Maioria dos açudes do Ceará está com 50% ou menos da capacidade

Apenas 18% dos reservatórios no Ceará está em situação "muito confortável", com mais de 70% do volume ocupado; três a cada dez açudes estão abaixo de 30%

10:09 | Jan. 25, 2026

Por: Bemfica de Oliva
Açude Caldeirões, em Saboeiro, único no Ceará acima de 90% da capacidade (foto: Nívia Uchoa / Casa Civil / Governo do Estado do Ceará)

Mais da metade dos açudes do Ceará está com 50% ou menos da capacidade ocupada. Os dados são do Portal Hidrológico do Ceará, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

Dos 144 reservatórios do Estado, 75 estão abaixo da metade do volume total. A cada dez açudes cearenses, três está com menos de 30% da capacidade — 43 dos 144 estão nesta situação.

Entre os com melhores condições, 26 (18% do total) estão acima de 70% do volume. Nenhum açude cearense está sangrando, e apenas o reservatório Caldeirões, em Saboeiro, na bacia hidrológica do Alto Jaguaribe, está com mais de 90% da capacidade ocupada.

Situação dos açudes no Ceará e previsão da quadra chuvosa

A quantidade de açudes em situação crítica ou muito crítica acende alerta ao se considerar as projeções de chuvas para o Estado. Para janeiro, a expectativa da Funceme é de chuvas irregulares, mal distribuídas, e abaixo da média histórica.

Nos três primeiros meses da quadra chuvosa, que vai de fevereiro a maio, o cenário também é preocupante. Ainda de acordo com os dados da Funceme, a probabilidade de precipitação abaixo da média é de 40%.

Os profetas da chuva, que avaliam sinais da natureza para fazer previsões sobre as chances de um "inverno" satisfatório, também têm poucas expectativas para a quadra chuvosa. No encontro anual do grupo, realizado em Quixadá no começo deste mês, o prognóstico foi de um período "de fraco a intermediário".

Maiores açudes do Ceará apresentam redução no volume

Com as chuvas fracas, o uso das reservas de água do Estado tende a aumentar. Com isso, quatro dos cinco maiores açudes cearenses terminaram o ano de 2025 com volume abaixo do registrado em dezembro de 2024.

Destes, apenas o reservatório Orós, segundo maior do Estado, teve aumento no volume acumulado. O Orós chegou a sangrar em 2025, ficando em 100% da capacidade de abril a julho do ano passado. Atualmente, o açude está com cerca de 71% do volume.

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