Elmano entende insatisfação de Ivo, diz querer conversar e lembra que teve lado em Sobral
Governador disse ter se aproximado de Moses e Oscar Rodrigues somente após conversar com Cid e comparou situação com quando RC era aliado de Camilo
O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), afirmou ver com naturalidade a insatisfação demonstrada pelo ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PSB), ao vê-lo ao lado de adversários políticos. O chefe do Executivo estadual disse considerar necessário dialogar com o irmão do senador Cid Gomes (PSB), mas lembrou que, na eleição municipal de 2024, deixou claro seu posicionamento ao apoiar a ex-governadora Izolda Cela (PSB) até o último dia da campanha.
Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 14, Elmano avaliou ser natural que haja algum grau de insatisfação em Sobral, assim como pode ocorrer em outros municípios do Estado.
"Eu penso que nós vamos ter que dialogar com todos. Insatisfações que às vezes temos nas realidades locais, temos variadas. Em muitos municípios, nós temos a situação do prefeito nos apoiar, oposição daquele prefeito nos apoiar. Então, em Sobral é o que está acontecendo, não é?", disse.
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Superar divergências
Elmano afirmou ter aprendido, ao longo da trajetória política, que a construção de novas alianças costuma gerar reações de descontentamento.
"Efetivamente, a fala do Ivo demonstra que nós precisamos dialogar, demonstra que nós precisamos conversar, demonstra que nós precisamos ter tranquilidade e buscar superar divergências e diferenças", disse.
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O governador ressaltou, no entanto, que só buscou uma aliança com o deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil) e com o prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues (União Brasil), após tratar do assunto com o senador Cid Gomes.
"Quando fiz a conversa com o deputado Moses e conversamos a possibilidade de aliança, eu fiz isso após reuniões com o senador Cid. E é assim que nós sempre tratamos muitas questões, como algumas situações eu tratei com o PT, outras eu tratei com Eunício (Oliveira, MDB), outras eu tratei com o Domingos Filho (PSD). Nós fazemos as questões de maneira dialogada. Isso pode ser com qualquer liderança nossa: se há uma insatisfação, nossa obrigação é sentar, dialogar, conversar, ouvir", explicou.
Lado em Sobral
Elmano voltou a destacar que demonstrou ter lado em Sobral durante a campanha municipal de 2024, quando apoiou Izolda Cela na tentativa de suceder Ivo Gomes. A ex-governadora foi derrotada por Oscar Rodrigues.
"Eu estive na campanha da companheira Izolda desde a abertura da campanha. No último dia de campanha, de todas as cidades do Ceará, a campanha que eu fui foi a da companheira Izolda. Portanto, a minha participação em Sobral foi muito clara, tendo lado", relembrou.
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"Já vivenciei isso"
Por fim, Elmano afirmou já ter passado por situação semelhante quando era oposição ao então prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (à época no PDT, hoje no União Brasil), aliado do então governador Camilo Santana (PT).
"Eu não posso não entender que o ex-prefeito Ivo não tem algum grau de chateação ao ver minha liderança com quem ele disputou. Faz parte, eu mesmo já vivenciei isso. Camilo era governador e ele era aliado Roberto Cláudio e eu era oposição. Eu não deixei de apoiar o Camilo porque o Camilo tinha uma relação positiva com o Roberto Cláudio. Então são experiências que a gente vivencia na vida e que cada um vai aprendendo com elas", comparou.
O que disse Ivo
O ex-prefeito de Sobral participou de uma série de programas de TV e podcasts no município na última semana. Ele afirmou que, com a aproximação de Elmano a Moses e Oscar, não considera ter nenhum compromisso com o Governo do Estado, admitindo inclusive a possibilidade de apoiar o irmão Ciro, caso decida concorrer a governador em 2026.
Ivo culpou Roberto Cláudio pela briga em 2022 que culminou no desmembramento do PDT, o afastamento da sigla do PT no Ceará e a cisão entre os irmãos Cid e Ciro. Para ele, a obsessão de RC em ser governador se juntou com a mágoa de Ciro ao PT.
O Ferreira Gomes não descartou a possibilidade de vir a apoiar Elmano, dizendo não se considerar opositor ainda, mas garantiu que, independentemente de que lado estiver, ninguém o verá "encangado" com Moses Rodrigues ou Capitão Wagner.
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