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"Não chegou a ser uma guerra, mas se assemelhou pelo número de mortes", diz representante da PM nas negociações

Em uma semana, o Ceará registrou 220 assassinatos. Acordo é assinado nesta manhã. "Esse acordo não encerra o assunto. É necessário, mas não é suficiente", diz coronel Walmir Medeiros

11:04 | 02/03/2020
FORTALEZA - CE, BRASIL, 27-02-2020: Reunião sobre a greve dos pm's no Ministério Público do Ceará. Na foto: coronel Walmir Medeiros. (Foto: Deísa Garcêz/Especial para O Povo).
FORTALEZA - CE, BRASIL, 27-02-2020: Reunião sobre a greve dos pm's no Ministério Público do Ceará. Na foto: coronel Walmir Medeiros. (Foto: Deísa Garcêz/Especial para O Povo). (Foto: DEÍSA GARCÊZ/Especial para O POVO)

O coronel do Exército Walmir Medeiros, eleito representante e mediador dos policiais militares amotinados, afirmou que a negociação pelo fim do motim dos policiais militares foi delicada e evitou reflexos para fora do Ceará. Ele também afirmou que clima se assemelhou ao de guerra no Ceará. Em uma semana, o Ceará registrou 220 assassinatos. Dessa forma, Fevereiro foi o mês mais violento no Ceará desde setembro de 2018.

Os policiais militares aprovaram o acordo negociado com comissão envolvendo os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) após 13 dias de paralisação. O consenso, no entanto, não prevê anistia para os agentes de segurança que já são alvos de processos. Na manhã desta segunda-feira, 2, o documento é assinado na Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), no Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

"Esse acordo não encerra o assunto. É necessário, mas não é suficiente. As conversas precisam continuar", diz. Ele afirma que as assessorias jurídicas estão coordenando pedido de habeas corpus coletivo.

"Não chegou a ser uma guerra, mas se assemelhou pela quantidade de mortes que não advieram da ação dos policiais e nem da sua vontade, mas que foram consequência", ponderou. "Nesse momento, a continuidade das conversas é fundamental para pacificar. É um engano achar que o acordo traz a paz".

O intermediador diz ainda que irá "pedir condescendência ao poder publico", já que o direito à anistia, principal pauta dos policiais militares, não foi concedido. "Perdoar é um ato de grandeza", disse.

Com informações do repórter Leonardo Maia