Túnel da av. Humberto Monte, em Fortaleza, registra acidentes e queixas por falta de iluminação
Transeuntes relatam acidentes frequentes no túnel da Humberto Monte devido a alta velocidade dos veículos, pouca fiscalização e falta de iluminação
Moradores e pessoas que circulam pelo entorno do túnel da avenida Humberto Monte, no bairro Bela Vista, em Fortaleza, reclamam da insegurança viária no local. O trecho, que conecta a via à av. Governador Parsifal Barroso, registra acidentes frequentes, inclusive com mortes.
Além disso, a falta de iluminação à noite agrava o problema e aumenta a sensação de insegurança para quem passa pelo túnel.
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O trecho registra casos recentes de acidentes graves. Na madrugada do dia 11 de janeiro de 2025, um motociclista de 38 anos morreu após perder o controle da moto na avenida Humberto Monte, colidir com o meio-fio e cair, batendo a cabeça no chão.
Outro óbito foi o do motociclista de aplicativo Lucas Alencar, 28, no dia 7 de novembro de 2025, no trecho na altura da av. Gov. Parsifal Barroso. Conforme relatos de testemunhas e familiares, Lucas teria sido fechado por um carro durante uma altercação no trânsito, perdeu o controle da motocicleta e colidiu contra um poste.
A morte de Lucas motivou um protesto de centenas de motociclistas de aplicativo no dia 19 de novembro, que cobraram esclarecimentos sobre a identificação do suspeito e medidas de segurança no trecho.
O POVO entrou em contato com a AMC para solicitar dados sobre acidentes registrados no túnel e em seu entorno em 2025 e nos últimos cinco anos, além de informações sobre os cruzamentos mais perigosos de Fortaleza. A matéria será atualizada quando receber uma resposta.
O trecho do túnel da Humberto Monte dá acesso a pontos de grande circulação da Capital, como o Campus do Pici da Universidade Federal do Ceará (UFC), o Parque Rachel de Queiroz e, mais adiante, o Shopping RioMar Kennedy. Ao lado, há também empreendimentos comerciais, além de uma faculdade particular.
Pela via trafegam ônibus, caminhões, motocicletas e carros. Entre as duas pistas, cada uma em um sentido, há uma ciclovia.
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Funcionária de uma cafeteria localizada em frente à entrada do túnel, Débora Evelyn, 21, afirma que a alta velocidade dos veículos é um dos principais problemas do trecho. “O pessoal anda em alta velocidade. Imprudência, tanto da parte dos motoqueiros quanto dos carros. Também caminhões, todo mundo”, relata.
Segundo ela, há ainda o problema da falta de iluminação no interior da estrutura no período da noite. A falta da estrutura agrava os riscos para os condutores, mas também amedronta pelos riscos relacionados à criminalidade.
“Eu passo à noite, geralmente de moto, mas também de ônibus. Eu acho que a iluminação é bem baixa. Isso é um problema também nas paradas de ônibus aqui perto. Você sempre fica com medo”, diz.
Ela ainda aponta que, em dias de chuva, a situação se torna ainda mais crítica. “Quando chove, a avenida alaga, é muito perigoso, é escorregadio”, completa.
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Na manhã desta segunda-feira, 29, inclusive, motociclistas se acidentaram na av. Governador Parsifal Barroso após saírem do túnel. Conforme a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), agentes concluíram que a derrapagem teria ocorrido por causa da pista molhada, já que houve uma breve chuva momentos antes.
Pintado no chão está a indicação de que a velocidade limite da via é de 40 km/h. O vendedor ambulante de lanches Raimundo Nonato, 50, que trabalha na região, relata que a velocidade excessiva é comum.
“Não obedecem. Os motoristas costumam passar aqui em alta velocidade. E o barulho é grande. Eles ultrapassam o limite. Já teve mortes aqui. Eu acho que não tem fiscalização”, diz Raimundo.
Ele também destaca a ausência de iluminação adequada. “No geral, é tudo escuro. Falta iluminação. É um perigo também para o pessoal que faz caminhada”
Contatada pelo O POVO, a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) informou que, de janeiro a novembro, foram realizados 121.280 atendimentos em iluminação pública na Capital, representando uma média de 363 atendimentos por dia.
A pasta reforça que solicitações e denúncias devem ser registradas pela Central 156, por telefone ou aplicativo, ou nas Centrais de Acolhimento das Secretarias Regionais.
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