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Dia dos Namorados: histórias felizes de aplicativos de namoro

O Dia dos Namorados, celebrado neste sábado, 12, acontece outra vez em meio à pandemia. Como o isolamento social é o recomendado, conheça histórias de pessoas que se conheceram por aplicativos de relacionamento

11:00 | 12/06/2021
Davi Simonetti e Thalia Sombra se conheceram no ano passado pelo Tinder (Foto: Arquivo Pessoal)
Davi Simonetti e Thalia Sombra se conheceram no ano passado pelo Tinder (Foto: Arquivo Pessoal)

Existem poucas opções para os solteiros durante o isolamento causado pela pandemia do coronavírus. Sem a possiblidade de sair de casa para conhecer novas pessoas, uma das únicas maneiras de buscar relacionamentos amorosos acontece por meio da internet. As redes sociais, como o Instagram e o Twitter, servem como espaços para o início de uma paquera. Mas o lugar ideal continua sendo aplicativos de namoro, que possibilitam encontrar desconhecidos.

Muitos famosos - e até pessoas comuns - terminaram seus casamentos e namoros nestes dois últimos anos. Entretanto, a situação também foi propícia para o início de outras relações. É o caso, por exemplo, de Davi Simonetti e Thalia Sombra. Ela baixou o Tinder, um dos apps mais conhecidos, e encontrou o futuro namorado em abril de 2020.

Antes de seguir com a história deles, confira a playlist feita especialmente para este dia:

Os dois conversaram durante todo o isolamento social rígido. “A gente demorou muito para se conhecer pessoalmente. Ficamos conversando de abril até praticamente agosto. Só então nos conhecemos. Tínhamos muita vontade de nos conhecer, mas, por conta da pandemia, demoramos um pouco”, comenta Thalia.

Com a circunstância, os encontros precisaram ser adaptados: “apesar da vontade e da ansiedade para nos encontrar, tivemos muito tempo para realmente nos conhecermos. Conversamos bastante, assistimos a centenas de filmes, jogamos inúmeros jogos, maratonamos animes e tivemos ate encontros on-line”.

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Davi Simonetti e Thalia Sombra se conheceram após meses conversando durante a pandemia
Davi Simonetti e Thalia Sombra se conheceram após meses conversando durante a pandemia (Foto: Arquivo Pessoal)

Nas primeiras vezes que se viram presencialmente, o local também foi diferente do comum: eles estavam na cozinha para produzir e entregar os bolos que Thalia faz no dia a dia. “Nossos primeiros encontros foram na cozinha e, depois das entregas, comendo pizza e vendo filmes para descansar. Até hoje ele me ajuda com os bolos e as entregas”, diz.

Ela comenta que já tinha experiências anteriores com o Tinder e baixou novamente durante a pandemia para conversar com novas pessoas e se entreter dentro de casa. “Quando baixei de novo na pandemia, não esperava que fosse me apaixonar por ninguém, só queria matar o tempo. Mas passamos tanto tempo conversando que criamos um laço de amizade que evoluiu para um namoro. Ele não tinha essa intenção direta, mas estava aberto para isso. O que ele não esperava era que fosse namorar com um dos primeiros matches”, indica.

Apesar de ter encontrado o namorado no aplicativo, Thalia Sombra cita vários incômodos com essas plataformas de encontro. “O que eu menos gostava era que existia uma espécie de expectativa que as pessoas, principalmente homens, tinham no Tinder. Só porque você deu like, não quer dizer que esta confirmando que quer sair e transar com aquela pessoa”, aponta.

Havia, também, situações que enfrentava porque tinha um corpo fora do padrão. “Outro ponto negativo é que muitos homens pediam fotos de corpo para saber se você é magra ou gorda. Isso sempre me fez muito mal, principalmente porque tenho um corpo 'fora do padrão', e as pessoas queriam ter certeza que eu estava dentro do padrão antes de sair comigo”, pontua.

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Outros encontros

O estudante de jornalismo Jefferson Sales conta sua história:

Foi na pandemia que, finalmente, comecei a namorar. O Wadyson nunca foi o perfil de garoto que me chama atenção. Pelo Instagram, ele começou a reagir com emojis de coração em todas as minhas publicações. Como, para mim, isso não quer dizer muita coisa, eu não continuava a “conversa”.

Até que tal dia, eu na bad, resolvi chamá-lo para sair. Ele topou? Não. Estava em aula e marcamos outro dia, mas eu fui sozinho mesmo. Sem pretensões nenhuma, o encontro aconteceu em um barzinho bem tranquilo e quase vazio devido à pandemia. Parecia um encontro normal, fui com qualquer roupa, não me preocupei com horário e foi aí que… nos encontramos pela primeira vez.

Jefferson Sales também conheceu o namorado pelo Tinder durante a pandemia
Jefferson Sales também conheceu o namorado pelo Tinder durante a pandemia (Foto: Arquivo Pessoal)

Wadyson se levantou e fiquei nervoso de tão alto que ele é, e eu com meu 1,69m. Logo nas primeiras conversas, tive a certeza que eu tinha encontrado meu par. Conversamos sobre tudo e rimos de tudo. O Wadyson é aquela pessoa que tira risada a cada minuto com piadas e memes. Saímos quatro dias seguidos e ali sabíamos que era. Com apenas duas semanas começamos a namorar.

Em um restaurante descolado, ele trouxe duas alianças e perguntou se eu queria um relacionamento sério. Aceitei. Hoje, estamos com oito meses, e já passamos por altos e baixos no relacionamento. O que eu acho lindo nele não é apenas a aparência e a inteligência, mas os planos dele para o futuro.

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Ele está se formando em contabilidade e, eu, em jornalismo. Tínhamos tudo para não dar certo porque somos muito parecidos. Já fizemos nossa primeira viagem juntos, começamos a investir em um automóvel e um apartamento. Loucura fazer isso cedo demais? Talvez seja, mas a gente vai descobrir isso junto, um ao lado do outro. Como sempre foi e sempre será.

Jefferson Sales, produtor de rádio no Grupo de Comunicação O POVO

Do Tinder para um casamento

A publicitária Úrsula Vasconcelos e o professor de violoncelo João Lage se conheceram há mais tempo, mas tudo começou com um risco que a mulher tomou. “Foi engraçado porque a foto dele era uma ilustração dele tocando violoncelo, mas resolvi arriscar”, lembra.

Ela, na verdade, até julgava um amigo que tinha conhecido o namorado pelo Tinder. “Achava que era furada total, até porque muita gente lá está sem essa intenção”, explica.

Úrsula Vasconcelos e João Lage se casam em 2022
Úrsula Vasconcelos e João Lage se casam em 2022 (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo a publicitária, encontrou várias pessoas enquanto tinha o aplicativo no celular. “Antes de encontrar o João, fiz amigos, ficantes de uma noite e alguns inimigos (sem tempo pra machistas!). Mas foi legal ter conhecido tanta gente, me deu a certeza de que o João era o certo quando o conheci”.

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Desde o primeiro contato, estão juntos há quase dois anos. E o relacionamento entre os dois deu tão certo que já estão com planos para casar em 2022.

Conheça aplicativos de relacionamento

O Tinder é um dos aplicativos de relacionamento mais famosos no Brasil. E a forma de navegação é intuitiva: arrastar o perfil para o lado direito mostra interesse e deslizar para a esquerda caso não tenha interesse.

Mas existem dezenas de apps que permitem conhecer novas pessoas. Essas redes sociais estão divididas por orientação sexual ou por interesses em comum. Confira mais:

Dois casamentos e várias amizades

A jornalista Benfica de Oliva também conta sua história de 

A primeira vez que usei o Tinder foi em 2014, após terminar um namoro de oito anos. Desde então, muita coisa no aplicativo e em mim mudou, inclusive o fato altamente relevante que eu passei de me entender um homem bissexual a uma mulher trans lésbica.

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Esse é talvez o primeiro ponto a trazer, que tive experiências de uso totalmente diferentes nos dois cenários. Do começo de 2015 ao começo de 2017, a suposição de ser um "boy padrão de esquerda universitário" me trouxe muitas... Bem, "experiências" no Tinder. Quando voltei de fato ao aplicativo, no final de 2019, já como lésbica e trans, a dificuldade de conseguir combinações e de fazer as conversas avançarem foi muito maior.

Mas o foco aqui é falar de experiências peculiares e engraçadas, portanto vamos lá. Das amizades mais próximas que tenho atualmente, literalmente apenas uma não conheci por aplicativos de relacionamento. Por óbvio, isso traz a questão peculiar de eu conhecer - intimamente - minhas amigas, mas também mostra que esses apps vão muito além da pegação, especialmente se você tem bom senso e fica além das fotos do perfil, trabalha em ter conversas significativas e não ficar só "pedindo foto de agora".

Ainda assim, isso não é garantia de muita coisa. Certa vez, após dias de papo, um "contatinho" me avisou que estava pegando o ônibus para me encontrar no bar que combinamos. Nunca mais me respondeu.

Outras vezes, funciona muito bem: estou no segundo casamento com alguém que conheci pelo Tinder, fora três outros namoros. Obviamente (e meio que por isso, importante pontuar) vem uma série de desafetos originados do aplicativo, também. Mas são os ossos do ofício.

Para casais não-monogâmicos, então, é diversão em dobro... E não, não é isso que você está pensando. Falo de poder compartilhar que tem "crush" com a pessoa que você mais ama, trocar ideias de paquera, poder reclamar quando leva "um vácuo"... E, nisso, o dia dos namorados pode incluir mais de duas pessoas. Por que não?

Bemfica de Oliva, jornalista, analista de SEO e primeira pessoa trans a trabalhar em redação de jornal no Ceará

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