PUBLICIDADE
Coronavírus
NOTÍCIA

Coronavírus contamina dois agentes penitenciários no Ceará. Um deles, está hospitalizado

São os primeiro casos entre trabalhadores do sistema prisional cearense, que está superlotado. Há duas semanas, um preso foi internado no Hospital São José infectado, também, com a Covid-19

Demitri Túlio
12:55 | 18/04/2020
Exame em detento do sistema prisional de Ceará
Exame em detento do sistema prisional de Ceará (Foto: Divulgação/SAP)

Atualizada às 20h40min

Depois da primeira contaminação de um preso pelo novo coronavírus no sistema prisional do Ceará, agora, dois agentes penitenciários estão infectados pela Covid-19. Segundo o Sindicato dos Agentes e Servidores Públicos do Ceará um deles fez o teste em um laboratório particular e o resultado foi positivo. Ele, que pertence ao Grupo de Ações Penitenciárias (GAP) e trabalha na vigilância da entrada do Complexo 2, no município de Aquiraz, está se tratando em casa. 

O outro agente penitenciário, de acordo com uma nota do sindicato da categoria dirigida à diretoria da instituição, está internado numa enfermaria do Hospital Monte Klinikum. O funcionário "fez dois outros exames. Uma tomografia que mostrou que ele está com metade do pulmão comprometido e um no coração, pois a Covid fez uma alteração de proteínas (no órgão)". 

Segundo o comunicado do sindicato, os dois exames "apontam que ele está com coronavírus. Só faltando o específico. Seria importante uma corrente de solidariedade e oração pra ele. Quem puder, manda uma mensagem no zap ou tira uma foto mostrando que está junto", informa a entidade sindical.

O homem hospitalizado trabalha na Casa de Privação Provisória de Liberdade Agente Elias Alves da Silva (CPPL4), no município de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. Como estava com tosse persistente, ao procurar socorro médico ficou internado devido os sintomas. 

Em nota enviada ao O POVO, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou apenas sobre a contaminação de um agente. Segundo a assessoria de imprensa, o rapaz infectado  “não tem contato dentro das unidades prisionais” com os presos. Na área funcionam as casas de privação de liberdade 3, 4, 5 e 6. Segundo o comunicado, “o último plantão do agente ocorreu dia 7/4 e todos os colegas que estiveram com ele realizaram testes para Covid-19. Os exames deram resultado negativo”.

De acordo com o sindicato, dos 17 agentes penitenciários , onde foi detectado o primeiro caso da Covid-19, apenas três fizeram o teste para saber se foram infectados pelo coronavírus.  

Por recomendação de uma nota técnica da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), logo após a contaminação de um preso no dia 2 deste mês, o secretário Mauro Albuquerque prorrogou por mais 15 dias a proibição de visitas sociais de familiares no sistema prisional cearense. Informação publicada, ontem, 17, no Diário Oficial do Estado.

Risco para trabalhadores e mais de 24 mil presos

No último dia 10, oito dias depois da infecção do detento na Unidade Prisional Professor José Sobreira Amorim (UPPJSA), a Sesa divulgou uma nota técnica determinado quais cuidados e alertas sanitários deveriam ser adotados no superlotado sistema prisional cearense. Hoje, são mais de 24 mil presos segundo dados do site da SAP. As estatísticas referentes ao número de detentos, na página oficial da pasta, não são atualizadas desde dezembro do ano passado.

O documento da Sesa, intitulado Orientações ao Sistema Prisional no Enfrentamento da Covid-19, reconhece que a massa carcerária enfrenta mais risco de uma contaminação pelo coronavírus do que a população fora das prisões.

“As pessoas privadas de liberdade, o ambiente de confinamento e outros locais de detenção, provavelmente são mais vulneráveis ao surto de doença por Covid-19 do que a população em geral, devido às condições confinadas por longos períodos, atuando como fonte de infecção, amplificação e disseminação de doenças”, reproduz a nota técnica da Sesa com base.

Na cela, onde o preso de 24 anos apareceu infectado na Unidade Prisional Professor José Sobreira Amorim, tinham mais 17 detentos. Eles fizeram a primeira testagem e deu negativo para Covid-19, mas iriam se submeter a outra testagem. Depois de internado no Hospital São José, o paciente recebeu alta e foi beneficiado por uma habeas corpus.

No presídio José Sobreira Amorim, segundo a última atualização da SAP, em dezembro do ano passado, havia um excedente de presos de 131,2% além da capacidade da prisão que é de 600 presos. Inaugurado em 2017, a unidade estava com 1.357 prisioneiros.

Na nota técnica, a Sesa sugere ainda que se reservem no sistema prisional espaços para quarentena e isolamento. E que seja identificados e separados os grupos de risco, presos e presas com idade igual ou superior a 60 anos, as gestantes, os portadores de doenças crônicas, cardiopatas, diabetes, hipertensão e outros casos.

Defensoria Pública pede prisão domiciliar para presos vulneráveis

Atualmente, de acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), existem 1.326 presos em algum grupo de risco no sistema prisional cearense. Baseado na informação, a Defensoria Pública do Ceará entrou com um Habeas Corpus Coletivo no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) para liberar ou transformar em prisão domiciliar a pena de quem é mais vulnerável à Covid-19. São presidiários e presidiárias com idade a partir de 60 anos ou que apresentam alguma doença crônica.

Leandro Bessa, defensor público do Núcleo de Execuções Penais (Nudep), afirma que o pedido em caráter liminar foi negado pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Agora, a Defensoria aguarda o julgamento do mérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a questão.

Por causa da negativa no TJCE, de acordo com Leandro Bessa, no último dia 3, foi feita uma petição nos autos pedindo a "tutela incidental de urgência". Os defensores solicitaram a substituição da prisão preventiva pela domiciliar. O processo está concluso para manifestação do ministro Joel Ilan Paciornik, da 5ª Turma do STJ.

Enquanto o STJ não julga, o Nuped ajuizou 314 ações individuais em favor do grupo considerado mais vulnerável à contaminação do coronavírus. "Estamos analisando caso a caso. A maioria está no regime semiaberto e pode ser antecipada a ida para o aberto. Há também a possibilidade do monitoramento com a tornozeleira eletrônica. A SAP nos informou que existem, pelo menos, dois mil equipamentos disponíveis", afirma Leandro Bessa. De acordo com o defensor público, os presos assistidos pelo Nuped são condenados, por exemplo, por crimes contra o patrimônio e tráfico de drogas.

Outras 100 ações foram ajuizadas pelo Núcleo de Assistência aos Presos Provisórios (Nuapp). Segundo o defensor Nicolai Honcy, é "preciso haver sensibilidade por parte de juízes e promotores para aplicação da tornozeleira eletrônica. Estamos falando de um lugar insalubre, com pessoas de baixa imunidade e superlotado. Nesse momento, é uma questão humanitária e para evitar uma tragédia", observa.

 

Ceará registra 3.062 casos confirmados da Covid-19 e 180 óbitos 

O Ceará registrou mais sete mortes hoje, sábado, 18 de abril (18/04), e número chegou a 162 pela Covid-19. São 2.955 casos confirmados do novo coronavírus, 208 a mais que ontem. Os números são da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), atualizados às 9h deste sábado. Nessa sexta-feira, eram 155 mortos e 2.747 casos confirmados por coronavírus. Esse foi o dia com mais novos casos da Covid-19 e com mais mortes no Ceará desde o início da pandemia. O Ceará registrou mais 20 mortes nessa sexta.

Segundo os dados da Sesa deste sábado, permanecem 86 municípios com casos confirmados no Ceará. Há 10.104 casos em investigação. A taxa de letalidade caiu para 5,5%.

O maior número de casos está em Fortaleza (2.474), seguido dos municípios vizinhos Caucaia (73), Maracanaú (62) e Aquiraz (38). A seguir vêm Eusébio e (26) e Sobral (23).

 

Coronavírus: Números do Ceará

10.104 casos em investigação

15.004 exames realizados

2.955 casos confirmados

162 óbitos

5,5% de taxa de letalidade

86 municípios com casos confirmados

Coronavírus no Brasil

O número de casos confirmados da Covid-19, causada pelo novo coronavírus, chegou a 33.682 no Brasil. São 2.141 mortes, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde desta sexta-feira, 17 de abril (17/04). São 3.257 casos confirmados a mais que no dia anterior. É o recorde de aumento de casos em um único dia. São ainda 217 mortes a mais.

Veja o mapa do coronavírus no Ceará

 

Veja a distribuição de casos no Ceará

Entenda a Covid-19

Evolução do coronavírus no Ceará

Casos de coronavírus no Ceará em 17 de abril (17/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 16 de abril (16/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 15 de abril (15/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 14 de abril (14/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 13 de abril (13/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 12 de abril (12/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 11 de abril (11/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 8 de abril (08/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 7 de abril (13/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 6 de abril (06/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 5 de abril (05/04)

Casos de coronavírus no Ceará em 4 de abril (04/04)

Em 3 de abril, eram 658 casos e 22 mortes

Em 2 de abril eram 563 casos e 21 mortes

Em 1º de abril, eram 554 casos e 9 mortes 

Em 31 de março, o Estado tinha 401 casos e 7 mortes

Casos de coronavírus no Ceará em 30 de março (30/03)

Casos de coronavírus no Ceará em 29 de março (29/03)

Casos de coronavírus no Ceará em 28 de março (28/03)

Casos de coronavírus no Ceará em 27 de março (27/03)

Casos de coronavírus no Ceará em 26 de março (26/03)

Por que se chama coronavírus?

O nome "corona" se deve à coroa de espinhos que o envolve. Esses espinhos estão envolvidos por uma camada de gordura - retirada das próprias células humanas. Ele entra nessa capa de gordura para invadir outras células. Sem esta fina capa de gordura, o coronavírus morre.

Como é a transmissão do coronavírus?

Os coronavírus são transmitidos por ar e por mucosas. O vírus sobrevive bastante tempo em gotículas de espirro e tosse. Para evitar contaminação por meio das gotículas, recomenda-se ficar a pelo menos um metro e meio de pessoas com tosse ou espirrando.

O vírus também está em gotículas aerossóis. Elas são tão minúsculas e finas que ficam suspensas no ar, e contaminam principalmente pessoas que estão em ambientes fechados com ar condicionado.

Veja as recomendações da OMS para prevenir o novo coronavírus:

Lave as mãos frequentemente

Lave as mãos regularmente com álcool em gel ou com água e sabão. O álcool e o sabão matam vírus que podem estar nas mãos.

Mantenha distância social

Mantenha ao menos um a dois metros de distância entre você e pessoas que estejam tossindo ou espirrando. O vírus do Covid-19 é transmitido por gotículas que estão nos corrimentos nasais e saliva. A distância entre pessoas com sintomas de gripe evita que as gotículas cheguem a você.

Evite ficar tocando os olhos, nariz e boca

As mãos tocam todos os tipos de superfície e podem pegar vírus. Uma vez contaminadas, as mãos podem transferir o vírus para os olhos, nariz e boca. De lá, o vírus pode entrar no organismo e adoecer você.

Cubra a boca e o nariz ao tossir ou espirrar

Quando estiver rodeado de pessoas, cubra a boca com a dobra do cotovelo ao espirrar ou tossir. Também é possível usar lenços, que devem ser descartados prontamente depois do uso - dobre-os com a parte usada para dentro, a fim de evitar que o vírus se espalhe.

Se você tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, ligue para o posto de saúde

Se você está se sentindo mal, fique em casa. Caso tenha sintomas como febre, tosse e dificuldade em respirar, ligue para o posto de saúde mais próximo. A partir da ligação, os agentes de saúde indicarão o que você deve fazer: se deve ficar em casa, se encaminharão um profissional, ou se você pode ir a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Quais os sintomas do novo coronavírus?

Os sinais do novo coronavírus se assemelham ao de uma gripe comum:

- Febre

- Tosse seca

- Cansaço

- Dificuldade para respirar em alguns casos

- Pode haver dores no corpo

- Congestão nasal

- Coriza

- Dor de garganta

- Há casos de diarreia

- Pode haver infecção do trato respiratório inferior, como nas pneumonias.

Há pessoas que não desenvolvem nenhum sintoma.

Período médio de incubação: cinco dias, com intervalos que chegam a 12 dias - período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

Acompanhe o noticiário sobre a pandemia:

Como prevenir o coronavírus

Quais são os sintomas do Covid-19, o novo coronavírus

OMS declara pandemia de novo coronavírus; entenda o que significa

Entenda a diferença entre Coronavírus, Covid-19 e Novo Coronavírus

Entenda a diferença entre quarentena e isolamento

Vacina e tratamento para o coronavírus estão próximos, diz OMS

Secretaria da Saúde cria canais de comunicação para informar sobre coronavírus

Acesse a cobertura completa do Coronavírus >