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Após anúncio de 100% de presença nas salas de aula, pais vacinam filhos em Fortaleza

Pessoas agendadas com a segunda dose reclamaram da distância entre o local de vacinação e sua residência. Em um dos casos, um homem disse que se deslocou do Mondubim para o Centro de Eventos
17:53 | Set. 19, 2021
Autor Leonardo Maia
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Leonardo Maia Estagiário
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Tipo Notícia

Com o anúncio da retomada da capacidade máxima nas escolas para esta segunda-feira, 20, pais redobraram a atenção para vacinar seus filhos adolescentes. Ainda que a adoção de medidas sanitárias continue sendo obrigatória, a ampliação da porcentagem de ocupação tem acendido um alerta entre os responsáveis que conversaram com O POVO na manhã deste domingo, 19, durante mais um dia de vacinação no Centro de Eventos, localizado no bairro Edson Queiroz, em Fortaleza.

Os adolescentes que se vacinaram na Capital neste fim de semana faltaram o agendamento da primeira dose e precisaram comprovar que o motivo da ausência estava entre a lista permitida pelos critérios da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A pasta permite que os fortalezenses tomem a vacina sem esperar uma nova data de agendamento se constar que estavam com diagnóstico de Covid-19, que haviam tomado a vacina contra a gripe ou que estavam em viagem a trabalho, no caso dos adultos.

Confira registros da vacinação neste domingo, na Capital:

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Entre os jovens que iniciaram o ciclo vacinal com a primeira dose da Pfizer/BioNTech nesse domingo, estava Maria Eduarda Alencar Costa, 14. Com o sorriso escapando da máscara, ela disse que teve que adiar um pouco a aplicação do imunizante porque estava doente quando foi agendada, mas garantiu que estava muito feliz por receber sua “dose de esperança”, após quase um ano e meio do início da pandemia do novo coronavírus.

Com o anúncio da suspensão da vacinação para adolescentes sem comorbidades pelo Ministério da Saúde, Maria Eduarda falou que chegou a chorar de tristeza, porque era a única do seu grupo de amigos que ainda não tinha tomado a primeira dose. Contudo, com a garantia de que o Ceará não seguiria a orientação da gestão federal, as lágrimas voltaram ao rosto da menina — desta vez, de felicidade. “Meu Deus, todo mundo tomando e eu não?! Mas quando eu vi que voltaria, eu chorei de alegria de novo, foi muito bom”, contou a menina.

Já a costureira Renata Cristina Viana, 36, disse que estava um pouco receosa em vacinar sua filha, Maria Clara, 13. A mãe relatou que havia escutado boatos de pessoas próximas sobre supostos perigos do imunizante, cujos argumentos não possuem embasamento científico, mas mesmo assim resolveu levar a jovem para se vacinar. “Agora eu tô mais calma, porque ela vai voltar às aula segunda-feira com 100% (da capacidade)”, diz a mãe. “Eu fiquei naquela: se eu não vacinar e ela adoecer por minha culpa, eu vou ficar me sentindo mal”, esclarece.

Outro que teve que enfrentar uma saga até a vacinação, por estar com sintomas no dia agendado, foi Tairon Rufino de Oliveira, 14. Sua mãe, a professora Benedita Tárcia Rufino dos Santos, conta que o adolescente estava gripado e eles tiveram que ir em um posto de saúde para conseguir um atestado médico. “Nós aproveitamos o domingo para vir até aqui (Centro de Eventos), já que não moramos próximo e a Pfizer não está sendo aplicada nos postos de saúde”, explicou. Na hora, no entanto, tudo ficou mais tranquilo. “Eu pensei que ia demorar, mas foi bem rápido... E não doeu nada, foi tranquilo”, relatou Tairon.

Segunda dose

O domingo também foi oportunidade para que várias pessoas pudessem garantir proteção mais efetiva contra a Covid-19, completando o ciclo vacinal, com a segunda dose dos imunizantes Astrazeneca/Oxford, Pfizer/BioNTech e Coronavac/Sinovac. Uma reclamação, no entanto, ficou em relação à distância entre o local agendado e a casa de algumas das pessoas que foram ao local.

O pedreiro Marcos Gledson Albuquerque Barbosa contraiu a enfermidade logo no início da pandemia e fez questão de ir ao Centro de Eventos, mesmo com a distância que teve que enfrentar para chegar ao ponto de vacinação determinado. Morador do Mondubim, já nas proximidades da Central de Abastecimento do Estado do Ceará (Ceasa-CE), ele relata que o tamanho do trajeto a percorrer chega a desanimar.

“Meu parceiro (referindo-se a um amigo que também foi se vacinar) não vinha hoje, devido à localização, mas eu passei lá e trouxe ele comigo”, explica o homem. “Tem muitos postos de saúde perto da casa da gente, se eles pudessem agendar para mais perto, eu acho que facilitaria, e o pessoal tinha mais vontade de ir”, sugeriu.

O POVO entrou em contato, na tarde deste domingo, por e-mail e telefone, com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para saber se a pasta está ciente desses episódios. A pasta disse que dará um retorno sobre a demanda nesta segunda-feira, 20.

No total, 1.065.598 fortalezenses, equivalente a 43,4% da população, já completaram o esquema vacinal, com as duas doses da vacina ou com dose única, de acordo com dados da última quinta-feira, 16, do Vacinômetro da Secretaria de Saúde do Ceará. Com pelo menos uma das doses, o número sobe para 1.963.231 — 80% do total de habitantes da Capital, conforme projeção para 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para este fim de semana, a previsão da gestão municipal é vacinar cerca de 40 mil pessoas. Nos próximos dias, a vacinação continuará com agendamento da primeira dose para a população em geral e aplicação da segunda dose. Podem se vacinar sem agendamento as pessoas que já tem mais de 40 anos e ainda não foram imunizadas com a primeira dose, assim como aquelas que já foram chamadas para a segunda dose, mas puderam comparecer ao local no dia marcado. Outros casos, como aqueles que estavam com diagnóstico de Covid-19 no dia da aplicação, podem comparecer aos pontos de vacinação, com a comprovação exigida.

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