Restos mortais de padre que inspirou o nome de Camilo Santana são encontrados na Colômbia
Camilo Torres desapareceu em 1966 e se tornou símbolo do cristianismo progressista na América Latina
Os restos mortais do padre colombiano Camilo Torres Restrepo — que inspirou o nome do ex-governador do Ceará e atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT) — foram localizados na Colômbia quase seis décadas após o desaparecimento.
A identificação encerra um dos episódios mais emblemáticos da história política e religiosa do país e reacende debate sobre memória, verdade e reparação no contexto do conflito armado colombiano.
Quem foi o religioso
Camilo Torres Restrepo foi uma das figuras mais conhecidas do cristianismo progressista na América Latina.
Sacerdote católico e sociólogo, ele teve papel central na fundação da primeira Faculdade de Sociologia da América Latina, na Universidade Nacional da Colômbia, onde defendeu a necessidade de engajamento político direto no enfrentamento das desigualdades sociais.
Na década de 1960, o padre rompeu com a atuação exclusivamente pastoral e ingressou no Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo guerrilheiro de inspiração marxista.
Em 1966, aos 37 anos, Camilo Torres morreu no primeiro confronto com o Exército colombiano. Desde então, o local de sepultamento de seu corpo foi mantido sob sigilo por autoridades militares, e seus restos mortais permaneceram desaparecidos por quase 60 anos.
A recente localização foi confirmada por órgãos oficiais colombianos e repercutiu na imprensa do país e da América Latina. Segundo as informações divulgadas, os restos mortais de Camilo Torres serão levados para um mausoléu construído em sua memória na Universidade Nacional da Colômbia, instituição onde desenvolveu parte de sua trajetória acadêmica e política.
O que disse Camilo Santana
A notícia também foi comentada pelo ministro brasileiro Camilo Santana, que lembrou ter recebido o nome em homenagem ao padre colombiano.
Em publicação nas redes sociais, o ministro afirmou que a descoberta representa um resgate histórico e destacou a atuação de Camilo Torres na defesa da justiça social.
“A democracia sempre sobrevive na verdade, contada na história dos homens honrados que nos precederam”, escreveu, ao mencionar a emoção com a confirmação da localização dos restos mortais e o reconhecimento da trajetória do religioso.
A identificação do corpo ocorre em um momento de intensificação dos debates na Colômbia sobre a preservação da memória histórica de vítimas e personagens do conflito armado, que marcou o país por mais de meio século.
Confira na íntegra o texto publicado por Camilo Santana
"A democracia sempre sobrevive na verdade, contada na história dos homens honrados que nos precederam. Meus pais me deram o nome em homenagem ao padre colombiano Camilo Torres Restrepo, que, por toda a vida, lutou por justiça social. Após quase 60 anos de seu desaparecimento e ocultamento do paradeiro, os restos mortais foram finalmente encontrados na Colômbia.
Me emociona saber que, enfim, sua trajetória será honrada no mausoléu construído em sua memória na Universidade Nacional da Colômbia, que teve a primeira Faculdade de Sociologia da América Latina, fundada com apoio do padre Camilo".