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Arte de Tarsila do Amaral é celebrada em desfile da Água de Coco em SP

Desfile apresentado nesta quarta-feira, 10, no stories da Água de Coco no Instagram, revelou frutos da parceria em homenagem a uma das mais memoráveis artistas do século XX
21:32 | Nov. 10, 2021
Autor Jully Lourenço
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Jully Lourenço Repórter
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Tipo Notícia

A marca cearense Água de Coco, dirigida por Renato Thomaz, lançou hoje, 10, a coleção inspirada em Tarsila do Amaral. O desfile, transmitido on-line, de São Paulo, está no stories da marca no Instagram, plataforma onde também disponibiliza, por conta da novidade, três novos filtros "inspirados pelos elementos presentes nas obras de Tarsila", comunica. Uma prévia dos looks também foi apresentada ao público na plataforma.

O resultado, como antecipado em postagens, dá destaque a uma moda praia, chique e casual, característica do DNA da Água de Coco — etiqueta criada pela empresária Liana Thomaz, há mais de 30 anos —, embebida pela arte inconfundível de Tarsila; considerada uma das mais notórias do século XX.

A artista (1886 – 1973), integrante do movimento modernista no Brasil, é autora de um "império" da cultura. Por conta deste seu legado, ecoado no mundo todo e cuidado pela sobrinha neta de Tarsila, a Tarsilinha, partem diversas homenagens, da moda, inclusive. "Taí a obra dela, mostrando para o mundo inteiro a brasileira que ela foi", disse Liana, minutos antes da apresentação iniciar, em um endereço com identificação "Galeria Água de Coco", em sua menção.

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Biquínis, saias com amarração estilo pareôs, versáteis, assim para tops, lenços, e vestidos com textura e fluidez são algumas das peças da nova curadoria, também desenvolvida "tela em branco" para estampas exclusivas. Entre as versões produzidas pela marca nascida no Ceará está a personalização do seu batismo: "Água de Coco". Surge em pinceladas, como uma aproximação — mais íntima e autoral — com o "feito à mão" de Tarsila, na passarela, evidenciado com cara e frescor do "beachwear couture".

Cartela de cores vivas seguiu as mesmas utilizadas pela pintora em suas obras, predominância de cores neutras — valorizando o traço do desenho da artista replicado em alguns modelos —, verde, laranja, amarelo, azul. Cores que logo identificam importantes obras deixadas por Tarsila, duas delas: "Abaporu", de 1928, uma das mais repercutidas, esculpida em joias (de uma coleção limitada da Osklen) e em itens de uma coleção recente da Melissa Studio; e "Antropofagia", concebida um ano depois.

A fala da mulher e artista modernista também inspirou o pensamento da marca para a realização das peças. Nenhum artista poderá escapar à influência do meio, às ideias da sua época” é uma frase de Tarsila celebrada em meio ao lançamento dos novos designs, mesclando ambas as assinaturas.

O desfile nesta quarta, mostrando-se diverso, com a inclusão de diferentes biotipos, foi composto por Caroline Trentini, que apareceu na abertura e encerramento, Renata Kuerten, Gianne Albertoni, Barbara Berger, entre outras. Também desfilaram as influenciadoras Lívia Nunes Marques e Thai de Melo Bufrem. Thai, formada jornalista, esteve à frente dos bastidores do evento compartilhados no stories da marca.

A beleza foi de Hero Rodrigues. "A beleza, ela vem super 'fresh'. A gente fez uma pele super hidratada, corrigida, apenas corretivo, não tem base, vamos deixar as meninas super naturais, aí tem esses tons terrosos nos olhos, blushizinho coradinho, uma boquinha saudável, e é isso, lindas e naturais.", comentou.

Atenção também aos cabelos, "ora solto, ora preso, faz referência ao penteado particular de Tarsila, realçando o brilho e naturalidade", pontuou uma publicação da marca.

Várias Tarsilas

Esta não é a primeira vez que o legado da pintora é transformado em desfile para a passarela. Em 2017, a Osklen, leia-se Oskar Metsavaht, uma das principais cabeças hoje pensando sobre futuro da moda e sustentabilidade no País, propôs algo semelhante. Com Aira Ferreira, modelo cratense no casting (termo, na moda, para designar elenco ou grupo de modelos para uma ação artística e/ou comercial), enfileirou seus looks todos com motivo Tarsila.

O evento, à época, integrou a programação do São Paulo Fashion Week (SPFW) sendo acompanhado in loco pelo O POVO. Após a apresentação, realizada no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, a coleção ganhou o mundo. Ficou exposta, em fevereiro do ano seguinte, no Museu de Arte Moderna de Nova York, conhecido como MoMA.

Mais recentemente, em setembro último, a Melissa Studio, de grandes parcerias internacionais — Vivienne Westwood e Viktor & Rolf entre elas —, anunciou sua colaboração com a "marca" da artista brasileira; sua visão eternizada por seus trabalhos ao decorrer dos anos 1920. Ainda no mercado, ofereceu bolsas e sandálias, estas, para o público infantil — "A Cuca" (1924) é uma das representações detalhada em 3D —, e adulto.

O lançamento veio à tona com a "presença" de Tarsila entre os nomes de nova exposição no Museu de Arte de São Paulo (Masp) Assis Chateaubriand, que, de abril a julho de 2019, também abrigou "Tarsila Popular". Segundo noticiou a "Folha", foi a mais vista da história do local, ultrapassando os 400 mil visitantes. Detalhes ainda podem ser acessados neste link. Foram reunidas 92 obras da artista, para se ter ideia de sua grandiosidade.

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