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Amy Winehouse: lembre a história e a influência da cantora

No dia 23 de julho de 2011, morria Amy Winehouse em decorrência do abuso de drogas. Cantora deixou somente dois álbuns em vida, mas marcou uma geração de fãs e artistas

10:00 | 24/07/2021
Amy Winehouse faleceu há uma década, aos 27 anos (Foto de Ben STANSALL / AFP) (Foto: Ben STANSALL / AFP)
Amy Winehouse faleceu há uma década, aos 27 anos (Foto de Ben STANSALL / AFP) (Foto: Ben STANSALL / AFP)

Basta começar o primeiro verso para qualquer pessoa identificar que quem canta é Amy Winehouse. Em qualquer lugar, é provável que a maioria dos ouvintes consiga entoar as músicas com ela. Até mesmo aqueles que falam pouco em inglês pelo menos murmuram no ritmo ao escutar “They tried to make me go to rehab, but I said no, no, no” ou “We only said goodbye with words. I died a hundred times. You go back to her and I go back to black”.

A cantora faleceu há uma década, no dia 23 de julho, quando tinha somente 27 anos. Teve uma carreira meteórica em decorrência de seu vício em drogas e de sua morte precoce, mas foi o suficiente para consagrá-la como uma das grandes vozes de sua geração.

Começou como quase todos os artistas: em clubes noturnos e bares em Londres, cidade em que nasceu e morou. Mas sua carreira autoral despontou com o disco de estreia “Frank” (2003), após chamar atenção dos profissionais da grande gravadora Island Record.

O álbum de 13 faixas revela importantes traços de seu estilo musical, que mistura jazz e hip hop. Também trouxe instrumentos que estavam esquecidos nos gêneros populares da época. Os metais, como os trompetes e trombones, voltaram a ser escutados nas rádios em um período que Outkast, 50 Cent, Jennifer Lopez, Beyoncé e Eminem dominavam as paradas musicais.

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“A importância da Amy Winehouse para a música deve-se mais ao fato do resgate que ela fez daquela estética dos anos 1950 e 60 nos arranjos. Isso acabou criando um novo estilo, com jovens que foram trazer de volta a música com metais, com a banda tocando mesmo, ou seja, com uma coisa mais retrô. Em uma época que todo mundo estava usando sample e música eletrônica, ela veio na direção contrária”, avalia o guitarrista e produtor musical cearense Mimi Rocha.

Em “Frank”, ainda é possível notar sua ironia, que é lembrada e reverenciada até hoje. “Fuck Me Pumps” fala por si só: “Porque vocês todas são iguais/ Todos sabem seu nome/ E essa é toda sua busca pela fama/ Nunca perde uma noite/ Porque o sonho da sua vida/ é ser esposa de um jogador de futebol/ Você não gosta de mulherengos/ é o que você diz/ Mas você não se importaria com um milionário”.

Outras do álbum já são mais intimistas, como “You Sent Me Flying”, “I Heard Love Is Blind” e “Take The Box”. No total, 13 faixas foram divulgadas e ganharam grande repercussão.

Entretanto, consagrou-se três anos depois com “Back to Black”. O segundo - e último - disco da cantora em vida traz referências que não foram vistas no primeiro lançamento. Desta vez, ela adicionou mais soul music e R&B. Esses gêneros estão em “Rehab”, “Back to Black”, “You Know I’m No Good”, “Love Is A Losing Game”, “Tears Dry On Their Own” e outras. Na época, ela recebeu cinco troféus no Grammy’s pelo trabalho.

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Depois do primeiro álbum, os tabloides internacionais já repercutiam as consequências de seu vício em múltiplas drogas e seus transtornos alimentares. No início, ela recusou tratamento, mas, em 2008, afastou-se da carreira para receber auxílio médico.

Apesar das tentativas e de ter passado por períodos de abstinência, faleceu em 2011, aos 27 anos, por abuso de substâncias químicas. Assim entrou no já famoso “Clube dos 27”, que reúne artistas que faleceram nesta idade principalmente por causa do uso excessivo de drogas. Ao lado dela, estão nomes como Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Jimi Rendrix.

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Após falecer, sua gravadora ainda lançou o álbum “Lioness: Hidden Treasure” (2011), um compilado de gravações que sobraram dos discos anteriores, participações em outros projetos e canções não finalizadas. Há covers de “Garota de Ipanema”, “Valerie” e “A Song For You”. Também há originais como “Tears Dry”, “Like Smoke” e “Between The Cheats”.

“O legado que fica é de uma artista ousada que inovou, de uma certa forma, ao reciclar um estilo que estava fora de moda, que era o soul music e o jazz também”, comenta Mimi Rocha.

Já a cantora cearense Leticia Ibiapina, que começou na carreira musical fazendo tributos à britânica, comenta: “Acho que a Amy deve ser lembrada como uma pessoa autêntica, uma pessoa que criou sua própria identidade, que fez sua própria música do jeito que ela queria. A identidade dela era muito forte. Hoje em dia, tem muito mais do mesmo, mas Amy tinha originalidade”.

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Depois de Amy Winehouse

Mesmo com uma carreira curta, Amy Winehouse foi responsável por pavimentar o caminho para uma geração de novos artistas. Aqui no Ceará, por exemplo, a cantora Letícia Ibiapina iniciou sua trajetória musical há quatro anos com tributos à autora de “Rehab”.

“Foi fácil escolher alguém para fazer o tributo, porque era a única cantora que eu realmente sabia cantar todas as músicas dos dois álbuns. Hoje em dia, eu sei bem mais de outros cantores e de outras bandas. Mas a Amy sempre foi muito importante para mim nesse sentido”, lembra.

Entre as principais referências que adquiriu com a britânica, está a técnica vocal. “O jeito de cantar e o inglês dela são muito únicos, sabe? O jeito que ela canta tem muita influência sobre a forma que eu canto, me referencio muito nela. Fora que o soul e o jazz estão presentes na música dela e são meus estilos favoritos”, pontua.

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Ela, que conheceu as canções de Amy quando ainda era nova, até hoje coloca suas composições no repertório, mesmo quando o gênero não é similar. “Eu sempre procuro colocar músicas da Amy porque sei que agrada muito, tanto a mim, quanto às pessoas. Porque ela realmente conseguiu um público muito vasto e plural também. É muito difícil você perguntar para uma pessoa e a pessoa não gostar de Amy. Eu nunca vi, de verdade”.

Para Letícia Ibiapina, o legado que a cantora deixou foi, principalmente, a autenticidade. “Ela era tão autêntica que outros músicos passaram a ser mais autênticos depois que a Amy existiu. Acho que autenticidade e identidade na hora de fazer e compor uma música é tudo, porque você só se destaca hoje em dia se for diferente. Mais do mesmo todo mundo faz”, avalia.

A cearense Nayra Costa, influenciada por um amigo, também começou a cantar Amy Winehouse em meados dos anos 2000. Quase uma década depois, ela ainda faz muitos shows especiais. “A influência que ela tem na minha carreira é de fazer minhas músicas, de me inspirar em poesias como as dela”, afirma.

“Ela é bem eclética, canta jazz, reagge, R&B e soul, assim como eu”, diz. Para ela, a artista deve ser lembrada como uma grande cantora, “por falar verdades em sua música e por sua identidade não apenas musical, mas como persona forte”.

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