Participamos do

Covid-19: Uso do capacete Elmo reduz necessidade de intubação

Resultados do uso do equipamento em hospitais das redes pública e particular mostram que em cerca de 60% dos casos pacientes não precisaram de intubação
19:23 | Mai. 05, 2021
Autor Gabriela Custódio
Foto do autor
Gabriela Custódio Repórter de Cotidiano
Ver perfil do autor
Tipo Notícia

Criação cearense, o capacete Elmo é um equipamento de respiração artificial não invasivo que tem sido utilizado no tratamento de pacientes com quadro leve ou moderado de Covid-19. Experiências tanto na rede pública quanto em hospitais privados do Ceará têm mostrado que o Elmo reduz a necessidade de intubação. Tanto no Hospital Unimed quanto no Hospital de Messejana e no Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (HELV), em cerca de 60% dos casos a intubação foi evitada.

No caso do Hospital Unimed, desde que o capacete começou a ser utilizado — em novembro de 2020 — cerca de mil pacientes fizeram uso do equipamento. Até o último dia 30 de abril, 588 deles (aproximadamente 60%) apresentaram melhora no quadro respiratório e não chegaram a necessitar da intubação. Esse resultado foi divulgado nesta quarta-feira, 5, pela Unimed Fortaleza.

No último dia 15 de abril, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) também divulgou informações sobre o tratamento no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes e no Hospital Estadual Leonardo Da Vinci. No Hospital de Messejana, há uma unidade semi-intensiva com 12 leitos em que os pacientes utilizam o capacete Elmo e são monitorados.

Seja assinante O POVO+

Tenha acesso a todos os conteúdos exclusivos, colunistas, acessos ilimitados e descontos em lojas, farmácias e muito mais.

Assine

Lá, 60% dos 75 pacientes atendidos não necessitaram de intubação e evoluíram sem internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). No HELV, de cada dez pacientes que usaram o dispositivo, seis não precisaram ser intubados. A Sesa afirma que o índice permaneceu ao longo de nove meses de utilização do aparelho.

Como o capacete Elmo funciona

O Elmo é feito de silicone e PVC e foi desenvolvido para fornecer oxigênio em alto fluxo a pacientes internados. Ele envolve toda a cabeça e fica fixado no pescoço em uma base que veda a passagem do ar. Por aplicar oxigênio e ar comprimido, o capacete cria uma pressão positiva (acima da pressão atmosférica) contínua nas vias aéreas e ajuda pacientes que estão com dificuldade de oxigenação.

Além de poder ser desinfectado e reutilizado, o equipamento é mais barato que respiradores mecânicos. Por ser vedado, ele também não permite a proliferação de partículas de vírus — o que o torna mais seguro para os profissionais que o operam. O capacete pode ser utilizado em outras doenças do trato respiratório, como gripe H1N1, pneumonia e edema de pulmão por insuficiência cardíaca, e após a extubação, além do tratamento da Covid-19.

Indicações para a Elmoterapia

Não é em todos os casos que o Elmo pode ser utilizado. Ele é indicado para pacientes com mais de 18 anos, que necessitam de oxigenoterapia e apresentam alteração na frequência respiratória. Também é necessário realizar exames de imagem e gasometria arterial — esse último, de 30 minutos a 1 hora antes do início do tratamento e novamente após 1 a 2 horas em uso do Elmo.

A coordenadora do serviço de Fisioterapia do Hospital Unimed, Débora Arnaud, explica que a realização da gasometria arterial permite avaliar a eficácia da elmoterapia. Ela pontua também que pode haver angústia no início do uso, mas que após 15 minutos a terapia passa a fluir de forma melhor.

Dúvidas, Críticas e Sugestões? Fale com a gente

Tags