Eliza Samudio: caso tem reviravolta com passaporte achado na Europa
Veja os detalhes do passaporte encontrado em Portugal, as ligações de Eliza com Cristiano Ronaldo e relembre um dos crimes mais marcantes do país
Quinze anos após o assassinato de Eliza Samudio, o caso ganhou uma nova e inesperada reviravolta. O Itamaraty confirmou que o passaporte da modelo foi encontrado em Portugal e entregue ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa.
Em nota divulgada nessa terça-feira, 6, o Ministério das Relações Exteriores informou que o passaporte de Eliza, já expirado e oficialmente cancelado, foi localizado em território português. O documento será encaminhado para a sede do Itamaraty, em Brasília, e ficará à disposição da família da modelo.
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou que recebeu o passaporte na última sexta-feira, 2, e que, no mesmo dia, solicitou orientações formais ao Itamaraty sobre a destinação do material. Até o momento, não há informações oficiais sobre como o documento foi parar em Portugal.
A seguir, veja o que se sabe sobre o passaporte localizado em Portugal, a aproximação de Eliza Samudio com Cristiano Ronaldo e a cronologia completa do caso.
Caso Eliza Samudio: como o documento foi encontrado
Um brasileiro que vive em Portugal afirmou ter encontrado o suposto passaporte de Eliza Samudio no fim de 2025, segundo informações reveladas pelo Portal Leo Dias.
O homem, que preferiu não se identificar, relatou que achou o documento entre livros em uma estante de um apartamento alugado onde mora com a família e outros inquilinos.
De acordo com o relato, o passaporte foi emitido em 2006 e possui todas as 32 páginas intactas. Consta apenas um carimbo de entrada em Portugal, datado de 5 de maio de 2007, sem registros de saída ou de novas viagens internacionais.
O morador disse ter ficado em choque ao reconhecer o nome e a imagem da modelo, devido à repercussão internacional do caso.
Consulado aguarda orientações de Brasília
Em comunicado enviado ao Portal Leo Dias, o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa esclareceu que apenas recebeu o documento e comunicou oficialmente o Itamaraty.
Segundo o órgão, caberá às autoridades em Brasília decidir os próximos passos, já que o caso não é de competência direta do consulado.
A nota também reforça que o consulado e a embaixada brasileira em Lisboa são postos independentes, e que qualquer definição sobre o destino do passaporte será determinada pelo Ministério das Relações Exteriores.
Caso Eliza Samudio: viagens à Europa e suposto affair com Cristiano Ronaldo
A localização do passaporte em Portugal também trouxe de volta informações sobre as viagens internacionais feitas por Eliza Samudio antes de seu desaparecimento.
A modelo esteve na Europa ao menos três vezes entre 2007 e o início de 2009, período em que teria viajado para acompanhar jogos de Cristiano Ronaldo, com quem afirmou ter vivido um breve affair.
A primeira entrada de Eliza no continente europeu ocorreu por Lisboa, em 1º de maio de 2007. O passaporte havia sido emitido em 2006 por um posto da Polícia Federal em São Paulo, cidade onde ela morava e trabalhava como recepcionista em eventos esportivos.
Segundo relatos feitos pela própria Eliza em entrevista, no ano de 2009, o objetivo da viagem era conhecer o então jogador do Manchester United. Naquele período, Cristiano Ronaldo atuava pelo clube inglês, que enfrentou o Sporting em partida válida pela UEFA.
Na ocasião, Eliza afirmou que os dois trocaram beijos e mantiveram contato por mensagens. “Foram só uns beijinhos”, disse a modelo, que chegou a exibir uma foto ao lado do atacante português, registrada poucos dias após sua chegada a Lisboa.
Eliza teria retornado a estádios onde Cristiano Ronaldo jogava em pelo menos outras duas oportunidades, entre 2008 e 2009. Na época, o nome de Eliza chegou a figurar ao lado de brasileiras como Karina Bacchi e Mirella Grisales, além de artistas internacionais apontadas como affairs do jogador.
Ao retornar ao Brasil após a primeira viagem, Eliza solicitou a segunda via do passaporte, alegando interesse em voltar à Europa.
O consulado brasileiro em Portugal informou que o documento encontrado continha apenas o carimbo de entrada no país, já que a saída teria ocorrido com autorização emitida pelas autoridades locais.
O que diz a família sobre a morte de Eliza Samudio
Maria do Carmo, madrinha de Bruninho — filho de Eliza com o goleiro Bruno — e representante legal de dona Sônia, mãe da modelo, afirmou que a família não tem qualquer dúvida de que Eliza está morta, informou ela ao g1 Mato Grosso do Sul.
Segundo ela, a repercussão do achado do documento é vista como uma “crueldade” com dona Sônia e com o neto.
Maria do Carmo declarou ainda que não sabe se o passaporte é autêntico, mas, caso seja confirmado, a família deseja ter acesso ao documento. Para os familiares, o episódio apenas reabre feridas de um crime que nunca teve o corpo da vítima localizado.
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Relembre o caso Eliza Samudio
Eliza Samudio desapareceu em 2010, aos 25 anos. Ela era mãe de um filho recém-nascido do goleiro Bruno Fernandes, então titular do Flamengo, que não reconhecia a paternidade na época. O corpo da modelo nunca foi encontrado.
Segundo a denúncia, Eliza foi levada à força do Rio de Janeiro para um sítio em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, pertencente ao goleiro Bruno. No local, ela teria sido mantida em cárcere privado antes de ser entregue a Marcos Aparecido dos Santos, que a asfixiou e ocultou o corpo.
O bebê Bruninho foi encontrado dias depois com desconhecidos em Ribeirão das Neves, também em Minas Gerais. O paradeiro do corpo de Eliza Samudio permanece desconhecido até hoje.
Em março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, além do sequestro do filho de Eliza.
Posteriormente, a pena foi reduzida para 20 anos e nove meses. Ele passou ao regime semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023, tendo inclusive retomado a carreira no futebol após deixar a prisão.
Outros condenados pelo crime
Ao todo, seis pessoas foram condenadas pelo caso. O ex-policial militar Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, foi sentenciado a 15 anos de prisão por sequestro e cárcere privado, por ter participado do rapto de Eliza no Rio de Janeiro e da condução dela até Minas Gerais. Ele já obteve progressão de regime.
Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado como o responsável pela morte de Eliza, foi condenado a 22 anos de prisão. Em julho de 2024, ele recebeu nova condenação, de 16 anos, por outro homicídio, ocorrido em Belo Horizonte em 2009.
Também foram condenados Elenilson da Silva, sentenciado a três anos em regime aberto, e Wemerson Marques, o Coxinha, condenado a dois anos e meio, também em regime aberto, ambos por sequestro e cárcere privado do filho de Eliza.
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