Terceirizados da UFC param por atraso de salários

Terceirizados da UFC param por atraso de salários

Paralisação atinge entre 600 e 650 trabalhadores e impacta serviços nos campi Benfica, Pici e Porangabuçu; movimento segue sem previsão de encerramento
Atualizado às Autor Isabella Pascoal Tipo Notícia

Trabalhadores terceirizados que prestam serviço à Universidade Federal do Ceará (UFC) iniciaram, na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, uma paralisação das atividades nos três campi da instituição em Fortaleza.

O movimento envolve entre 600 e 650 funcionários e ocorre em protesto contra o atraso no pagamento do salário de dezembro e de benefícios como vale-alimentação, vale-transporte e cesta básica.

A paralisação atinge diretamente o funcionamento da universidade e, segundo o Sindicato dos Empregados em Asseio e Conservação do Estado do Ceará (Seaconce), não há previsão para o encerramento do movimento.

Os trabalhadores afirmam que só retornam às atividades após a regularização de todos os valores em atraso.

De acordo com Josenias Gomes, integrante da diretoria do Seaconce e representante da categoria, os trabalhadores são vinculados principalmente à empresa LDS, além das empresas Solução e Florart, todas responsáveis por serviços terceirizados na UFC.

"A ampla maioria dos trabalhadores é da empresa LDS, mas também temos trabalhadores da Solução e da Florart. No caso da Solução, foi pago apenas o valor da alimentação na última sexta-feira, mas ainda há pendências de salário e cesta básica. Já as outras empresas devem a totalidade dos benefícios e o salário", afirmou.

A paralisação iniciou-se após uma tentativa frustrada de negociação com a administração da universidade. Segundo o sindicalista, na última sexta-feira houve uma reunião com o superintendente de infraestrutura da UFC, Renato Guerreiro, na qual o sindicato propôs um regime de revezamento para minimizar os impactos.

"O sindicato propôs liberar todos os trabalhadores no sábado e, na segunda-feira, manter apenas 30% em atividade. Inicialmente houve concordância, mas no final do dia de sexta-feira a proposta foi negada. Diante disso, não restou alternativa senão a paralisação", explicou Josenias.

"Nos três campi de Fortaleza e também no interior, como em Crateús, os trabalhadores estão parados", destacou.

Segundo o sindicato, os atrasos salariais não são pontuais. Josenias Gomes afirma que o problema se arrasta há anos, desde quando os trabalhadores ainda eram vinculados à empresa Criart, do mesmo grupo econômico da LDS.

"Em 2025, só esse ano, foram cerca de seis atrasos de salário. Agora, em 2026, o que está em atraso ainda é o salário de dezembro. É uma situação recorrente", denunciou.

Além da paralisação, o Seaconce informou que está recolhendo documentação dos trabalhadores para ingressar com ações judiciais contra as empresas.

"Estamos cobrando multa por atraso de salário, alimentação e cesta básica, além de tentar a rescisão indireta, já que há uma tendência clara de descumprimento da convenção coletiva", afirmou o dirigente.

O sindicato afirma que aguarda a liberação dos pagamentos entre esta segunda e terça-feira. Caso isso não ocorra, a paralisação será mantida por tempo indeterminado.

"A expectativa é que o dinheiro saia até amanhã, mas, se não acontecer, a paralisação continua" reforçou.

UFC divulga nota sobre paralisação dos terceirizados no Ceará

Em comunicado, a UFC informa ter conhecimento de que algumas empresas que prestam serviços à universidade têm encontrado dificuldades para o cumprimento de suas obrigações, o que impactou o pagamento de salários e benefícios de colaboradores terceirizados.

Segundo a nota, a situação é agravada devido às limitações orçamentárias e financeiras enfrentadas, típicas do início do ano, devido a ajustes burocráticos necessários durante a transição entre os exercícios financeiros.

"A universidade está acompanhando atentamente a situação e adotando as providências administrativas cabíveis para regularizar a situação o mais breve possível", complementa.

Conforme a instituição, porém, trata-se de uma conjuntura transitória, cuja solução depende da normalização no fluxo de recursos oriundos do Ministério da Educação (MEC).

A expectativa da UFC é que, nos próximos dias, ocorra a regularização dos empenhos e pagamentos pendentes.

Mas, em contraponto ao que dizem os trabalhadores, em reunião realizada entre a Superintendência de Infraestrutura da UFC (UFC Infra) e os trabalhadores, na manhã da última sexta-feira, 9, a paralisação foi suspensa.

"A UFC reafirma seu compromisso com a responsabilidade administrativa, a transparência e o cumprimento das obrigações assumidas, mantendo diálogo permanente com as empresas contratadas e com os colaboradores terceirizados até a normalização dos pagamentos."

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