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Festival Varilux chega ao cinema do Dragão do Mar a partir desta quinta, 9

Festival Varilux de Cinema Francês chega ao Cinema do Dragão com 18 filmes representantes da nova produção que chega atravessada por questões sociais e políticas
18:20 | Dez. 09, 2021
Autor Marcos Sampaio
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Marcos Sampaio Editor-adjunto e crítico de música do caderno Vida&Arte
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Tipo Notícia

Duas semanas depois de estrear no Rio de Janeiro, o Festival Varilux de Cinema Francês segue a Fortaleza ocupando o Centro Dragão do Mar com 18 filmes. Enquanto parte do Brasil já se despediu dessa 12ª edição do evento, outras 11 cidades seguem com o festival de hoje, 9, até 22 de dezembro. Entre os longas-metragens selecionados, estão animações, dramas, comédias, musicais, em diferentes medidas, cada um deles atravessados por questões contemporâneas, da política à pandemia.

No Rio de Janeiro, as sessões de estreia contaram com a participação de alguns dos nomes vistos na tela. É o caso do ator Sami Outalbali, reconhecido pela participação na série “Sex Education”, da Neflix. Ele veio ao Brasil divulgar o drama de Leyla Bouzid “Uma história de amor e desejo”, em que vive um jovem de origem argelina que se apaixona por uma garota tunisiana. Mas, ao descobrir uma coletânea de poesia erótica árabe, ele passa a questionar seus desejos e sua identidade.

“É uma verdadeira sorte poder apresentar esse filme tão longe, para um lugar que eu não conhecia. Trazer esse filme é uma oportunidade. É muito rico conhecer novas opiniões, encontrar um novo o público bem diferente do que tem na Europa”, celebrou Sami que vive seu primeiro protagonista no filme.

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Tendo praticado capoeira na França, essa é a pela primeira vez de Sami no Brasil. Ele conta que o cinema fracês vem tomando uma guinada mais política, retratando o momento atual de diferentes formas. “Com o contexto francês, com coisas que estão acontecendo, o cinema está ficando mais social e político. Isso vai com a sociedade também. Na mídia, a gente está escutando sempre as mesmas coisas e o cinema se permite ser uma outra tribuna, uma outra voz pra falar e mostrar outras coisas”.

O diretor Philippe Le Guay discorda em partes, avaliando que o cinema francês sempre foi muito diversificado. Ele integrou a delegação de convidados do Festival Varilux que percorreu algumas salas de cinema cariocas para apresentar “Um intruso no porão”, thriller que aborda o antissemitismo na atualidade.

“É muito importante trazer ao Brasil por que o filme levanta muitas questões. Se eu conseguir esclarecer algumas respostas, já estou bem feliz”, comenta Philippe retornando ao País depois de três anos. “Admiro muito essa grandeza, esse sentimento de imensidade que a gente tem aqui. Quando a gente chega aqui no Rio de Janeiro, é muito bonito. Também o temperamento brasileiro, que é muito legal”.

Outro convidado vindo pela primeira vez ao Brasil é o veterano Olivier Rabourdin, protagonista do thriller “Caixa Preta”. Com mais de 70 filmes no currículo, entre pequenas e grandes participações (número que ele mesmo se impressiona), ele conta que já atuou em todo tipo de produção, filme de todos os gêneros.

Mas “Caixa Preta” tem em especial seu reencontro com o diretor Yann Gozlan. “Eu já conhecia o diretor, já tinha filmado com ele, e estava muito feliz de encontra-lo por que é um prazer filmar com ele. Ele parece muito com o personagem (principal) do Mathieu. Ele é muito perfeccionista, muito obstinado, febril. E, ao mesmo tempo, do Matheieu é uma pessoa muito doce”.

Rabourdin conta que “Caixa Preta” foi lançado na Europa durante a pandemia, entre períodos de isolamento mais rígido e reabertura. Embora o cinema estivesse ainda prejudicado pelo medo de frequentar as salas, o lançamento gerou elogios da crítica e do público, boa repercussão em festivais, e o boca a boca levou muitas pessoas a assisti-lo.

“’Caixa preta’ é um thriller e ao mesmo tempo político. Também é um filme um pouco intimista, por que é um autorretrato do diretor. É claro que na produção nacional não existem apenas obras primas. Mas, hoje em dia, vários diretores que têm demonstrado muita criatividade, inventividade e liberdade”, comemora ele, vindo pela primeira vez ao Brasil. “Se o fato de eu vir aqui fizer com que as pessoas vejam o filme, está ótimo. É o que a gente quer”.

*O jornalista viajou a convite do evento

Filmes do Festival Varilux

- "Arthur Rambo - Ódio nas Redes", de Laurent Cantet;

- "Adeus, idiotas", de Albert Dupontel;

- "A Travessia", de Florence Miailhe;

- "Caixa Preta", de Yann Gozlan;

- "Delicioso: Da Cozinha para o Mundo", de Eric Besnard;

- "Enquanto Vivo", de Emmanuelle Bercot;

- "Ilusões", de Xavier Giannoli;

- "Um Intruso no Porão", de Philippe Le Guay;

- "Nosso Planeta, Nosso Legado", de Yann Arthus-Bertrand;

- "Paris, 13º Distrito", de Jacques Audiard;

- "Madrugada em Paris", de Elie Wajeman;

- "Mentes Extraordinárias", de Bernard Campan e Alexandre Jollie;

- "Está Tudo Bem", de François Ozon;

- "Tralala", de Arnaud e Jean-Marie Larrieu;

- "Um Conto de Amor e Desejo", de Leyla Bouzid;

- "Pequena Lição de Amor", de Eve Deboise

Festival Varilux de Cinema Francês

Quando: de 9 a 22 de dezembro
Onde: Cinema do Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema)
Quanto: R$ 8 (meia) e R$ 16 (inteira), de quarta a domingo; e R$ 5 (meia) e R$ 10 (inteira) às terças. O cinema é fechado às segunda. Ingressos à venda no Ingresso.com e no local
Mais informações: variluxcinefrances.com/2021

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