição de senadores e a eleição de deputados federais. Portanto, não estou dizendo que a eleição dos governadores não seja importante, mas para governar o Brasil no próximo período, você tem que alterar a correlação de forças, sobretudo no Senado", pontuou.
O evento foi apenas um entre vários que Guimarães tem realizado pelo Estado, em movimento para dar musculatura à pré-candidatura e buscar apoio de prefeitos e líderes políticos do Ceará. O GTE terá reunião no próximo dia 2 de fevereiro, para tratar das questões das candidaturas próprias do partido nas eleições de outubro.
Em entrevista concedida na última terça-feira, 27, ao canal CNN Brasil, Guimarães reforçou o foco no Legislativo para 2026.
"Estou no 5º mandato de deputado federal, tenho ajudado muito meu Estado. Pouca coisa acontece na República que a gente não tenha participação. Eu nasci militando no PT e vou continuar no PT. Eu quero ser senador da República para ser diferente no Senado Federal. Aquela Casa não é casa de aposentadoria de ninguém, é casa de trabalho", explicou.
Momento oportuno
Líder do governo Elmano na Assembleia, o deputado Guilherme Sampaio afirma que, tanto o PT quanto os partidos que compõem a aliança "dispõem de vários nomes competitivos e de grande representação política" para representar o grupo no Senado, o que, segundo ele, é um "grande trunfo e uma demonstração de força e qualidade política".
"Obviamente, assim como os demais partidos, o PT tem legitimidade e deve apresentar seus quadros como alternativa a ser apreciada e discutida com os aliados", disse ao O POVO.
Ele lembrou ainda haver algumas indefinições nas alianças nacionais. "Nossas lideranças e direções partidárias vão dialogar no momento oportuno para definir a melhor composição para dar continuidade a gestão do governador Elmano no Ceará e ao governo do presidente Lula", concluiu.
Luizianne e o Senado
Uma pesquisa de intenção de votos divulgada há alguns dias pelo instituto Paraná mostrou a deputada federal Luizianne Lins (PT) bem posicionada na disputa pelo Senado. A parlamentar republicou, nas redes sociais, postagens de apoiadores destacando o desempenho, que em um dos cenários chegou a 25 pontos percentuais.
Vale lembrar que, ao desembarcar em Fortaleza após a liberação da flotilha em que esteve detida em Israel, Luizianne foi recebida por apoiadores aos gritos de "senadora".
Nos bastidores, como destacou o jornalista Henrique Araújo na coluna Vertical da última terça-feira, 27, a ex-prefeita de Fortaleza vem considerando não apenas a possibilidade de concorrer ao Senado, mas também de deixar o PT, partido ao qual é filiada há décadas.
Segundo a coluna, Luizianne avalia uma eventual filiação à Rede Sustentabilidade, hoje federada com o Psol. Na semana passada, o deputado estadual Renato Roseno (Psol) defendeu o nome da parlamentar como uma candidatura da esquerda ao Senado e afirmou que, caso o PT não abra espaço, a federação estaria de portas abertas.
A coluna Vertical informa ainda que Luizianne vê com otimismo a possibilidade de mudança de partido, embora reconheça obstáculos. Entre os fatores favoráveis, está a chance de liderar uma candidatura feminina à esquerda em meio a um cenário majoritariamente masculino, além da avaliação de que seu perfil eleitoral lhe permite disputar uma das vagas.
Os entraves, por outro lado, decorrem do fato de parte expressiva de seu campo político estar hoje próxima — ou integrada — ao governo Elmano. Caso uma eventual desfiliação represente rompimento com a gestão estadual, esse pode ser um fator de peso contra a mudança.
Nomes da base aliada
Além de José Guimarães e Luizianne Lins, a base governista reúne outros interessados na disputa pelo Senado.
Entre os nomes já ventilados como possíveis postulantes ao Senado pela base governista estão:
- Chagas Vieira (sem partido) — secretário-chefe da Casa Civil
- Chiquinho Feitosa (Republicanos) — presidente estadual do Republicanos
- Cid Gomes (PSB) — senador em exercício
- Domingos Filho ou Patrícia Aguiar — secretário de Governo e prefeita de Tauá, respectivamente, líderes do PSD no Ceará
- Eunício Oliveira (MDB) — ex-senador e atual deputado federal
- José Guimarães (PT) — deputado federal e líder do governo Lula
- Júnior Mano (PSB) — deputado federal
- Luizianne Lins (PT) — deputada federal e ex-prefeita de Fortaleza
- Moses Rodrigues (União Brasil) — deputado federal
- Romeu Aldigueri (PSB) — presidente da Assembleia Legislativa do Ceará.