ET de Varginha: tudo o que se sabe hoje sobre o caso que virou lenda
30 anos após suposto encontro com criatura não humana, caso do ET de Varginha segue sem conclusão oficial, entre versões conflitantes e novos depoimentos
O caso conhecido como ET de Varginha atravessou quase 30 anos sem uma resposta definitiva e permanece como um dos episódios mais emblemáticos da história recente do Brasil.
Misturando relatos de testemunhas, investigações militares, controvérsias e revisitações documentais, o episódio transformou a cidade do Sul de Minas em referência mundial quando o assunto é ufologia, a área de estudos dedicada a objetos voadores não-identificados (OVNIs).
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Desde janeiro de 1996, o suposto encontro com uma criatura considerada “não humana” alimenta debates que vão do ceticismo absoluto à crença irrestrita.
Mesmo sem provas científicas conclusivas, o caso continua vivo no imaginário popular e, recentemente, voltou ao centro das atenções com uma nova série documental exibida em rede nacional.
A seguir, relembre os fatos e controvérsias que cercam o ET de Varginha:
O episódio que colocou Varginha no mapa da ufologia
Foi em 4 de fevereiro de 1996 que Varginha entrou definitivamente para a história da ufologia brasileira. Naquele dia, o programa Fantástico exibiu uma reportagem que narrava o encontro de três jovens com uma criatura estranha, em um terreno baldio da cidade, semanas antes.
A matéria teve efeito imediato. Depoimentos começaram a surgir, a imprensa nacional e internacional passou a acompanhar o caso, enquanto autoridades negavam qualquer ocorrência fora do comum.
O suposto ser chegou a ser apelidado pelo Wall Street Journal de “fedorento extraterrestre”, expressão que ajudou a fixar o episódio na cultura pop.
O relato das três jovens e o início da comoção
A versão mais conhecida do caso remonta à tarde de 20 de janeiro de 1996. Liliane Fátima da Silva, então com 16 anos, Valquíria Aparecida da Silva, de 14, e Kátia de Andrade Xavier, de 22, caminhavam pelo bairro Santana quando decidiram atravessar um terreno baldio.
Segundo relataram, elas se depararam com uma criatura que não se parecia com nenhum ser humano ou animal conhecido.
Liliane descreveu, meses depois, olhos vermelhos sem pupilas, pele marrom escura com aparência oleosa e ausência de boca ou nariz visíveis. O ser estaria agachado, aparentemente tentando se proteger do sol.
Assustada, Kátia gritou ao ver a criatura, enquanto as irmãs correram em pânico após o suposto ser virar o rosto em direção a elas. Ao chegarem em casa, Liliane contou à mãe que havia visto “o capeta”. A mulher voltou ao local e afirmou ter encontrado pegadas e um cheiro forte, associado a enxofre.
Na época, moradores entrevistados disseram acreditar no relato das jovens. Em poucos dias, o que inicialmente parecia algo sobrenatural passou a ser tratado como um possível caso extraterrestre por ufólogos e pela mídia.
Registros anteriores de OVNIs na região
Embora o episódio de 1996 seja o mais famoso, Varginha já aparecia em registros de fenômenos aéreos incomuns décadas antes. Um documento do Ministério da Aeronáutica, divulgado em 2017 pelo Arquivo Nacional, cita relatos de um objeto oval e prateado visto na cidade em 1971.
Segundo o relatório, o OVNI teria permanecido parado por alguns instantes em diferentes pontos, incluindo áreas residenciais e regiões próximas à Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações.
O documento também menciona o cabeleireiro Geraldo Bichara, que afirmou ter sido raptado por extraterrestres em 1962, relato que ganhou repercussão na imprensa nos anos 1990.
A investigação oficial e a versão do Exército
Diante da repercussão nacional, o Exército instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM), concluído em 1997. A investigação oficial descartou qualquer operação militar envolvendo extraterrestres e apontou que os relatos teriam sido fruto de enganos e boatos.
Segundo essa versão, as jovens teriam confundido um morador de rua conhecido como “Mudinho”, que possuía deficiência mental e estaria coberto de lama após um período de chuvas, com a suposta criatura.
O Superior Tribunal Militar liberou posteriormente o IPM, reforçando a inexistência de provas sobre captura de seres não humanos.
Ufólogos, no entanto, contestam essa explicação. Eles afirmam que as jovens conheciam o morador citado e que as descrições não correspondem à figura apresentada pela investigação oficial.
O paradeiro do suposto corpo e as hipóteses levantadas
Uma das maiores dúvidas que cercam o caso até hoje é o possível destino do corpo da criatura. Não há qualquer comprovação pública de que um extraterrestre tenha sido capturado em Varginha, mas a ausência de respostas claras alimentou especulações ao longo dos anos.
Hipóteses levantadas por pesquisadores independentes vão desde a transferência do suposto corpo para instalações militares até o envio para laboratórios no exterior. Todas, porém, permanecem sem respaldo documental ou científico.
A descrição da suposta nave e novos depoimentos
Relatos de moradores indicam que objetos voadores incomuns teriam sido vistos dias antes do encontro das jovens. Testemunhas descrevem um objeto cilíndrico, semelhante a um “charuto” ou submarino, com fumaça branca e cheiro forte, comparado a amônia ou ovo podre.
Outros depoimentos, colhidos ainda em 1996, falam de um objeto de grandes proporções cruzando o céu por cerca de 40 minutos, reforçando a ideia de que algo fora do comum ocorreu na região.
ET de Varginha: documentário que reacende o debate
Três décadas depois, a série documental “O Mistério de Varginha”, coprodução da EPTV com a Globo, voltou a colocar o caso em evidência. Dividida em três episódios de 45 minutos, a produção reúne depoimentos inéditos, documentos, áudios e imagens nunca exibidos.
Entre os destaques está o relato de um neurologista que afirma ter sido chamado para ver algo fora do comum em um hospital da cidade. Para os diretores da série, o documentário não busca afirmar uma verdade definitiva, mas apresentar as diferentes versões e lacunas que mantêm o mistério vivo.