Deputado diz que PT só precisa de Cid para ganhar eleição e aposta em reconciliação com Ciro
Encontro da oposição teve críticas ao governo, empolgação com evento em Juazeiro e defesa de reaproximação entre irmãos
O deputado estadual Felipe Mota (União Brasil), membro da oposição ao governador Elmano de Freitas (PT), criticou a relação do PT no Ceará com o senador Cid Gomes (PSB), alegando que o partido exaltaria Cid conforme o período eleitoral se avizinha, com o intuito de ganhar as eleições, e afastaria o aliado no momento em que começa a governar.
"O PT tem um defeito, só precisa dos Ferreira Gomes para ganhar a eleição, mas para governar não quer”, disse durante edição do Café da Oposição realizado nesta terça-feira, 3. Segundo Mota, às vésperas do período eleitoral, o PT elogia publicamente Cid, seja na tribuna da Assembleia ou em entrevistas, enquanto, no exercício do governo, a postura seria distinta.
“Na hora que é para ganhar, o nome do Cid está em tudo que é tribuna, está em tudo que é jornal. Bota para elogiar em todo canto, arma uma sensação todinha. É frase de efeito. ‘Só preciso dos Ferreira Gomes para ganhar a eleição. Para governar? Vixe deixa afastado! É do nosso jeito, é do jeito que a gente tem’. Mas isso vai acabar, pode ter certeza que isso vai acabar”.
Cid no centro do debate
O nome de Cid esteve no centro das discussões da reunião da oposição, após declarações recentes dos irmãos mais novos, Ivo e Lia Gomes.
O ex-prefeito de Sobral afirmou que o ministro Camilo Santana (PT) trabalha para enfraquecer politicamente Cid e que, após a aproximação do governador Elmano de Freitas (PT) com a família de Oscar e Moses Rodrigues, não se sente mais compromissado em apoiar o governo estadual, admitindo a possibilidade de caminhar ao lado de Ciro Gomes (PSDB), caso ele concorra.
Já Lia Gomes afirmou que seguirá a orientação política de Cid, mas disse acreditar que o senador manterá a palavra empenhada e apoiará Elmano na tentativa de reeleição. Ainda assim, confirmou que Ciro segue sendo a principal referência política dos irmãos.
Leia mais
Desejo de reconciliação
Apesar de estarem em campos políticos opostos a Cid, parlamentares da oposição na Alece afirmaram torcer por uma reconciliação entre ele e Ciro Gomes.
“Eu acho que olhando primeiramente para os valores de família, tudo que a gente deseja é que haja, de fato, essa reconciliação e, se precisar, se pudermos interferir nisso, com certeza enquanto família vamos fazer isso. E, enquanto também propósitos políticos, isso daí é o nosso sonho mesmo que se faça”, afirmou a deputada Emília Pessoa (PSDB).
Os deputados, no entanto, reconhecem que o tema raramente é tratado diretamente com Ciro, por se tratar de um assunto de foro íntimo.
“Ele fala do carinho que tem pelos irmãos, mas ele está muito natural com isso. Ele ele tá esperando o momento, mas ele não externou que para ser candidato precisa dos irmãos. Isso ele não disso em nenhum momento”, explicou o deputado Lucinildo Frota (PDT).
Durante a reunião, os parlamentares também criticaram a aproximação do governo estadual com Moses e Oscar Rodrigues (ambos do União Brasil), enquanto, segundo eles, mantém Cid e Lia Gomes em segundo plano. “Como é que você quer ser bem tratado se você me trata mal?”, questionou Felipe Mota.
“Agora não dá é para poder querer os Ferreira Gomes só para ganhar a eleição e para governar não precisa. Para governar fica enxotando todo mundo. Porque tem gente que tá na base do governo doido para estar aqui com a gente, tá certo? Mas por questões políticas, que podem atrapalhar, essa coisa toda, fica afastado. Mas vocês podem ter certeza do seguinte, eu não tenho dúvida que esse grupo aqui vai conseguir unir muito mais do que o governo com toda a máquina que tem”, completou Mota.
Alinhamento e evento em Juazeiro
A reunião desta terça-feira contou com a participação dos deputados Cláudio Pinho (PDT), Lucinildo Frota (PDT), Felipe Mota (União Brasil), Pedro Matos (Avante), Emília Pessoa (PSDB), Queiroz Filho (PDT) e Antônio Henrique (PDT).
Segundo eles, o encontro serviu para alinhar as estratégias de atuação no primeiro semestre do ano na Assembleia, tanto no que diz respeito ao cenário eleitoral quanto às críticas ao governo, além da definição de quem deverá ocupar a tribuna em cada momento. O grupo demonstrou entusiasmo com o evento marcado para o próximo sábado, 7, em Juazeiro do Norte, que contará com a presença de Ciro.
Ausente do evento realizado no último fim de semana com o também pré-candidato ao governo Eduardo Girão (Novo), o prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos), foi apontado como o “grande anfitrião” do encontro.
“Estive na semana passada (em Juazeiro) para deixar o evento organizado e o prefeito Glêdson puxou para ele a responsabilidade. Existe um grupo de pessoas no Cariri, que eu tenho que dizer o nome aqui: prefeito Glêdson Bezerra, ex-deputado Aloísio Brasil e os ex-prefeitos Agemiro Sampaio e Dr. Rômmel Feijó, que se colocaram à disposição para poder fazer tudo isso”, explicou Mota.
Ausência do PL
Apesar da ausência de deputados do Partido Liberal no encontro, os presentes enfatizaram que o bloco de oposição permanece unido e que cada partido, incluindo o PL, deve cumprir seu papel dentro das próprias tratativas internas e nacionais. A orientação, segundo eles, é evitar uma “nacionalização” antecipada da disputa estadual, para não comprometer alianças locais.
Dessa forma, a ausência foi tratada como temporária e estratégica, respeitando o tempo de maturação das decisões internas do PL, mas mantendo o diálogo aberto em torno de um projeto de candidatura única da oposição em 2026.
O fator André Fernandes
Presidente estadual do PL, o deputado federal André Fernandes foi apontado como peça-chave na estratégia da oposição no Ceará. Felipe Mota adiantou que já há um entendimento entre os partidos de que, caso André seja candidato à Prefeitura de Fortaleza em 2028, ele contará com o apoio de todo o bloco oposicionista.
“Como o Capitão Wagner já declarou, se o André for candidato a prefeito em 2028 será o nosso candidato a prefeito de Fortaleza. Isso aqui não tem o que dizer, é discutido. Gente, é tão fácil você ser honesto, é só você dizer: ‘O Ciro já deu essa palavra, o Capitão já deu essa palavra, o Roberto já deu essa palavra e nós estamos dando a nossa’”, explicou Mota, destacando ainda o respeito mútuo demonstrado entre Ciro Gomes e André Fernandes.