Inversão de percurso na Domingos Olímpio gera críticas
Blocos apontam problemas logísticos e relatos de restrição de trânsito na Domingos Olímpio após mudança no sentido do desfile no Carnaval 2026; confira
Resumo
Diretores apontam impactos na logística de concentração, dispersão e retorno ao transporte das agremiações.
Também houve relatos de restrições de trânsito nas proximidades da Avenida Aguanambi, que teriam dificultado o acesso de veículos de apoio.
A AMC afirmou que todos os bloqueios garantiram acesso local e que não reconhece impedimento a moradores.
A inversão do percurso dos desfiles na avenida Domingos Olímpio, no tradicional circuito de Carnaval de Fortaleza, gerou críticas por parte de agremiações e relatos de dificuldades logísticas neste ano.
Diretores de blocos apontam impactos na concentração, dispersão e montagem das estruturas, além de problemas relacionados ao trânsito nas proximidades do cruzamento com a Avenida Aguanambi.
Relatos apontam restrição de trânsito nas proximidades da Aguanambi
O POVO apurou relatos de que agentes da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) estariam impedindo o trânsito local nas imediações do cruzamento da Domingos Olímpio com a Avenida Aguanambi.
Segundo informações obtidas no local, a restrição teria afetado o acesso de veículos de apoio e integrantes de agremiações, que relataram dificuldades para se aproximar da área de concentração.
Ao ser procurada, a AMC afirmou que todos os bloqueios realizados durante o evento garantiram acesso local a moradores e trabalhadores da área. Segundo o órgão, a liberação ocorreu mediante apresentação de comprovante de endereço ou outra forma de comprovação.
“Todo bloqueio tem acesso local garantido. Lá na Beira-Mar, por exemplo, o bloqueio foi só na parte do aterrinho. A gente está garantindo o acesso local mediante comprovante de endereço ou alguma comprovação. Nunca aconteceu isso de barrar acesso de moradores”, informou a AMC.
O órgão também declarou que não reconhece a situação relatada por integrantes de agremiações. “A AMC não reconhece essa situação, não, porque todo bloqueio tem acesso local garantido”, acrescentou.
A Autarquia acrescentou que, em situações de grande aglomeração de pedestres, não é permitido o cruzamento da via por veículos, sendo necessário optar por rotas alternativas indicadas pelos agentes de trânsito.
A AMC também informou que a operação transcorre normalmente e que não houve registro de ocorrências relacionadas aos bloqueios até o momento.
Diretor critica inversão do percurso e aponta dificuldades
O diretor do Bloco Amigos do Zé, Paulo Nunes, 55, afirmou que a principal dificuldade enfrentada pela agremiação neste ano foi a inversão do percurso na Domingos Olímpio.
Segundo ele, o novo sentido do desfile alterou a dinâmica de concentração e dispersão, gerando impacto especialmente na logística de retorno. Até o ano passado, os blocos saíam das proximidades da Barão de Aratanha em direção à Senador Pompeu, onde ficavam os ônibus responsáveis pelo transporte das agremiações.
Com a mudança, o trajeto passou a ser feito no sentido contrário, o que obriga os participantes a retornarem ao ponto inicial após o fim da apresentação para acessar o transporte.
“Quando termina o desfile, todo mundo tem que voltar para pegar o ônibus. Antes já terminava perto da saída”, afirmou.
Paulo também apontou que o novo sentido prejudicou elementos estéticos do bloco. De acordo com ele, desfilar “contra o vento” limitou a montagem de estruturas maiores no carro alegórico. “Tinha coisas que eu queria fazer que não deu. Geralmente a gente desfila a favor do vento, dá para criar mais”, disse.
Outra crítica foi em relação ao som. Segundo o diretor, o áudio estaria concentrado apenas nos carros, sem distribuição adequada pelas caixas ao longo da avenida, o que dificulta a comunicação entre os integrantes do bloco durante o percurso.
Sobre a chegada à concentração, ele relatou que não houve impedimento para montagem dos carros, mas houve dificuldade para transporte de instrumentos. O caminhão precisou parar nas proximidades da Avenida da Universidade, e os integrantes tiveram que carregar os equipamentos a pé até o ponto de concentração.
“Antes era tudo mais perto. Agora a distância aumentou e ficou mais complicado”, avaliou.
Colaboraram Kleber Carvalho e Ludmyla Barros