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Coronavírus
NOTÍCIA

Hábitos de higiene na pandemia: das medidas rígidas às essenciais, saiba o que não se pode esquecer

Um ano após os primeiros casos da doença, especialistas apontam que algumas ações não precisam ser executadas de maneira tão extrema

Gabriela Almeida
23:01 | 11/03/2021
FORTALEZA - CE, BRASIL, 21-09-2020: Colégios Jenny Gomes em Fortaleza, que é exclusivo de ensino médio tempo integral, se prepara para volta híbrida às aulas. Colégio instalou pias para lavagem de mãos nos corredores e antes do refeitório, totens de álcool em gel e tapetes na entrada do colégio, dispensers de sabão líquido nos banhieros e dispôs as cadeiras das salas com distanciamento de 1,5m. Decreto do governo estadual prevê a volta das aulas de forma híbrida em 01/10/2020 em Fortaleza.  (Foto: Júlio Caesar / O Povo) (Foto: JÚLIO CAESAR)
FORTALEZA - CE, BRASIL, 21-09-2020: Colégios Jenny Gomes em Fortaleza, que é exclusivo de ensino médio tempo integral, se prepara para volta híbrida às aulas. Colégio instalou pias para lavagem de mãos nos corredores e antes do refeitório, totens de álcool em gel e tapetes na entrada do colégio, dispensers de sabão líquido nos banhieros e dispôs as cadeiras das salas com distanciamento de 1,5m. Decreto do governo estadual prevê a volta das aulas de forma híbrida em 01/10/2020 em Fortaleza. (Foto: Júlio Caesar / O Povo) (Foto: JÚLIO CAESAR)

Limpar superfícies com água sanitária e sabão, higienizar objetos pessoais e lavar compras de supermercados, essas são medidas de higiene que certamente você conhece. Isso porque o surgimento do vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, e a falta de conhecimento do mundo sobre o assunto gerou pânico e levou a população a tentar se proteger de forma rígida.

Um ano após os primeiros casos da doença, especialistas apontam que algumas medidas não precisam ser executadas de maneira tão extrema, mas isso significa que devemos nos relaxar? A resposta é não.

No início, a comunidade científica desconhecia o comportamento do vírus e tinha certeza apenas sobre a sua alta taxa de transmissibilidade. Foram publicadas matérias no mundo todo sobre cuidados necessários para evitar o contágio e, à essa altura, já era comum usar o cotovelo para abrir portas e higienizar qualquer objeto que vinha de fora, seguindo à risca o famoso dito popular: "todo cuidado é pouco".

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Meses depois de se completar um ano dos primeiros casos da patologia, o mundo assiste a uma segunda onda da doença atingir países como o Brasil - que tem registrado recordes de mortes, perdendo mais de duas mil pessoas por dia. O que mudou nesse segundo momento para o primeiro, contudo, foi que agora especialistas já conseguem entender melhor o comportamento do vírus e identificam quais medidas são "extremamente" necessárias para evitar a disseminação dele.

Luciano Pamplona, epidemiologista e vice-coordenador do Programa de Pós-Graduação em Patologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirma que as principais ações a serem tomadas para evitar o contágio são o uso de máscara e a lavagem das mãos com frequência. De acordo com o especialista, o vírus é de transmissão respiratória e tende a entrar no organismo por meio da boca, do olho ou do nariz.

Ou seja, além de ser extremamente importante usar máscara para evitar que gotículas de saliva carregadas com o vírus se espalhem, é fundamental lavar as mãos com sabão ou higienizá-las com álcool em gel para matar o agente patogênico. Também é necessário que se evite levá-las até os olhos, à boca ou ao nariz, para não acabar "transportando" a carga viral para dentro do organismo.

O desafio de adaptar a realidade

Mas, e todas as outras medidas de higiene que aprendemos a adotar? Segundo Pamplona, o desafio desse segundo ano pandêmico "é pegar tudo que a gente fez no começo e adaptar para uma realidade que é possível", sem "neurose" quanto aos cuidados que devem ser tomados.

O especialista explica que o vírus é intracelular, o que significa que ele só se reproduz e dura dentro de uma célula viva. Por esse motivo, a carga viral em superfícies como roupas, sacolas e demais itens pode sobreviver apenas por algumas horas, o que não exime o indivíduo de manter os cuidados necessários - mas também não faz com que seja preciso ter medo de tocar em tudo. O mais importante é lavar as mãos sempre após o contato e não encostá-las no rosto (boca, nariz ou olhos).

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Como exemplo, Pamplona cita o caso das compras feitas em supermercados, onde para alguns ainda é comum que os itens passem por processo de higienização quando chegam nas residências. De acordo com ele, é necessário apenas que o indivíduo deixe as sacolas em espaços como áreas de serviço, de quatro a cinco horas, lavando em seguida apenas os produtos que vão para a geladeira, por questões de higiene alimentar.

Outras ações, como o hábito de passar álcool 70% nos objetos e em superfícies, ou de deixar o sapato fora de casa ao entrar, devem continuar sendo executadas. O princípio a ser seguido é de que um vírus - não apenas o que provoca a Covid-19 - podem estar sendo transportados. É o caso de latinhas de refrigerante ou de cerveja, por exemplo. Elas ficam estocadas em depósitos que, segundo o especialista, podem ter a urina do rato, que causa a leptospirose se o indivíduo beber diretamente na lata suja, sem lavá-la corretamente.

A higiene como legado da pandemia

A noção de "limpeza" e de "higiene" que passaram a ser adotadas, aliás, é o legado que o epidemiologista acredita que será deixado ao mundo. "A pandemia deixa legados importantes como a compreensão da população quanto à necessidade de tomar medidas de higiene", destacou.

Quanto ao futuro, Pamplona confessa esperar que brasileiros, mesmo depois de vacinados, sigam utilizando máscaras a qualquer sintoma de doença respiratória que sentirem. O costume já é comum em países do Oriente. "Importante as pessoas entenderem que, quando alguém tiver gripado, tem que sair de casa com máscara, porque a gripe pode ser leve para você, mas não será para um idoso", pontua.

Fazendo um panorama sobre o inicio da pandemia e o momento atual, Luciano Pamplona acredita que "infelizmente" as pessoas "cansaram" das medidas de isolamento, o que leva a um relaxamento dos hábitos de higiene. "Banalizaram o número de óbitos. A gente (brasileiros) vive um momento tão grave e as pessoas insistem em sair de casa sem necessidade". Ele afirma que a melhor saída em situações epidemiológicas como a vivida pelo Brasil é evitar deslocamentos desnecessários e a consequente circulação do vírus.

(Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Ações a serem tomadas:

Utilizar máscaras : Evita que as gotículas de saliva carregadas com a carga viral se espalhem por meio da tosse ou ainda da fala, permanecendo em objetos ou entrando diretamente em vias como bocas, olhos ou narizes de outras pessoas.

Lavar as mãos: Não é necessário ter medo de tocar em tudo, mas é de extrema importância que o indivíduo sempre lave as mãos logo após o contato, com sabão e de forma adequada. Em caso de não ser possível lavá-las, é recomendado o uso de álcool em gel.

Não colocar as mãos em olhos, nariz ou boca: Pode ser que o indivíduo esqueça de higienizar as mãos e, em algum momento, leve até uma parte do rosto, transportando a carga viral direto para dentro do organismo. Por isso, além de ser importante lavar sempre o órgão é necessário evitar esse tipo de toque.

> Fazer da higiene um costume: Para o especialista não é preciso entrar em "neurose" e continuar abrindo portas com cotovelos, mas é necessário que se mantenha noções de higiene comuns, como a de que tudo que vem da rua traz cargas virais e que nunca se deve colocar algo na boca, como latinhas de refrigerante, sem antes lavar o objeto.