Comentário negativo sobre Oscar põe diretor espanhol na mira dos brasileiros
Oliver Laxe atribuiu indicações de filme brasileiro ao "ultranacionalismo", e fala provocou reação imediata nas redes
16:14 | Jan. 23, 2026
O clima de celebração do cinema brasileiro na corrida pelo Oscar 2026 acabou atravessado por uma declaração vinda da Espanha.
Durante participação no talk show “La Revuelta”, o diretor Oliver Laxe, 43 anos, responsável pelo longa “Sirt”, ironizou as indicações conquistadas por “O Agente Secreto”, filme de Kleber Mendonça Filho que concorre diretamente com sua obra na categoria de Melhor Filme Internacional.
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Ao comentar a forte presença do Brasil na premiação deste ano, Laxe atribuiu as nomeações ao que chamou de “ultranacionalismo” dos votantes brasileiros na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Em tom de deboche, o cineasta afirmou que, se o Brasil inscrevesse “um sapato” no Oscar, ainda assim receberia votos suficientes para ser indicado, uma fala apresentada como brincadeira, mas recebida como provocação.
A declaração ganhou repercussão imediata por ocorrer justamente no ano em que o cinema brasileiro alcança um marco histórico na premiação.
As indicações do Brasil
O filme “O Agente Secreto” soma indicações importantes, incluindo Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção de Elenco, consolidando a maior presença do País em uma única edição do Oscar.
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Já Adolpho Veloso, brasileiro que atua como diretor de fotografia, foi indicado ao Oscar pelo trabalho desenvolvido no longa-metragem "Sonhos de Trem" - lançado em novembro pela plataforma de streaming Netflix.
A resposta dos brasileiros não demorou
Sem perfis públicos nas redes sociais, Oliver Laxe viu a reação se concentrar diretamente na conta oficial de "Sirt" no Instagram, que foi tomada por comentários críticos, irônicos e recheados de referências à fala do diretor.
Emojis de sapatos, trocadilhos e alfinetadas dominaram as publicações que celebravam as indicações do filme espanhol.
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Além da indignação, muitos usuários também apontaram um erro factual na análise de Laxe.
Dos mais de 10 mil membros que compõem o corpo votante da academia, menos de 20% são de fora dos Estados Unidos, e os brasileiros representam cerca de 60 votantes, um número distante de qualquer poder de decisão isolado.
Para os internautas, a tentativa de desmerecer o desempenho brasileiro soou mais como frustração do que como crítica fundamentada.
A reação nas redes também resgatou episódios recentes envolvendo artistas espanhóis e campanhas do Oscar, reforçando a ideia de que o público brasileiro não engole provocações em silêncio.
Comentários lembraram disputas passadas, ironizaram a narrativa de “inveja” e defenderam o reconhecimento internacional do cinema nacional como resultado de qualidade artística, e não de favoritismo.
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Veja o vídeo do momento:
Oliver Laxe, diretor de ‘Sirāt’, desmerece as conquistas do Brasil no #Oscar.
“Há muitos brasileiros na Academia e nós os adoramos, mas eles são ultranacionalistas. Acho que se os brasileiros submetessem um sapato ao Oscar, todos votariam nele.”
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