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Coronavírus
NOTÍCIA

Políticos condenam presença de Bolsonaro em ato deste domingo

Autoridades do Legislativo e do Judiciário, governadores e lideranças partidárias reprovaram ação do presidente; manifestações pediam fechamento do Congresso e do STF, além de intervenção militar e AI-5

Bemfica de Oliva
22:19 | 19/04/2020
Bolsonaro durante discurso contra medidas de isolamento em protesto em Brasília. Laudo do exame de coronavírus não foi divulgado até hoje (Foto: Evaristo Sá e Sérgio Lima/AFP)
Bolsonaro durante discurso contra medidas de isolamento em protesto em Brasília. Laudo do exame de coronavírus não foi divulgado até hoje (Foto: Evaristo Sá e Sérgio Lima/AFP)

Diversas figuras políticas criticaram a atitude do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de comparecer neste domingo, 19, a protesto em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília (DF). Além de desrespeitar novamente a quarentena, quebrando o isolamento social recomendado pelo próprio Ministério da Saúde, a ação foi compreendida como “antidemocrática”. A manifestação, que aconteceu em várias cidades do País e em Fortaleza terminou com a detenção de cinco pessoas, foi marcada por manifestantes pedindo o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, além de intervenção militar e do retorno do Ato Institucional nº 5 (AI-5).

Considerado o mais duro dos Atos Institucionais impostos pela ditadura militar, o AI-5 foi decretado em 13 de dezembro de 1968. Ele permitiu a cassação de mandatos parlamentares, determinou a intervenção federal em estados e municípios, suspendeu garantias constitucionais e estabeleceu a censura prévia nos meios de comunicação.

Dentre as figuras do Legislativo, o senador Álvaro Dias (Podemos-PR) afirmou que a atitude de Bolsonaro é um "estímulo à desobediência" e classificou a ação de Bolsonaro como “grave”. Disse ainda que “o presidente age como se estivesse em um parque de diversões”.

O também senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que o presidente “atentou contra as instituições do Estado democrático de direito” e ofendeu a Constituição e o Código Penal. Randolfe disse que abrirá representação contra Bolsonaro na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Camilo Capibaribe (PSB-AP), deputado federal, foi mais incisivo e afirmou que Bolsonaro estaria “preparando um golpe de Estado”. Para ele, o Brasil tem “um presidente que não governa e que na pandemia empurra o País para um genocídio”.

Túlio Gadelha, deputado federal pelo PDT de Pernambuco, criticou a aglomeração e pessoas e qualificou Bolsonaro como “um capitão genocida”, afirmando que seus seguidores formam “um governo de alucinados”.

Antiga aliada do presidente, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) disse que Bolsonaro não respeita “a democracia, as instituições e as liberdades”. Para ela, é impensável “a participação de um presidente da República em ato que pede a volta do AI-5”.

Gleisi Hoffmann, do Paraná, também deputada federal e atual presidente do PT, também criticou a atitude de Bolsonaro, durante live no Instagram acompanhada do deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR). “Fiquei estarrecida. Ele quer uma ditadura no Brasil. É de uma irresponsabilidade ilimitada”, afirmou a deputada, que disse esperar que Congresso e STF tomem posição firme sobre a situação.

Outras lideranças partidárias seguiram o tom. Bruno Araújo, presidente do PSDB, disse que Bolsonaro “coloca em risco a democracia brasileira” e que o presidente está “apoiando abertamente um movimento golpista”.

Roberto Freire, presidente do Cidadania, qualificou a ação como “uma escalada antidemocrática”, “ato criminoso contra a saúde pública” e “crime de responsabilidade”. Para ele, “o STF e o Congresso devem ficar em posição de alerta”.

O PSOL publicou uma nota de repúdio, afirmando que o presidente “não tem mais condições de seguir governando”, e considerou que sua participação no ato em Brasília “é uma grave afronta à democracia e à Constituição Federal”. A nota, assinada pelo presidente do partido, Juliano Medeiros, argumenta que o País está seguindo “sob as ameaças de um genocida”.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirmou que atos que fazem apologia à ditadura são “inaceitáveis e repugnantes”. Ele disse ainda que “o Brasil não se curvará jamais a este tipo de ameaça”.

Também entre os governadores, João Doria (PSDB-SP) classificou o ato de “antidemocrático”. Doria, antigo apoiador de Bolsonaro, tem tido embates constantes com o presidente devido a divergências sobre a condução da pandemia da Covid-19 no Brasil.

No Judiciário, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, afirmou que é “assustador” ver manifestações pela volta da ditadura. "Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve", escreveu no Twitter.

Ex-presidente pelo PSDB, Fernando Henrique Cardoso classificou de “lamentável” a presença de Bolsonaro nos atos. Para ele, “o momento é de união ao redor da Constituição”.

Com informações Agência Estado

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