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Legados do arquiteto e artista Campelo Costa são ressaltados por amigos

Pernambucano radicado no Ceará, arquiteto e desenhista Antônio Carlos Campelo Costa faleceu na noite da terça-feira, 3, aos 82 anos

Um homem irreverente, um profissional dinâmico, um artista nato. São essas algumas definições possíveis, a partir da visão de amigos e pessoas próximas, sobre o artista e arquiteto Antônio Carlos Campelo Costa, que faleceu na noite da terça-feira, 3, em Fortaleza. O pernambucano radicado no Ceará construiu vida e obra no Estado, deixando trabalhos em municípios como Fortaleza e Sobral.

Na Capital, Campelo assinou, entre outros, os projetos do edifício Raul Barbosa — inaugurado em 1980 como sede do Banco do Nordeste e onde hoje funciona a Justiça Federal, feito em parceria com Nelson Serra, José Alberto de Almeida e Carlos Costa, — e do Ibeu — também co-assinado com Nelson Serra.

Nas redes sociais da Secretaria da Cultura de Sobral — município com o qual Campelo Costa tinha forte relação, tendo sido secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente entre 2005 e 2008, e de Cultura e Turismo entre 2009 e 2012 —, a publicação de condolências pela perda do arquiteto listou contribuições dele nas construções de espaços como a Biblioteca Municipal, a Margem Esquerda do Rio Acaraú e o Parque Evangelina Saboya.

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Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Ceará, Campelo era figura marcante da vida artística, boêmia e noturna de Fortaleza. “A primeira vez que vi Campelo Costa foi numa noitada no (bar do) Anísio (reduto intelectual e cultural dos anos 1960 na Beira-Mar). Ele apareceu com suas camisas esvoaçantes e suas calças de cintura de toureiro espanhol. Fiquei maravilhado. Tinha apenas 14 anos e, quando dormi, sonhei que tinha conhecido Picasso”, escreveu o sociólogo, professor e colunista do Vida&Arte Paulo Linhares em publicação no Instagram.

“Ele foi uma pessoa que transformava os encontros em uma coisa para cima, com muita discussão, mas ele tinha um afeto que não deixava que os debates se transformassem em rusgas, em ódio”, rememora Paulo, em entrevista ao V&A. “Ele era uma figura muito cheia de esperança e paixão. A paixão pela vida era um grande traço dele”, resume.

Colega e amigo de Campelo, o arquiteto, professor e colunista do Vida&Arte Romeu Duarte destaca a parceria de vida e profissão dos dois. “Eu o conheci pela ação boêmia, artística, a primeira vez que o vi foi no Estoril, no final da década de 1970. Logo que entrei na escola de arquitetura, em 1981, fui apresentado a ele pelo Ricardo Bezerra, colega arquiteto, e desde então se iniciou uma amizade muito forte”, recupera.

Os amigos dividiram caminhadas próximas, tendo sido, ambos, presidentes do Instituto de Arquitetos do Brasil a nível nacional e estadual em diferentes períodos. Campelo presidiu o IAB-CE em 1976 e 1977, enquanto comandou o diretório nacional em 1985 e 1986.

“Era uma amizade muito forte tanto do ponto de vista político, da representação da classe, como do pessoal mesmo. Ele trabalhou comigo e eu trabalhei com ele em diversas oportunidades. A gente estava fazendo um trabalho agora, quando fomos surpreendidos (com o falecimento de Campelo). Ficamos muito sentidos, tristes”, lamenta Romeu.

“Campelo era uma pessoa que tinha uma bravura e, ao mesmo tempo, uma irreverência muito forte. O apelido dele era Bala, ele tinha uma maneira muito urgente de viver e isso transparecia na maneira como ele trabalhava, desenhava”, ressalta o amigo.

Nas redes sociais, nomes ligados ao arquiteto publicaram condolências. A governadora Izolda Cela destacou Campelo como “um dos grandes arquitetos e urbanistas do nosso estado”. “Fica sua presença na beleza da sua obra, permeada pela força de seus princípios republicanos”, escreveu ainda a gestora.

Já o ex-deputado João Alfredo Telles Melo destacou a "prosa inteligente e bem humorada" e o "sorrisão largo" de Campelo como "sua melhor tradução". "Inteligência privilegiada, sabia pensar a cidade, defendia e lutava por seu patrimônio histórico-cultural, propondo sempre soluções para os graves problemas urbanas de nossa cidade, seja quando foi secretário municipal (na gestão de Maria Luiza), seja como dirigente do IAB, onde teve atuação destacada", escreveu no Facebook.

Ex-senador e ex-secretário de Ciência e Tecnologia do Ceará, Inácio Arruda compartilhou texto onde afirma ter se tornado amigo de Campelo “desde o primeiro dia que nos encontramos”. “Um grande arquiteto e urbanista, defensor de cidades mais justas e humanas, e que esteve ao nosso lado em tantas batalhas. Um artista de diversas linguagens e grande talento, que deixa um legado extraordinário. Tanto na arte, quanto na arquitetura, Campelo foi um grande defensor da democracia e de seu país”, homenageou.

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