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Política
NOTÍCIA

Reajuste para PMs deve tramitar a partir desta quarta, afirma Sarto

Os militares envolvidos no motim foram classificados como "bandidos encapuzados com arma na mão" quando Sarto citou as ameaças ao comércio, em Sobral

Izadora Paula
21:33 | 03/03/2020
José Sarto, deputado e presidente da Assembléia Legislativa do Ceará
José Sarto, deputado e presidente da Assembléia Legislativa do Ceará (Foto: MAURI MELO/O POVO)

Após a aprovação da proposta de Emenda à Constituição que proíbe a anistia a policiais no Ceará nesta terça-feira, 3, o presidente da Assembleia Legislativa, José Sarto (PDT), comentou a decisão e informou que a proposta de reestruturação salarial volta a ser pauta na AL ainda nesta semana. "Creio que a partir de amanhã a gente já começa", afirmou Sarto.

O deputado estadual defendeu a aprovação da PEC, justificando com o anseio popular e com a própria Constituição Federal. "É um processo muito simples. O artigo 142 da Constituição proíbe a sindicalização e a greve. O ministro da Justiça disse isso, finalmente o ministro da Defesa disse isso, O ministro-chefe da AGU disse isso, o professor de cursinho deputado Wagner disse isso. Então, é proibido, é crime militar fazer motim".

Os militares envolvidos no motim foram classificados como "bandidos encapuzados com arma na mão" quando Sarto citou as ameaças ao comércio, em Sobral. "A sociedade, tenho certeza absoluta, vai aplaudir a não anistia. Não a instituição, mas uma minoria provocou (o motim) às vésperas do Carnaval de uma maneira covarde, aterrorizando a família cearense".

Durante a entrevista, o presidente da Assembleia deixou claro que os recentes acontecimentos não irão interferir na reestruturação salarial da categoria, que ainda será discutida na AL. "Certamente, se houver ainda alguma possibilidade de mobilizar para atender as questões que sejam da tropa de um modo geral, a Assembleia é sensível a isso. Mas há um limite orçamentário, que é o limite de R$ 495 milhões. Creio que a partir de amanhã a gente já começa", informou.

Para Sarto, motim teve componente político

Segundo Sarto, o componente político presente no motim é inegável. "Veja a última greve de 2011, quando surgiram lideranças políticas. E eu tenho certeza absoluta que parcela considerável se deixa manusear e manipular. Nós temos aí coisas seríssimas. Líderes da greve dizendo que podiam ir desobedecer Ministério Público e o Tribunal de Justiça porque não seriam demitidos, não seriam expulsos. E se fossem expulsos, as associações pagariam seu salários. Incentivando, incitando a desordem pública e a desobediência militar", indicou.

Ainda usando de exemplo a greve de 2011/2012, o deputado pediu que a população acompanhe atentamente o cenário político atual. "Esse ano temos eleição, à semelhança do que houve em 2012".

Com informações do repórter Filipe Pereira