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Economia
NOTÍCIA

Trabalhadores da construção civil realizam protesto por melhores condições de trabalho durante pandemia

Movimentação é articulada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza e crítica autorização para setor manter atividades durante lockdown

Alan Magno
10:35 | 05/03/2021
Trabalhadores da construção civil de Fortaleza e Região Metropolitana realziam protesto cobrando melhores condições de trabalho e pedindo prioridade na vacinação contra Covid-19 (Foto: Fabio Lima)
Trabalhadores da construção civil de Fortaleza e Região Metropolitana realziam protesto cobrando melhores condições de trabalho e pedindo prioridade na vacinação contra Covid-19 (Foto: Fabio Lima)

No primeiro dia de lockdown em Fortaleza, trabalhadores da construção civil realizam protestos pelas ruas da Capital cobrando melhores condições de trabalho durante a pandemia. Movimentação é articulada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF) e critica autorização para setor manter atividades durante a suspensão de serviços não essenciais na Cidade, frente ao aumento da disseminação da Covid-19.

A manifestação teve início na manhã desta sexta-feira, 5, e seguirá até o início da tarde, passando pelas principais grandes obras em andamento na Capital. O ato começou seu percurso no bairro Presidente Kennedy, se deslocou para a avenida Beira Mar e então ocupou a Praça Portugal por volta das 10h da manhã. "Vamos seguir para até depois do palácio do governo estadual. Vamos passar por todos os grandes canteiros de obra para tentar sensibilizar a categoria sobre a importância desse ato para vida", completou Francisco Roberto, secretário de finanças do sindicato. 

Confira fotos e vídeos do protesto realizado por trabalhadores da construção civil em Fortaleza neste primeiro dia de lockdown na Capital


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“Não dá para gente voltar ao trabalho, botar a economia para andar enquanto a grande maioria de nós trabalhadores está se contaminando, estamos morrendo”, frisa o membro do sindicato que organizou o protesto. Ele pondera que, de acordo com levantamento feito pela entidade, cerca de 150 trabalhadores da construção civil na Região Metropolitana de Fortaleza morreram vítimas da Covid-19.

Ocupando a frente dos canteiros de obras com carros de som e um porta-voz, o sindicato tece criticas a política de vacinação implementada, que não elege os trabalhadores do setor em nenhum dos grupos prioritários para receber o imunizante. "Somos muitos e construímos a riqueza desse país, nós não podemos nos dar ao luxo de sermos uma categoria essencial para produzir a riqueza, mas na hora de receber a vacina, somos os últimos. Queremos a vacina já!", pondera a mensagem divulgada durante o protesto.

O STICCRMF criticou ainda a lentidão do governo federal na aquisição de vacinas e ponderou ser necessário a união da categoria e dos demais cidadãos para pressionar as entidades governamentais para acelerar o processo de imunização no Brasil. "Vacina já e Fora Bolsonaro", completa a mensagem divulgada durante os protestos.

“A situação não tá fácil. Sem falar na grande maioria que tá se contaminando nas obras e contaminando a família em casa”, desabafa. Francisco detalha ainda que o protesto busca cobrar ações mais efetivas das construtoras com relação à implementação de medidas preventivas e de proteção para os funcionários da categoria.

O desejo dos trabalhadores, segundo Francisco é “voltar ao trabalho e voltar a mover a economia, mas com segurança e com garantia”. Ele pondera ainda que o sindicato tem mantido uma articulação com a parte patronal pedindo a distribuição recorrente de máscaras, kits de proteção, álcool em gel para que os trabalhadores possam ter meios para evitar a contaminação pela Covid-19.

“E mais, caso algum trabalhador seja infectado, queremos que não seja descontado nenhum centavo dos trabalhadores, porque a culpa não é deles”, frisa ao destacar a seguridade financeira e social como parte das reivindicações da categoria.

O POVO buscou contato com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE) para questionar sobre as reivindicações dos trabalhadores. Em nota, o sindicato patronal pontuou que cumpre “rigorosamente” todas as orientações das entidades de saúde com relação a medidas protetivas contra a Covid-19, bem como as recomendações do decreto de isolamento em vigor.

O distanciamento social, o uso de máscaras e a disponibilização de água, sabão e álcool em gel para higienização das mãos estão dentre as ações adotadas em todos os canteiros de obra, segundo o Sinduscon. Entidade declarou manter “a segurança e saúde de nossos trabalhadores acima de qualquer questão, sempre respeitando a legislação e os protocolos vigentes”.

Diante das críticas feitas pelos trabalhadores, o sindicato empresarial do segmento ponderou monitorar através de pesquisa interna os casos de covid-19 nos canteiros de obras, como forma de garantir a segurança dos funcionários. Dentre 6946 trabalhadores, de 98 canteiros ativos em Fortaleza, o Sinduscon identificou que, entre julho do ano passado e 10 de fevereiro deste ano, 320 foram diagnosticados com Covid-19 e que na Capital, apenas um morreu devido a doença. 


Com informações do repórter Ítalo Cosme

Lockdown em Fortaleza

Fortaleza entrou em 14 dias de lockdown a partir de sexta-feira, 5 de março (05/03). Na quinta, 4, o decreto com as regras sobre o que funciona na Cidade foi divulgado. O isolamento social rígido vale a partir de sexta-feira, 5 de março (05/03) até 18 de março (18/03).

Veja as regras para as várias atividades:

Entenda o novo lockdown decretado em Fortaleza

O lockdown em Fortaleza começa a partir da meia-noite (0 hora) de sexta-feira, 5. É a segunda vez que o confinamento é adotado na capital cearense. A medida foi anunciada na noite de quarta-feira, 4, em pronunciamento nas redes sociais, pelo governador Camilo Santana (PT) ao lado de José Sarto (PDT), prefeito da cidade, e do secretário da Saúde do Estado, Dr. Cabeto.

No novo decreto, os setores da indústria e da construção civil foram considerados essenciais pelo Governo do Estado e, portanto, não devem ter as atividades interrompidas. Durante o período, a serem mantidas as regras anteriores, academias e igrejas não podem abrir ao público. Serviços e estabelecimentos poderão funcionar desde que exclusivamente por serviço de entrega, inclusive por aplicativo.

A medida ocorre após a imposição de dois toques de recolher. O primeiro limitou a circulação entre 22h e 5 h em todo o Estado. Depois, as autoridades estaduais ampliaram a restrição para o período de 20h às 5h, durante a semana. Aos fins de semana, a proibição começava mais cedo.

Apesar do lockdown em Fortaleza, também adotado por outros municípios, todo o Estado segue sob o decreto que impõe toque de recolher, reduz o horário de funcionamento de estabelecimentos e limita a circulação nos espaços públicos.

Vídeos sobre o lockdown em Fortaleza

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