Um mês de morte de Paulo Gustavo: relembre artistas mortos por Covid
O Brasil alcança 470 mil mortos por Covid-19, com média móvel de 1.862 vítimas por dia. Além da dimensão individual e da dor dos amigos e familiares, as diversos mortes ocorridos pela pandemia trouxeram um saldo negativo para o capital humano e artístico do País
14:49 | Jun. 04, 2021
Há um mês, os brasileiros receberam o comunicado da morte do ator Paulo Gustavo, por Covid-19. A luta contra a doença e, por fim, a morte do humorista comoveu o Brasil, revelando o carinho e admiração dos brasileiros por Paulo. A perda em questão simbolizou o cansaço e a tristeza com o acúmulo de mortes no Brasil.
Diversos artistas e amigos deram declarações de carinho e tristeza por causa da perda de Gustavo. O artista também recebeu homenagem da Prefeitura de Niterói, quando a gestão decidiu renomear uma das ruas para Ator Paulo Gustavo.
Personagens da classe política nacional como Jair Bolsonaro, Ciro Gomes e Luiz Inácio Lula da Silva lamentaram o ocorrido. Da mesma forma, o ministro Luiz Fux, abriu sessão no dia seguinte no Supremo Tribunal Federal homenageando Gustavo: "Protagonista do meio artístico".
A tristeza por mais uma morte também foi tratada durante a final do Big Brother Brasil 21. O lamento se estendeu em toda a comemoração dos participantes com o encerramento do reality e a vitória de Juliette.
Também após a morte Paulo Gustavo foi revelado diversas atuações sociais e gestos solidários do artista: quando doou R$ 500 mil em oxigênio para Manaus, R$ 1,5 milhão para caridade e ajudas para a construção de uma ala do hospital da Obras Sociais Irmã Dulce (Osid).
Atualmente, o Brasil chega a 470 mil mortos por Covid-19, com média móvel de 1.862 vítimas por dia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com informações das secretarias de Saúde. A cada acréscimo neste dado de mortes por Covid-19 no Brasil soma-se a dor de uma tragédia pessoal para familiares, amigos e colegas.
Além da dimensão individual, diversos óbitos ocorridos pela pandemia trouxeram um saldo negativo para o capital humano e artístico do país. Além de Paulo Gustavo, a falta de vacinação contra a Covid-19 levou ao óbito Aldir Blanc, Nicette Bruno, Eduardo Galvão e outros.
ALDIR BLANC
A música popular brasileira perdeu no dia 4 de maio de 2020, um de seus grandes compositores: Aldir Blanc. O artista morreu os 73 anos com uma infecção generalizada em decorrência da Covid-19. Ele estava internado no Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, desde o dia 15 de abril.
Aldir era o equilibrista da música brasileira. Entre o samba, a valsa, o frevo e o bolero, ele marcou a música popular brasileira por seu conhecimento da língua brasileira e sua afinidade com diversos ritmos.
NICETTE BRUNO
Morreu aos 87 anos de vida a atriz Nicette Bruno, vítima de Covid-19. Ela estava internada na Casa de Saúde São José, em Humaitá, na zona sul do Rio de Janeiro. Além das novelas na Rede Globo, Nicette marcou a infância diversos brasileiros protagonizando a dona Benta, no Sítio do Picapau Amarelo.
Em entrevista à revista Quem, Beth Goulart, filha de Nicette, disse que a mãe havia sido infectada por meio da visita de um parente: "Nós moramos no mesmo condomínio. Mamãe tem a casa dela e eu a minha. E ela ficou nesses 10 meses totalmente protegida, numa redoma. Mas às vezes acontecem coisas que saem do controle. Semana passada, ela recebeu a visita de um parente e ele não sabia que estava infectado e, infelizmente, transmitiu o vírus para ela", explicou.
NELSON SARGENTO
O samba perde um de seus maiores representantes, o compositor e símbolo da Estação Primeira de Mangueira, Nelson Sargento. Nelson morreu no dia 27 de maio, com complicações da Covid-19, no Rio de Janeiro. O sambista tinha 96 anos de idade e era presidente de honra da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.
Ele havia sido transferido para a UTI, com piora do padrão ventilatório e hipertensão, respirando com auxílio de máscara de oxigênio. Em nota, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) informou que “apesar de todos os esforços terapêuticos utilizados, o óbito ocorreu às 10h45”.
IRMÃO LÁZARO
Vereador e cantor gospel Irmão Lázaro (PL), faleceu em decorrência de complicações de Covid-19. Ele estava internado havia quase um mês em um hospital a cerca de 100 km de Salvador, em Feira de Santana. Lázaro possuía sucessos que marcaram o mundo gospel como "Eu te amo tanto" e "Meu mestre".
"Foi com enorme pesar que recebemos ontem a triste notícia do falecimento do nosso amigo, pastor, vereador, líder, Irmão Lázaro", escreveu a assessoria de Lázaro, na página oficial do cantor nas redes sociais. Conforme o comunicado, o óbito ocorreu por parada cardiorrespiratória decorrente da Covid 19.
EDUARDO GALVÃO
O ator Eduardo Galvão morreu aos 58 anos vítima da Covid-19. Ele estava internado no Hospital Unimed Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. Por causa de complicações, o artista estava entubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e acabou não resistindo.
Duas semanas antes, Galvão enviou uma mensagem ao ator Stepan Nercessian, falando sobre a doença: "Muito ruim isso, cara. Se liga aí, Stepan. Sai de casa não, cara. Fica ligado aí. E o medo que dá, cara. Tu não sabe se vem coisa pior. Se vai melhorar, se não vai".
Eduardo Galvão estrelou dezenas de novelas na TV Globo, como "O Salvador da Pátria" (1989), "A Viagem", "O Clone", "Despedida de Solteiro", "Paraíso Tropical", "Porto dos Milagres", entre outras. Seu trabalho mais recente na TV foi em "Bom Sucesso", em 2019. Também atuou em "Malhação", "Chiquinha Gonzaga", "Os Normais" e Casseta & Planeta, Urgente!", entre outras produções.
UBIRANY FÉLIX
Integrante do Fundo de Quintal, Ubirany Félix Do Nascimento morreu aos 80 anos de Covid-19, em um hospital no Rio de Janeiro. Um dos fundadores do conjunto musical na década de 1970, o cantor introduziu o repique de mão no samba, característica marcada nas apresentações do grupo.