Canais com histórico de inundação e ligados a rios serão prioridade em limpezas em Fortaleza
Locais devem passar por limpeza antes e durante o início da quadra para evitar incidentes como inundações e alagamentos; lagoas devem ser limpas após os canais
À medida em que se aproxima o início da quadra chuvosa, a preocupação com inundações e demais problemas causados por resíduos sólidos e vegetação nos canais de escoamento de água em Fortaleza aumenta. Para evitar alagamentos, como visto no incío do ano passado, a Capital irá realizar a limpeza dos canais considerados prioritários em todas as 12 Secretarias Regionais (SERs) da cidade.
O objetivo, de acordo com a Defesa Civil de Fortaleza (DCFor) é limpar todos os 164 canais da cidade ao longo de 2026, começando por aqueles com histórico de transbordamento ou que possuem ligações com os rios Maranguapinho e Cocó, a fim de evitar que a água desses locais chegue até as ruas e residências.
"A gente tem preocupação com os canais ali do Conjunto do Ceará, da Ganja Lisboa, mas também pro lado da Aerolândia, Tancredo Neves... e também os canais que se ligam tanto ao Maranguapinho como ao rio Cocó, são os prioritários das ações", explica o coordenador da DCFor, Haroldo Gondim.
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Um dos canais que deve passar por limpeza até o fim da quadra chuvosa é o Canal do Lagamar, no bairro Aerolândia. Figurando como um dos grandes canais de escoamento presentes na cidade, o local atualmente sofre com presença de resíduos sólidos no fundo e acúmulo de vegetação em sua superfície.
Clésio Lobão, 67, coordenador de um complexo esportivo às margens do canal, afirma que os trabalhos de limpeza têm sido realizados, mas precisam ser repetidos com frequência, já que os resíduos se acumulam rapidamente no canal.
"Foi limpo há um tempinho, mas aqui cresce rápido demais. Sempre antes do inverno tem que dar uma geral porque aqui cresce rápido demais. Tem muita areia, vegetação, atrai muriçoca...", conta o morador.
O acúmulo de materiais citado por Clésio não é novidade no Canal do Lagamar. Segundo a Defesa Civil, foram tiradas aproximadamente 8 mil toneladas de resíduos, entre areia, vegetação e lixo, do canal durante a última limpeza.
A remoção desses materiais objetiva aumentar a capacidade de armazenamento dos mananciais e minimizar as chances de alagamentos e inundações durante o período de chuvas.
"A gente faz esse trabalho para poder melhorar a capacidade de armazenamento do canal. Com isso consigo reter mais água na quadra chuvosa para tentar reduzir a chance de inundação e fazer com que flua melhor o líquido. Nosso trabalho é esse: tentar prevenir. A gente não sabe quanto vai chover, mas é tentar fazer um trabalho de mitigação para reduzir os transtornos", complementa Gondim.
Canais que devem ser limpos até o fim do semestre
- Canal da Agronomia - bairros Dom Lustosa com Antônio Bezerra - Regionais 11 e 3;
- Canal Dom Lustosa (três trechos) - bairros Dom Lustosa e Antônio Bezerra - Regionais 11 e 3;
- Canal das Antenas - bairro Henrique Jorge - Regional 11;
- Canal Leste 1 e Leste 2 - bairro Bom Jardim - Regional 5;
- Canal do Cazuza - bairro Passaré - Regional 8;
- Canal da Granja Lisboa - bairro Granja Lisboa - Regional 5;
- Canal da Comunidade do Capim - bairro Genibaú - Regional 11;
- Canal da Topic 54 - bairro Granja Portugal - Regional 5;
- Canal da Feira da Granja - bairro Granja Portugal - Regional 5;
- Canal Condomínio Montenegro - bairro Siqueira - Regional 5;
- Lagoa do São Gerardo - bairro São Gerardo - Regional 3;
- Lagoa do Porangabussu - bairro Rodolfo Teófilo - Regional 3;
- Lagoa do Tijolo - bairro Jardim das Oliveiras - Regional 6;
- Lagoa da Zeza - bairro Jardim das Oliveiras - Regional 6;
- Lagoa do Opaia - bairro Aeroporto - Regional 4.
Limpeza de lagoas deve ocorrer após a dos canais
Além dos canais de escoamento, as lagoas de Fortaleza devem receber serviços de limpeza durante a quadra chuvosa. Entretanto, essas devem ser atendidas somente após a limpeza dos canais da cidade, já dentro do período de quadra chuvosa.
A decisão ocorre por dois motivos. O primeiro é a menor probabilidade de transbordamento das lagoas, que por serem muito maiores do que os canais, precisam de uma quantidade bem mais significativa de água para atingirem seu nível máximo.
O segundo é a complexidade do processo de limpeza, já que também pelo tamanho maior, exigem processos complexos, com participação de mais funcionários e uso reforçado de maquinário.
"É uma área maior e que muitas vezes eu preciso do trabalho manual para fazer o corte da vegetação, trazer essa vegetação, a máquina retirar o material [...] A Lagoa da Agronomia, por exemplo, estamos atuando mas ainda tem muita vegetação, então a gente espera passar pelo menos mais um mês lá. É um trabalho demorado que depende do acesso do maquinário ao local e do perímetro dessa lagoa", explica Gondim.
O objetivo, segundo o coordenador, é iniciar fevereiro já com boa parte dos canais limpos, para evitar transtornos e acelerar a limpeza das lagoas. Concluída essa etapa, a DCFor deve retornar à busca pela universalização das limpezas, assim como realizado em 2025, quando aproximadamente 280 serviços foram concluídos ao longo dos 12 meses
Nesse período, todos 164 canais foram limpos, alguns mais de uma vez, como os canais da Granja Portugal e do bairro Damas, que receberam quatro ações cada, além de 35 das 72 lagoas de Fortaleza.
"O trabalho que em 2025 foi iniciado do zero, a gente já iniciou desde voltando em todas aquelas limpezas que foram feitas e que mereciam aí novamente uma atenção", finaliza.
Confira mananciais que já foram limpos para a quadra chuvosa 2026 em Fortaleza:
- Canal da Bela Vista;
- Canal do Lagamar;
- Canal do José Walter II;
- Canal J. da Penha (Riacho Pajeú);
- Canal Pio Saraiva;
- Canal da Jacarecanga;
- Canal das Malvinas;
- Canal do Prado;
- Canal da Palmeirinha;
- Canal do Sesi;
- Canal Rosinha;
- Lagoa da Parangaba;
- Lagoa do Mondubim;
- Lagoa da Vila Cazumba;
- Lagoa da Agronomia;
- Lagoa da Pedra;
- Lagoa da Pirocaia;
- Lagoa do Soldado.