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NOTÍCIA

Mensagem falsa circula no WhatsApp prometendo impedir aplicação de novas regras de privacidade

Termos de serviço da plataforma obrigarão o compartilhamento de dados com o Facebook; enviar a mensagem aos contatos, no entanto, não evita que mudanças se apliquem ao usuário

Bemfica de Oliva
21:16 | 01/02/2021
Mensagem falsa tem tom alarmista sobre novos termos de uso; informações do texto são falsas e a criptografia do WhatsApp não permite que o aplicativo saiba quem compartilhou o conteúdo (Foto: Reprodução/Tecnoblog)
Mensagem falsa tem tom alarmista sobre novos termos de uso; informações do texto são falsas e a criptografia do WhatsApp não permite que o aplicativo saiba quem compartilhou o conteúdo (Foto: Reprodução/Tecnoblog)

Uma mensagem falsa tem circulado pelo WhatsApp nos últimos dias prometendo impedir que os novos termos de serviço do aplicativo sejam aplicados ao usuário. Segundo o texto, ao enviar o conteúdo a seus contatos, a pessoa ficará isenta de se adequar à política de privacidade aplicada pela empresa, que passará a compartilhar dados com o Facebook - que comprou o aplicativo de mensagens por US$ 19 bilhões em 2014. As informações são do site Tecnoblog.

As alterações nos termos de uso do WhatsApp foram destaque no começo de janeiro, quando um aviso informando sobre as novas regras começou a aparecer ao abrir o aplicativo. A situação causou revolta entre usuários e uma "fuga", com concorrentes como Telegram e Signal ganhando destaque no episódio. Devido à má repercussão, o WhatsApp adiou o prazo para aceitar os novos termos, de 8 de fevereiro para 15 de maio.

O texto que circula no WhatsApp traz diversas informações incorretas, além de erros de ortografia. É afirmado, por exemplo, que as novas regras começarão a ser aplicadas "amanhã", sem especificar uma data exata. Ele diz, ainda, que fotos, mensagens, e até conteúdos excluídos podem ser usados pelo Facebook e outros aplicativos da empresa, como o Instagram. Por fim, indica que compartilhar o texto, que contém várias vezes a frase "eu não autorizo", deixará o usuário imune às novas regras. A grafia do próprio nome do aplicativo, escrita como "WhatsAp", está incorreta, sendo o certo "WhatsApp".

Apesar de levantar preocupações sobre o compartilhamento de dados entre os aplicativos do Facebook, as novas regras não incluem nenhum dos pontos abordados na mensagem. Os dados que ficarão disponíveis são:

  • - Número de telefone
  • - Dados do registro (como o nome)
  • - Números de contatos
  • - Informações sobre o smarthphone (modelo, marca e empresa da telefonia móvel)
  • - Localização da conexão à internet (número de IP)
  • - Pagamentos ou transações realizadas por meio do aplicativo de mensagens
  • - Números de contatos
  • - Atualizações de status
  • - Atividade no aplicativo (tempo de uso).

Também não há forma de permanecer usando o aplicativo após 15 de maio - data prevista para os novos termos de uso entrarem em vigor, caso não haja mais alterações - sem concordar com as mudanças. Como o WhatsApp possui criptografia de ponta a ponta, não há possibilidade de o aplicativo saber o conteúdo de mensagens, fotos, vídeos ou áudios compartilhados pelos usuários, então não haveria como uma mensagem "imunizar" alguém contra as alterações.

Em nota ao Tecnoblog, o WhatsApp publicou o seguinte posicionamento:
Essa mensagem é completamente falsa. As conversas pessoais no WhatsApp são protegidas com criptografia de ponta a ponta, o que significa que essas conversas são privadas, e que o WhatsApp não pode ler, ouvir ou ver os conteúdos compartilhados.

O WhatsApp foi desenvolvido com base em uma ideia simples: tudo o que os usuários compartilham com seus amigos e familiares fica só entre eles. Por essa razão, o aplicativo não mantém o registro das pessoas para as quais o usuário ligou ou enviou mensagens de textos, de áudio ou imagens.

Mensagens falsas no WhatsApp representam riscos

Apesar de o texto sobre a suposta isenção aos novos termos de serviço não conter links nem nenhum tipo de perigo imediato ao usuário, há riscos indiretos neste tipo de conteúdo. O problema, neste caso, é passar a falsa impressão que compartilhamento de mensagens pela plataforma possam gerar alguma ação externa.

Este tipo de lógica é aplicado, por exemplo, em golpes que prometem produtos grátis, auxílios do governo e falsas promoções. Nestes casos, links maliciosos podem ser usados para instalar vírus no celular, ou levar a cadastros que pedem dados pessoais, como endereço e CPF. Em comum com a mensagem falsa sobre os novos termos de uso, todos estes golpes exigem que o texto seja compartilhado com os contatos para "garantir" o suposto benefício prometido.

Em todos os casos, é importante ressaltar: devido à criptografia, nem mesmo o próprio WhatsApp tem acesso às mensagens e mídias trocadas por usuários. Deste modo, nenhuma corrente que prometa algo por compartilhar algum conteúdo teria como ser real, uma vez que não há como confirmar se o usuário realmente fez a divulgação necessária.

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