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Covid: o que sabemos sobre a eficácia das vacinas contra a variante Ômicron

Uma das principais preocupações a respeito da Covid-19 é se as vacinas atuais são eficazes contra a nova variante

Uma das principais preocupações com a disseminação da Ômicron é referente ao escape da nova variante com relação aos imunizantes que estão sendo aplicados contra a Covid-19. Ainda temos poucas respostas e muitas dúvidas sobre como a Ômicron vai afetar a imunização já conquistada e os rumos da pandemia. Contudo, uma coisa é certa, independentemente dos resultados mais detalhados que estão por vir, devemos continuar ampliando e reforçando a vacinação com os imunizantes já utilizados.

A biomédica Mellanie Fontes-Dutra, doutora em neurociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que "pelos dados preliminares que temos disponíveis, o escape de anticorpos neutralizantes é parcial no caso da Ômicron, ou seja, ela não escapa completamente". "Já vimos um perfil assim para outras variantes de preocupação, como a Beta, Delta e Gama, e sabemos que as vacinas seguem protegendo contra a Covid sintomática", compara a pesquisadora, que é divulgadora científica pela Rede Análise Covid-19. 

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Não obstante a necessidade de aguardar dados mais detalhados, Mellanie afirma que é plausível considerar que as vacinas "possam seguir o mesmo perfil, tendo suas particularidades". "É crucial que todos que pertencem a população alvo retornem para a 3ª dose, e que quem está com a primeira ou a segunda dose em atraso, vá buscá-la imediatamente", acrescenta a neurocientista.

O médico sanitarista Gonzalo Vecina, fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), corrobora: "Uma coisa é certa, vacina é fundamental. Temos que terminar de vacinar. Hoje, o mundo inteiro está mais do que convencido de que a terceira dose, a dose de reforço, é fundamental". O professor, que atua na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), foi entrevistado por Jocélio Leal e Rachel Gomes, no programa O POVO no Rádio, na rádio O POVO CBN, nessa segunda-feira, 6.

O que já foi dito

Nessa terça-feira, 7, Michael Ryan, o responsável pela resposta de emergência em saúde pública da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que, ao que tudo indica, as vacinas protegem os infectados de desenvolver infecção grave pela Ômicron. "Temos vacinas muito eficazes que se mostram potentes contra todas as variantes até agora, em termos de gravidade da doença e hospitalização, e não há razão para acreditar que não seja o caso", completou.

Nesta quarta-feira, 8, os laboratórios Pfizer e BioNTech divulgaram que a vacina contra o coronavírus desenvolvida pelos laboratórios é "eficaz" contra a variante Ômicron após "três doses". Isso porque a nova variante provavelmente não é suficientemente neutralizada após duas doses.

"A terceira dose fornece um nível de anticorpos para neutralizar a Ômicron similar ao registrado depois de duas doses contra outras variantes", informa comunicado. O fabricante também cita o desejo de preparar um imunizante mais adaptado à cepa do vírus até março. Contudo, ainda não há dados sobre como a AstraZeneca, Johnson & Johnson, CoronaVac e outras vacinas se comportam contra a nova variante. 

Gravidade da infecção

Nesta semana, o epidemiologista Karl Lauterbach, futuro ministro da Saúde da Alemanha, afirmou que a falta de indícios de casos graves e mortes associadas à variante Ômicron poderiam torná-la um "presente de Natal". A fala se baseia na ideia de que, por ter muitas mutações, a nova cepa seria otimizada para infectar pessoas, ao invés de matar. Fato que poderia acelerar o fim da pandemia. Contudo, a declaração foi criticada por alguns cientistas.

Gonzalo Vecina explica que o objetivo do vírus é se espalhar e não matar o hospedeiro. Quando o vírus mata o hospedeiro, ele diminui a sua chance de espalhamento. "O ideal do vírus é invadir o ser humano, se disseminar e não matar. Será que a Ômicron chegou nesse ponto de perfeição? É uma pergunta que está sendo feita. Pode ser que ela seja a última variante importante que vamos encontrar. Pode ser que não", pondera.

Mellanie Fontes-Dutra destaca que não há "dado contundente" revelando se a infecção pela Ômicron leva a uma sintomatologia diferente do que já foi observado para outras variantes. "Além de estudos como esse, também precisamos entender o quão mais transmissível ela é, por exemplo, em relação a Delta que já é uma variante com uma alta transmissibilidade, além de mais dados sobre vacinas, como de eficácia/efetividade", aponta.

A pesquisadora destaca ainda que não é o momento de flexibilizar para além do que estamos fazendo (no Brasil), tampouco realizar festividades para Natal e Ano Novo que "possam sugerir aglomerações". "Mesmo tendo notícias promissoras quanto a provável proteção das vacinas frente a esta variante, os cuidados precisam ser reforçados por todos, no dia a dia e durante os encontros familiares", diz Mellanie, citando o uso de máscaras bem ajustadas ao rosto, de preferência PFF2, somado ao distanciamento físico e a preferência por ambientes abertos e bem ventilados.

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